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Piscina pública de ondas em SP: secretário anuncia, gestão desconhece
Rogério Lins anunciou piscina pública de ondas em São Paulo como conquista da gestão Nunes, mas prefeitura desconhece obra
atualizado
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O secretário municipal de Esporte de São Paulo, Rogério Lins (Podemos), usou suas redes sociais para anunciar a construção de uma piscina pública de ondas artificiais como uma conquista da gestão Ricardo Nunes (MDB). A prefeitura de São Paulo, porém, desconhece a obra, que não depende dela.
O anúncio foi feito em reels do Instagram no qual Lins circula pela Vila Madalena com uma lycra de surfe, peruca e uma prancha, perguntando onde é possível surfar na cidade de São Paulo. Ao final, ele anuncia a construção de uma piscina pública de ondas no “Campo de Marte”.
“São Paulo terá a primeira piscina pública da ondas. Será no Campo de Marte e você não vai mais precisar descer para o litoral para pegar ondas. É mais uma, para o esporte, da gestão Ricardo Nunes”, afirma o secretário de Esporte no vídeo publicado no Instagram.
A Secretaria de Esporte, porém, não tem qualquer relação com o Parque Campo de Marte. Ele foi concedido pela Secretaria do Verde e Meio-Ambiente, que disse ao Metrópoles que a decisão de fazer ou não a obra é da Concessionária Campo de Marte — dos mesmos donos da concessionária do Pacaembu –, que ainda não apresentou um plano para o parque.
“O contrato de concessão permite a construção de uma piscina com ondas, mas não está prevista nas obrigações do concessionário, ficando a cargo do mesmo essa decisão, como um dos equipamentos esportivos possíveis”, explicou a Secretaria do Verde à coluna. Já a concessinária, quando procurada, não quis comentar.
O contrato assinado entre a Concessionária Campo de Marte e a SVMA lista 18 tipos de equipamentos esportivos que podem ser construídos no futuro parque, cada um com uma pontuação, e o projeto precisa alcançar um mínimo de 42 pontos. Uma piscina de ondas, por exemplo, vale 31 pontos. Uma quadra poliesportiva descoberta, 12.
À coluna, Lins disse que está muito otimista e confiante de que “dará certo”. Questionado se o anúncio da obra foi baseado nesse otimismo, respondeu: “Informação de planejamento e confiança. Eu estou trabalhando pra que dê certo, essa é minha missão”.
Como o Metrópoles já mostrou, Lins tem usado anúncios ligados à prefeitura para promover suas redes sociais pessoais. Ex-prefeito de Osasco por dois mandatos, ele é pré-candidato a deputado nas eleições do ano que vem e costuma sortear inscrições para eventos apoiados pela Secretaria de Esporte em troca de engajamento em suas redes.
Ainda que a área onde será implantado o Parque Campo de Marte seja historicamente um reduto do futebol de várzea, a prefeitura de São Paulo optou que a concessão fosse tocada pela Secretaria do Verde, sem a participação da Secretaria de Esporte, que sequer esteve presente no evento de assinatura do contrato, em janeiro.
A SEME também tem se mantido de fora da discussão sobre o efetivo início da concessão. A Ordem de
Início já foi emitida, mas a concessionária entende que sua eficácia não pode ser considerada válida porque o espaço não está “livre e desempedido”, já que os clubes de várzea seguem ocupando seus campos.
A concessionária e a associação dos clubes do Campo de Marte tentam formalizar acordo para que os times possam continuar jogando em seus campos até os novos serem construídos, mas as duas partes ainda não concordaram com os termos.
