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Cor da pelagem interfere na personalidade do gato? Expert esclarece
Veterinária especializada em felinos explica o que realmente pode interferir na personalidade dos gatos
atualizado
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Muitos tutores se perguntam se a cor do gato pode dizer algo sobre sua personalidade. A resposta, segundo a veterinária Giovana Mazzotti, especializada em felinos, é: talvez. A relação entre coloração da pelagem e comportamento ainda é controversa na ciência, mas outros fatores têm influência comprovada no temperamento dos gatos.
Entenda: o que molda a personalidade dos gatos
- A cor da pelagem pode influenciar, mas não é determinante.
- Período crítico de socialização (até 2 meses): decisivo para o comportamento.
- Infância do gato: também impacta profundamente sua forma de interagir com o mundo.
- Genética, especialmente a do pai: tem grande peso no temperamento do gato.
- Experiências anteriores à adoção: podem marcar o comportamento para sempre.
- Ambiente e interações com o tutor: ajudam a moldar, mas nem tudo pode ser mudado.
- Cuidados com estigmas: rotular gatos pela cor pode atrapalhar processos de adoção.
O que de fato define o comportamento felino?
De acordo com Giovana, a coloração da pelagem é um fator que vem sendo estudado há décadas, mas os resultados ainda não são conclusivos. “Existem teorias que associam, por exemplo, felinos amarelos a maior agressividade e gatos pretos a comportamento mais amistosos. Mas são estudos com muitas variáveis e pouca uniformidade na análise”, explica.
Um dos maiores desafios é a subjetividade da percepção do tutor, o que dificulta a padronização de dados. “O que um tutor considera um gato agressivo, outro pode enxergar com um animal brincalhão. Esse é um gargalo sério nesses estudos”, pontua a veterinária.
Giovana reforça que a coloração pode ter algum papel, mas ela só faz sentido em estudos com populações muito grandes de gatos. Mesmo assim, não deve ser considerada isoladamente.
O que realmente importa: socialização e genética
Segundo a especialista, há dois fatores com influência comprovada no comportamento felino: o período crítico da socialização e a genética. “Até os dois meses de idade, o gatinho está em uma fase extremamente sensível. O que ele vivencia nesse período pode marcar sua personalidade para o resto da vida”, afirma. Situações de abandono, negligência ou traumas precoces muitas vezes explicam comportamentos difíceis mais adiante.
Além disso, a genética, principalmente a herdada do pai, tem peso significativo. “Alguns aspectos do temperamento são herdados e não conseguimos modificar”, diz a veterinária.

Mesmo com essas influências, a personalidade felina pode ser moldada ao longo da vida — dentro de certos limites. “As interações que o tutor oferece, o ambiente seguro e enriquecido, tudo isso conta muito. Mas é importante entender que nem tudo pode ser ‘corrigido’. Algumas características são do próprio animal”, reforça.
Evite estigmatizar pela cor
Giovana faz um alerta importante: classificar gatos pela cor pode prejudicar processos de adoção. “Essas ideias podem influenciar negativamente quem está buscando um bichano. A personalidade é algo muito mais complexo do que a aparência”, conclui.








