
É o bicho!Colunas

Canetas emagrecedoras: obesidade pet começa no comportamento humano
Canetas emagrecedoras para pets estão em teste e devem ser lançadas até 2027. Porém, não são a principal solução para a obesidade animal
atualizado
Compartilhar notícia

Recentemente, foi anunciado que a febre das canetas emagrecedoras chegou até os pets. Uma empresa farmacêutica nos Estados Unidos iniciou testes do remédio em gatos, mas o objetivo é também proporcionar perda de peso para os cães.
No entanto, é preciso avaliar o que leva um animal de estimação a precisar usar remédios para emagrecer. Se não é ele que controla a própria comida, os tutores devem prestar atenção em como estão alimentando seus bichinhos. Na maior parte dos casos, a obesidade em cães e gatos é de responsabilidade do dono.
Clique aqui para seguir o canal do Metrópoles Vida&Estilo no WhatsApp
Renata Roma, pesquisadora na University of Saskatchewan (Canadá) e especialista em vínculo com animais, afirma que o comportamento humano influencia diretamente o peso dos pets. “Muitos tutores oferecem alimentos calóricos ou inadequados para a dieta, sem perceber que esses itens não têm os nutrientes necessários.”
Comportamento humano é o principal problema
Ela explica que as escolhas que o tutor faz impactam significativamente na saúde do animal. “Quando isso se soma a uma rotina pobre em atividades físicas, ele não só ganha peso, como também desenvolve problemas metabólicos, articulares e uma queda geral na qualidade de vida.”
Cleber Santos, do Grupo Comportpet, afirma que a obesidade não é um problema que ocorre na falta do remédio. “Soluções emagrecedoras podem existir, mas não substituem o que realmente transforma a saúde: atividade física e mental, enriquecimento ambiental, alimentação correta e orientação profissional.”

Segundo ele, alguns dos erros mais comuns que os tutores cometem são:
- Alimentação deixada à vontade o dia todo;
- Petiscos excessivos;
- Comida humana, restos de mesa, guloseimas e pãozinho;
- Falta de protocolo alimentar e horários definidos;
- Não seguir as quantidades recomendadas pelo fabricante da ração;
- Ração exposta por horas, oxidando e perdendo qualidade;
- Falta de atividade física, mental e lúdica;
- Falta de rotina estruturada.
Comida não é símbolo de afeto para os pets
Um dos problemas é que as pessoas confundem vínculo emocional com oferta de comida. “A alimentação vira uma forma de mimo, carinho ou até de compensar a falta de tempo para brincar, exercitar ou interagir com o pet. A intenção não é prejudicar, mas existe um equívoco de que mais comida significa mais amor”, explica Renata.
De acordo com a especialista, essa lógica é um dos fatores que acaba comprometendo a saúde dos caninos e dos bichanos, pois em vez de cuidar, o tutor cria um ciclo que reduz a qualidade de vida.

“Tudo isso desregula completamente o comportamento do cão, fazendo com que ele coma por tédio, ansiedade ou falta de estímulo — não por fome real”, complementa Cleber.
A mudança está nos seres humanos
Renata salienta que a mudança só começa quando a pessoa entende que fome real é diferente de mimar o pet. “Existem várias formas de deixá-lo feliz que não envolvem comida. Muitos tutores que oferecem em excesso têm dificuldades semelhantes na própria alimentação e acabam reproduzindo o mesmo padrão.”
Para Cleber, não existe uma solução mágica, como as canetas. Segundo ele, antes de pensar em medicação, o dono precisa levar o animal em um veterinário, ajustar a alimentação, cortar petiscos desnecessários e comida humana, criar uma rotina de atividades e controlar ansiedade e estresse — principais gatilhos.
“Essas soluções emagrecedoras, como implantes ou canetas que reduzem apetite, podem até ter função em casos muito específicos e sob supervisão veterinária, mas não são a resposta principal para a obesidade pet. Elas tratam o sintoma, não a causa”, orienta o profissional.
Ele ainda acrescenta que qualquer fármaco deve ser visto como complemento, e não como caminho principal. Isso porque, principalmente no caso dos cães, o organismo não é preparado para viver medicado. “Sem mudança de comportamento, qualquer intervenção será ineficaz e potencialmente prejudicial”, alerta.
















