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Tulipas e bitcoins

Criptomoeda chega ao último mês do ano amargando queda de 8% e muito abaixo das projeções mais otimistas

atualizado

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Arte queda bitcoin
1 de 1 Arte queda bitcoin - Foto: Arte/Metrópoles

Os mais otimistas diziam que o bitcoin chegaria a US$ 200 mil em 2025. Não chegou nem perto. E olha que durante o ano a criptomoeda alcançou sua máxima história: US$ 126 mil. Além do pico abaixo do projetado, o bitcoin chega ao último mês do ano amargando uma queda de 8% ao longo de 2025.

Diante do cenário desfavorável, entusiastas do bitcoin reforçam o bordão de que trata-se, na verdade, de uma boa oportunidade. “É na baixa que se compra”, repetem os maiores influencers de finanças. Também não faltam tentativas de explicar as oscilações buscando movimentos políticos e econômicos diversos como justificativa, de posse de Trump a “bolha da IA”.

Menos ruidosas são as vozes que questionam a sustentabilidade do universo do bitcoin. Considerado o maior investidor do mundo, Warren Buffett nunca economizou críticas à criptomoeda, mas sempre introduziu suas ponderações com reflexões como “sei que vão me considerar velho e antiquado”. Não é à toa, questionar o bitcoin não é tarefa fácil. E não é por falta de argumentos, mas pela reação apaixonada — e às vezes raivosas — dos entusiastas.

Para Buffet, a principal questão é que o bitcoin não gera qualquer valor, ao contrário de fazendas ou empresas, por exemplo, e que seu preço é impulsionado pelo medo de investidores ficarem de fora. O megainvestidor também já manifestou a preocupação com quem o universo do bitcoin atrai. Para ele, são especuladores e jogadores que “apostam” confiando que em algum momento vão lucrar ao vender mais caro algo que compraram por preço menor.

Mas a comparação que mais incomoda os entusiastas do bitcoin, feita por Buffet, é com a chamada Bolha das Tulipas, exemplo clássico da irracionalidade coletiva nos mercados financeiros, onde a ganância e a esperança de lucros rápidos levam os preços de um ativo a se distanciarem completamente do seu valor real.

A crise ocorreu entre 1936 e o inverno de 1637, em terras onde hoje é a Holanda. Tulipas raras produzidas na região tornaram-se símbolos de status e riqueza. A obsessão pela flor levou a uma demanda crescente e pessoas de todas as classes sociais começaram a investir em bulbos de tulipa.

Devido à sazonalidade da planta, que demora para florescer, criou-se um mercado de contratos futuros – promessas de compra e venda dos bulbos que ainda não existiam. A especulação inflacionou os preços a níveis absurdos. No auge da bolha, um único bulbo de tulipa raro podia valer o equivalente a uma casa ou décadas de um salário médio.

No inverno de 1637, a confiança no mercado ruiu subitamente quando um comprador não conseguiu honrar seu contrato. O pânico se espalhou, todos tentaram vender ao mesmo tempo e os preços despencaram drasticamente, levando muitos investidores à ruína financeira.

No início de dezembro, o debate sobre bitcoins e tulipas voltou com tudo. A colunista Merryn Somerset Webb, da Bloomberg, retomou a comparação em um artigo. No texto, ela argumentou que o preço do bitcoin muda ao sabor de narrativas que estão sempre em transformação, mas é impossível prever qual delas, de fato, vai mover a cripto.

“Sem fluxo de caixa esperado e sem 3.000 anos de correlação com a inflação (estou olhando para você, ouro), não há como precificá-lo. Talvez acabe sendo ouro digital. Talvez tulipas digitais”, escreveu.

Não deu outra. O artigo de Merryn foi duramente criticado em centenas de outros textos. Entre os argumentos, não faltaram os que a classificaram como “velha e antiquada”, assim como Warren.

Para além disso, de quem rechaça a comparação se baseia, principalmente, no tempo em que o bitcoin está no mercado. De acordo com esse raciocínio, as tulipas subiram e ruíram em cerca de três anos – um ciclo curto com apenas um colapso. Já o bitcoin levou uns seis ou sete golpes pesados e mesmo assim voltou a atingir máximas históricas, além de sobreviver por 17 anos.

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