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Diretor do BC diz que não recebeu pressão sobre liquidação do Master
Ailton de Aquino foi ouvido pela Polícia Federal (PF) na investigação que apura suposta fraude de R$ 12 bilhões
atualizado
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Durante o depoimento prestado à Polícia Federal (PF), o diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino, negou que tenha sido alvo de pressões externas durante a análise das operações do Banco Master, liquidado extrajudicialmente após a PF deflagrar a Operação Compliance Zero, que apura uma suposta fraude de R$ 12,2 bilhões na venda de carteiras de créditos do Master para o BRB.
Questionado sobre possíveis interferências externas, Aquino afirmou que conduziu uma “avaliação técnica” e completou: “Não recebi nenhuma pressão, em termos de liquidar ou não liquidar [o Banco Master], de autoridades da República”.
A delegada da PF questiona Vorcaro sobre a procedência dos papéis emitidos pela Tirreno e vendidos ao BRB. O banqueiro responde que estava aguardando que a empresa apresentasse a documentação necessária e conta: “O Banco Central me fez uma comunicação em março, 17 de março, pedindo para que a gente explicasse quais eram esses novos originadores [das carteiras vendidas ao BRB] e o que a gente já tinha feito”.
Na resposta, o Master afirmou que os papéis tinham sido emitidos por “terceiros”. Sobre a continuidade do questionamento, o banqueiro responde: “O Banco Central não pediu para aprofundar oficialmente, mas a gente debateu e as equipes debateram ao longo dos meses todos, não sendo, depois da nossa resposta, emitido nenhum comunicado para o banco para perguntar, para aprofundar, para falar que existia algum erro com relação àquilo”.
Diretor do BC “recomendou” compra do Master pelo BRB
Em outro trecho de seu depoimento, Daniel Vorcaro afirmou que a compra do Master pelo BRB foi “recomendada por diversas autoridades”; entre elas, a “própria fiscalização do Banco Central”, comandada por Ailton de Aquino.
A referência ao diretor de Fiscalização do BC ocorreu em resposta ao seguinte questionamento: “Se o senhor fosse presidente do BRB, tentaria comprar um banco que já lhe havia vendido, mais de uma vez, carteiras de crédito falsas?”.
Vorcaro respondeu: “Eu faria, sim, esse negócio. Aliás, esse negócio foi recomendado por diversas auditorias, pela própria fiscalização do Banco Central, que, naquele momento, até antes de a gente dar entrada, indicava como sendo um bom negócio para o sistema financeiro”.
