Demétrio Vecchioli

Vorcaro deu calote em imóvel que seria entregue a ex-presidente do BRB

Negócio por apartamento em Brasília foi fechado em R$ 4,6 milhões, mas só metade do valor foi pago. Incorporadora não pode vendê-lo

atualizado

metropoles.com

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1 de 1 ennius-muniz - Foto: Divulgação

Uma empresa atribuída a Daniel Vorcaro comprou, mas não pagou, um apartamento em Brasília que, segundo a Polícia Federal, era negociado para ser entregue como propina a Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB.

O apartamento segue pertencendo à incorporadora que o construiu – uma sociedade de propósito específico da Conbral -, que não pode negociá-lo, porém. Isso porque, no mesmo dia em que determinou a prisão de Paulo Henrique Costa, o ministro André Mendonça também decidiu pela indisponibilidade dos imóveis envolvidos no suposto esquema de corrupção.

Trata-se do apartamento 304 do Residencial Ennius Muniz, no setor Noroeste de Brasília, com quatro suítes e igual número de vagas na garagem, em um total de 292 m² de área privativa.

A compra, por R$ 4,6 milhões, foi fechada pela Chesapeake SA, uma sociedade anônima que tem como acionista o fundo Alucard FIP Multiestratégia, o mesmo dono das outras cinco empresas, também SAs, citadas na decisão de Mendonça que mandou prender o ex-presidente do BRB.

Dirigida por Hamilton Suaki, cunhado do advogado Daniel Monteiro, também preso na operação, a Chesapeake pagou um sinal de R$ 2,335 milhões em 31 de janeiro de 2025, mas não a segunda parcela, de igual valor, que vencia em 30 de junho. Mesmo assim, a incorporadora liberou as chaves em agosto.

Em março, a Conbral entrou com ação contra a Chesapeake. Informou à Justiça que envia notificações extrajudiciais à compradora desde novembro e que vem sendo cobrada pela administradora pelo não pagamento do condomínio, que é de mais de R$ 3 mil por mês.

No pedido de liminar, a incorporadora quer a reintegração da posse do apartamento – que nunca deixou de ser dela na matrícula do imóvel – e sugere fazer um depósito judicial de R$ 1,7 milhão (75% do que recebeu), que é o valor previsto em contrato pela rescisão.

Pode ainda que possa dispor livremente do imóvel, podendo colocá-lo à venda ou negociá-lo com terceiros imediatamente após a reintegração, para mitigar os prejuízos financeiros.

Quando a ação foi apresentada, porém, não havia a indisponibilidade do imóvel determinada pela suprema corte. Com isso, mesmo que a Justiça do Distrito Federal conceda a liminar para a reintegração de posse, a incorporadora não poderá vendê-lo a não ser que a decisão de Mendonça seja revista no STF.

Diretor da Chesapeake e das outras cinco empresas criadas para, segundo a PF, comprar os imóveis que seriam repassados a Paulo Henrique Costa, Hamilton Suaki é um médico ortopedista que atende em São Paulo. Ele nunca retornou as tentativas de contato da coluna.

A Conbral e seu presidente também não retornaram. O espaço fica aberto.

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