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Fórmula 1: Master e XP investiram R$ 26 milhões em piloto que nunca correu
Parceria financiou a presença do piloto brasileiro Felipe Drugovich na equipe Aston Martin. Brasileiro não disputou nenhuma corrida oficial
atualizado
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O Banco Master e a XP Investimentos já foram parceiras em um projeto milionário para financiar a presença do piloto brasileiro Felipe Drugovich na Fórmula 1. Com o acordo, o banco de Daniel Vorcaro estampou a asa traseira do carro AMR23, da escuderia Aston Martin (confira imagens na galeria).
O acordo foi anunciado com pompa, em 2023. “A convite da XP nos unimos a Aston Martin F1 Team e ao piloto Felipe Drugovich para trazer o Brasil de volta à Fórmula 1”, diz o texto publicado pelo Master nas redes sociais à época. No entanto, os valores envolvidos na negociação foram mantidos em sigilo.
A Aston Martin também comunicou a parceria. “A chegada do Banco Master aprofunda os laços da equipe AMF1 com o Brasil. A equipe mantém parcerias com duas instituições financeiras brasileiras e opera um programa abrangente de testes de Fórmula 1 para o atual campeão da F2, Felipe Drugovich, que faz parte do Programa de Desenvolvimento de Pilotos da equipe”, diz o texto em inglês publicado na página da escuderia.
O Metrópoles teve acesso ao documento. O contrato, assinado pela escuderia e pela Máxima Patrimonial LTDA — empresa do conglomerado do Banco Master — previa o pagamento de $ 5 milhões — cerca de R$ 26 milhões.
No contrato, é descrita a participação da XP no negócio. “Em 23 de agosto de 2022, a AMF1 [Aston Martin F1 Team] e a XP celebraram um memorando de entendimento juridicamente vinculativo”, diz. Então, são descritos os compromissos celebrados:
- “AMF1 apoiará e desenvolverá Felipe Drugovich com o objetivo de que ele conquiste uma vaga na Fórmula 1, em contrapartida a XP e outras empresas sediadas no Brasil, incluindo a patrocinadora [Banco Master], fornecerão financiamento”;
- “AMF1 nomeará a XP como sua parceira financeira global oficial e não exclusiva”;
- “AMF1 e outras empresas sediadas no Brasil, incluindo o patrocinador [Banco Master] colaborarão para aproveitar a posição da AMF1 como criadora chave de conteúdo de F1, a fim de desenvolver e disseminar conteúdo personalizado para engajar o mercado brasileiro, com o objetivo de maximizar as oportunidades comerciais no Brasil, sujeito à XP e outras empresas sediadas no Brasil, incluindo o Patrocinador [Banco Master], garantirem tais atividades até um limite mutuamente acordado”.
O documento também apresenta imagens mostrando a logo do Master no carro, nos macacões e em outros espaços publicitários da escuderia.
Apesar do contrato milionário, Felipe Drugovich nunca disputou uma corrida oficial da F1. Campeão da Fórmula 2 em 2022, ele atuou como piloto reserva e de testes da Aston Martin de 2023 a 2025. Sem conseguir uma vaga de titular, migrou para a Fórmula E.
Em 2025, assinou contrato com a Andretti para competir, como titular, na temporada 2025-26. No fim do ano passado, disputou o ePrix de São Paulo. Cruzou a linha de chegada em quinto, mas uma punição de cinco segundos o colocou em 12º lugar.
O contrato da Aston Martin com a XP, que seria de “múltiplos anos”, foi encerrado um ano depois, em 2023.
Parceria com CDBs
Como mostrou a coluna, a XP foi a maior distribuidora de CDBs do Master. A instituição financeira captou R$ 26 bilhões dos R$ 41 bilhões alcançados pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) após a liquidação do banco de Daniel Vorcaro.
A movimentação alimentou não só as contas do Master. O banco era conhecido pelos retornos acima do mercado e, também, por oferecer altas comissões para as corretoras.
Fala-se de até 5% do dinheiro investido pelos clientes. Mas, oficialmente, a taxa era de cerca de 2,5%. Em um cenário ou outro, os valores são altos. Considerando a retenção de 5%, o valor arrecadado pela XP é de R$ 1,3 bilhão.
A transação tornou-se alvo de uma ação civil pública que tramita na 6ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. O objetivo do processo, apresentado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor e Trabalhador (Abradecont), é que as corretoras sejam responsabilizadas por publicidade enganosa, além de omitir informações e induzir investidores à compra de CDBs do Master.
De acordo com a ação, as plataformas teriam vendido “um produto com risco considerável, em que foi desconsiderado o rating questionável do emissor, apresentando-o ao investidor como ‘seguro’ e ‘integralmente garantido pelo FGC [Fundo Garantidor de Créditos]’”.
O que diz a XP
Por meio de nota, a XP informou que “diferentemente do que sugere a matéria, o contrato em questão limitou-se exclusivamente a um patrocínio institucional com a equipe Aston Martin, com exposição global da marca XP”. “A partir do anúncio da parceria, outras empresas brasileiras, sem qualquer relação com a XP, optaram por firmar contratos diretamente com a equipe. Encerrado o prazo contratual, a XP decidiu não renovar o patrocínio, em linha única e exclusivamente com sua estratégia de marketing.””













