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Demétrio Vecchioli

SAF quer grama sintética na Rua Javari, templo do futebol raiz

Rua Javari, estádio do Juventus, tem grama natural tombada e SAF do clube quer substituir por gramado sintético

22/11/2025 02:00, atualizado 22/11/2025 09:52
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Ale Vianna /C.A.Juventus
Imagem mostra o gramado e, ao fundo, as arquibancadas de um estádio pequeno de futebol, a Rua Javari

Se dependesse da SAF que agora é responsável pelo futebol do Juventus, o estádio da Rua Javari, templo sagrado do futebol raiz em São Paulo, começararia 2026 com a bola rolando sobre grama sintética. A decisão, porém, não cabe só ao Juventus, já que o gramado do estádio é tombado pelo patrimônio histórico.

A coluna teve acesso ao relatório em que a arquiteta contratada pela Juventus SAF justifica ao Conpresp a necessidade de substituição da boa e velha grama natural pela moderna (e nem sempre tão boa assim) grama artificial. A SAF está mexendo no gramado do estádio, modernizando o sistema de irrigação, deixando o campo plano, e gostaria de já instalar o piso sintético.

“O gramado natural, além de demandar elevados custos de manutenção, apresenta instabilidade física e biológica que interfere diretamente na qualidade esportiva e na segurança dos atletas”, ela escreveu. Já a grama artificial oferece “melhor desempenho, durabilidade e segurança, (…) menor risco de lesões, sustentabilidade ambiental, com redução do consumo de água e eliminação do uso de defensivos agrícolas; e estabilidade”.

Além disso, a arquiteta destacou, o gramado natural é “incompatível com a operação moderna de arenas esportivas
urbanas”, tratando da Rua Javari.

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Jogo na Rua Javari
Rua Javari, estádio do Juventus
Torcida do Juventus na Rua Javari
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Torcida do Juventus na Rua Javari

Jogo na Rua Javari
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Jogo na Rua Javari

Ale Viana/Juventus
Rua Javari, estádio do Juventus
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Rua Javari, estádio do Juventus

Ale Vianna /C.A.Juventus

Diferente do Allianz Parque, por exemplo, o Juventus não pode trocar a grama do estádio por conta própria. Isso porque a resolução de tombamento da Rua Javari pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio
Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) exige especificamente a “preservação da volumetria, dimensões e tipo de forração vegetal” do campo de futebol.

É que o tombamento da Rua Javari, em 2020, não foi só motivado pela arquitetura. Ele considerou também a configuração das praças esportivas do começo do século passado, que define “a forma de torcer e a identificação entre torcedores e Juventus, clube de origem operária”. Daí a necessidade, no tombamento, de preservar a forração vegetal.

O pedido de substituição da grama da Rua Javari foi analisado esta semana pela área técnica do Conpresp, que recomendou a rejeição da prosposta em decisão que cabe aos conselheiros. Paralelamente, a SAF também já entrou com pedido de revisão do tombamento, para retirar a preservação do gramado vegetal.

A SAF do Juventus foi oficializada no fim de outubro, quatro meses depois da aprovação do projeto apresentado pela Contea Capital e pela Reag Holding. Após a Reag ser envolvida na megaoperação da Polícia Federal que mirou os braços do PCC na Faria Lima, a Contea assumiu sozinha o projeto.

Os planos anunciados para o futebol são ambiciosos: acesso da Série A2 do Campeonato Paulista para A1 em 2026, conquista da vaga na Série D de 2027 e acesso direto para a Série C de 2028, até cumprir a profecia do “voltaremos a ser primeiros” (ou seja, chegar à primeira divisão nacional) daqui a 10 anos.

Para a Rua Javari o plano envolve a ampliação da capacidade do estádio de 5 mil para 15 mil torcedores, o que dependeria de aprovação do Conpresp. A ideia é que a nova “arena” possa receber outros tipos de eventos, aumentando o potencial de receitas para a SAF.

Procurada, a Juventus SAF não quis comentar.