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Demétrio Vecchioli

Vorcaro priorizou voo de "Barci" no dia e no jato em que Moraes foi filmado

Mensagens interceptadas pela PF mostram o banqueiro pedindo que empresa de aviação priorizasse Barci no uso de Legacy

20/09/2026 10:39
Reprodução
Vorcaro priorizou voo de “Barci” no dia e no jato em que Moraes foi filmado

Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que Daniel Vorcaro foi informado pelo contato “Thatiane Prime”, provavelmente uma funcionária da Prime You, que o avião de prefixo PP-NLR estava agendado para voar para “Barci” no dia 22 de agosto de 2025. O banqueiro alertou: “Não deixe de atender Barci“.

Neste domingo (20/9), a coluna de Lauro Jardim no jornal O Globo publicou um vídeo mostrando duas pessoas, que parecem ser Alexandre de Moraes e sua esposa Viviane Barci de Moraes, descendo de um Legacy 650.

Trata-se do avião de prefixo PP-NLR, exatamente aquele que Vorcaro pediu para que servisse a “Barci” naquele dia.

A conversa começa com Vorcaro pedindo, em 21 de agosto: “Oi. Consegue um avião atarre (sic) em BSB?”. Thatiane pergunta de Brasília para onde. E o banqueiro diz: “Roraima”.

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E aí ela lembra: “Conseguimos atender com o PP-NLR (…). A questão é que no dia 22/07 temos voo de Barci no PP-NLR, decolando o Catarina às 13:00, mas podendo alterar para o PT-PYH, que está com o sr. Joel em Fortaleza”. Catarina é um aeroporto executivo em São Roque (SP), a menos de uma hora de carro do centro de São Paulo.

Vorcaro deixa clara a prioridade:  “Não deixe de atender Barci. Pode manter o dele. Vou ver outra forma“.

No mês de abril, em nota oficial emitida pelo seu gabinete, Moraes declarou que “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece“.

O voo agora registrado em vídeo ocorreu três meses após o escritório de advocacia de Viviane Barci firmar um contrato de R$ 50 milhões com uma empresa do banqueiro, conforme apontam as apurações da PF.

De acordo com os investigadores, este contrato — suplementar a um contrato anterior de R$ 131 milhões com o Banco Master — previa o pagamento de parte dos honorários advocatícios por meio de cotas de utilização de um jato e de um helicóptero. A aeronave envolvida era exatamente o Legacy 650 de prefixo PP-NLR.

Momento crítico

O deslocamento do ministro teria ocorriso em um momento crítico para os negócios do banqueiro. Apenas um mês antes da viagem, o Banco Central já havia emitido um alerta formal ao Ministério Público Federal (MPF), sinalizando fortes indícios da prática de gestão fraudulenta em operações financeiras realizadas entre o BRB e o Banco Master.

Alexandre de Moraes e a defesa do escritório de sua esposa negam terem cometido irregularidades no Caso Master. Ambos sustentam publicamente que o contrato de R$ 50 milhões mencionado pelas investigações jamais existiu ou chegou a ser assinado pelas partes.