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Acidentes com escorpiões aumentam 230%; bióloga explica o motivo
Nos últimos dez anos, os casos de acidentes com escorpiões tornaram-se cada vez mais frequentes. Bióloga do Butantan comenta as causas
atualizado
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Na última década, o Brasil tem enfrentado uma crescente nos acidentes provocados por picadas de escorpiões. De acordo com o Ministério da Saúde, os casos subiram de 85 mil, em 2015, para 200 mil, em 2023 — com o ano sendo recorde da série história. Os dados revelam um aumento de 230% quando comparado ao período de 2005 a 2015.
Denise Candido, bióloga do Instituto Butantan, afirma que o escorpionismo — envenenamento pela picada do aracnídeo — é considerado um problema de saúde pública no país. Segundo ela, o aumento do problema está associado a vários fatores, incluindo urbanização acelerada, mudanças climáticas e adaptação biológica.
Confira!
Urbanização
O crescimento desordenado de áreas urbanas está diretamente ligado à precariedade de infraestrutura, como saneamento básico e acúmulo de lixo. Por conta disso, esses locais acabam se tornando o habitat ideal para escorpiões, com baratas, entulhos e detritos.
Devido as alterações humanas no meio ambiente, em São Paulo, por exemplo, o escorpião-marrom (Tityus bahiensis) acabou dando lugar ao amarelo (Tityus serrulatus), o que também explica o aumento nos acidentes.

“Existe uma dinâmica muito particular, pois ao mesmo tempo em que o ser humano invade o habitat natural do escorpião, ele cria as condições ideias para que o animal se prolifere”, declarou Denise.
No caso do aracnídeo amarelo, outro fator relevante é a reprodução por partenogênese. O processo se caracteriza pela geração de descendentes sem a necessidade de acasalar com um macho. Assim, uma única fêmea — com acesso a alimento, abrigo e água — pode dar vida a uma população inteira.
Mudanças climáticas
Durante o período de calor, os escorpiões costumam ficar mais ativos, buscar mais alimentos e intensificar a capacidade de reprodução por partenogênese. Pensando nisso, as mudanças climáticas relacionadas ao aquecimento global são um grande motivo de preocupação.

O desmatamento também é um fator de risco, já que faz com que outras espécies de escorpião cheguem nas áreas urbanas. “No Centro-Oeste e no Sudeste, temos registros crescentes de espécies consideradas de interesse médico na Argentina, como o Tityus conflyens e o Tityus trivittatus, indicando um possível processo de adaptação ecológica em curso”, detalhou a bióloga.
Adaptação biológica
Esses animais estão presentes no planeta Terra há cerca de 450 milhões de anos. Por conta disso, desenvolveram diversos mecanismos de proteção, como a capacidade de “bloquear” o sistema respiratório para não serem intoxicados. Eles também podem ficar submersos na água por muito tempo e detectar vibrações por meio de pelos e órgãos sensoriais.

Essas características fazem com que os escorpiões não sejam eliminados por produtos químicos simples. Ao contrário disso, acabam fugindo de seus esconderijos, o que acarreta maior frequência de encontros com seres humanos — e, por consequência, acidentes.
O que fazer em acidentes
Em caso de picada, a gravidade depende da quantidade de veneno, do tipo de escorpião e da vítima, com crianças, gestantes e idosos estando mais suscetíveis a complicações de saúde. Quando se trata da espécie, o amarelo é conhecido como um dos mais venenosos do mundo.
Veja o que fazer, segundo o Butantan:

- Lave a ferida apenas com água e sabão.
- Evite torniquetes, sucção oral, incisão ou aplicação de quaisquer produtos.
- Encaminhe a vítima imediatamente a um serviço de saúde de referência.
- Se possível, capture o animal com segurança para identificação.













