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Master não devolveu R$ 12,2 bilhões ao BRB por ter sido “pego de surpresa”, disse Vorcaro. Veja vídeo
Durante acareação, investigadores tentaram entender onde o dinheiro tinha ido parar e o motivo por ele não ter sido devolvido
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Frente a frente com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, durante acareação conduzida pela Polícia Federal (PF), o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou que os R$ 12,2 bilhões pagos pelo BRB por carteiras podres da Tirreno não foi integralmente devolvidos porque a instituição liquidada pelo Banco Central (BC) foi pega “de surpresa” e se tratava de um “volume grande”.
“Entre março e novembro, a gente [Master] deu resgate de quase R$10 bilhões para clientes, para investidores que resgataram do banco, ou seja, o banco estava operacional. O caso da Tirreno, o que aconteceu foi que a gente realmente foi pego de surpresa na questão de um desfazimento no volume grande”, afirmou Vorcaro durante a acareação.
Os investigadores tentavam entender onde foi parar o dinheiro pago pelo BRB, já que Vorcaro afirmou que “não pagou nada” para a Tirreno. Vorcaro afirmou que “nenhum banco tem disponível a liquidez de todas as contas ou todos os investimentos que tem ali de forma imediata”.
A delegada da PF Janaina Palazzo pontuou: “Então, da mesma forma que o senhor não reservou o dinheiro para pagar [a Tirreno], não teria como fazer esse pagamento para o BRB”.
Vorcaro retoma a palavra e afirma: “Até o dia 17 de novembro [véspera da liquidação do Master], a gente honrou todos os pagamentos, todos os resgates do banco. Óbvio, com dificuldade, com planejamento, porque a gente estava vivendo um momento ali de crise de liquidez, mas, sim, a gente, no momento inicial, obviamente, quando a gente ainda estava em tratativa, existia o planejamento da fusão ou da aquisição do BRB que estava adquirindo o Banco Master, mas, independente disso, assim como a gente honrou outros pagamentos e honramos, nesse caso, também com o BRB, por meio da venda de outros ativos, a gente, com certeza, iria honrar”.
Paulo Henrique, então, interrompe para dizer que havia outras formas de “devolver” o dinheiro, como com a troca de ativos, que teria sido parcialmente feita pelo Master. “Você pode dar um ativo em pagamento. Então, em um caso concreto, a devolução do crédito ou a recompra do crédito para o Master, o Master poderia cumprir a obrigação dele de pagamento a Tirreno com a entrega do próprio crédito, sem movimentação financeira”, disse.
De acordo com as investigações, o Master “devolveu” ao BRB cerca de R$ 10 bilhões em ativos. Parte deles, no entanto, seriam de baixa liquidez. Entre eles, como mostrou a coluna, fundos nas Bahamas e Ilha de Jersey, que, depois, se descobriu que não tinham saldo nem liquidez.
Vorcaro ainda disse que o Master e o BRB foram “diligentes” por terem operado a troca como ela foi realizada. “Entra uma questão comercial de se combinar, de se planejar, de se programar ativos. Eu acho que, tanto o Banco Master quanto o BRB foi diligente e conseguiu concluir a troca e a execução e a não concretização do negócio inicial com as carteiras, sem qualquer prejuízo para o BRB”, afirmou. A acareação, então, foi encerrada.
