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Dia da Família: o pet como parte essencial da configuração afetiva
Psicóloga explica que o vínculo humano-animal atualiza o conceito de família através de uma convivência baseada no afeto diário
atualizado
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Nesta sexta-feira, 15 de maio, celebra-se o Dia Internacional da Família, uma data que convida à reflexão sobre as novas formas de pertencimento. Segundo a psicóloga Juliana Sato, especializada em vínculo humano-animal, a relação com os animais de estimação deixou de ser apenas uma presença afetiva externa para se tornar parte constituinte do núcleo familiar. Especialmente após a pandemia, os pets passaram a ser reconhecidos como companheiros constantes, ocupando um espaço central em tempos de instabilidade.
Entenda o vínculo pet na família
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Natureza única: o afeto entre humanos e animais possui uma configuração própria, que não se encaixa perfeitamente em outras categorias de amor conhecidas.
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Comunicação não-verbal: a intimidade é construída no ritmo compartilhado do cotidiano e na capacidade de ler sinais e comunicações sem o uso de palavras.
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Bem-estar compartilhado: estudos indicam que os benefícios dessa relação não pertencem a um indivíduo isolado, mas à dupla que constrói a convivência.
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Atualização do conceito: chamar o pet de família não é um exagero sentimental, mas uma leitura precisa da realidade vivida pelas pessoas hoje.
Uma conexão difícil de nomear
A relação entre tutores e seus animais é marcada por estados de segurança e confiança que muitos sentem dificuldade de descrever com precisão. Para Juliana Sato, essa dificuldade ocorre porque o vínculo é desenvolvido em uma relação específica e única com aquele animal.
Diferente de outras relações humanas, essa conexão se estabelece no silêncio e na observação mútua. Segundo a especialista, quem cuida aprende a interpretar o que o animal comunica, organizando a vida afetiva de uma forma tão profunda que a dimensão desse impacto muitas vezes só é percebida em sua totalidade diante da ausência do animal.
O pet como constituinte familiar
A celebração do Dia Internacional da Família serve como uma oportunidade para dar nome ao que já é prática na vida de milhões de pessoas. Para a psicologia especializada na área, o pet não “orbita” a família pelo lado de fora; ele é um dos pilares que sustenta a estrutura emocional da casa.
“Reconhecer esse vínculo não é ampliar o conceito de família de forma sentimental, mas atualizá-lo à altura da vida que as pessoas realmente vivem”, afirma Sato.
Pesquisas realizadas ao longo de décadas reforçam que essa integração é fundamentada na prática da vida. O reconhecimento formal desse laço nos próprios termos em que ele se apresenta — um amor com regras e linguagens próprias — é um passo fundamental para compreender a complexidade dos vínculos afetivos contemporâneos.


















