
PF investiga Flávio Bolsonaro por suspeita de lavagem com Willer
Empresa de Willer dona de casa de apostas pagou viagens de Flávio Bolsonaro. Alexandre de Moraes é sorteado relator

O senador Flávio Bolsonaro (PL) é investigado pela Polícia Federal em mais um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Desta vez, por suspeitas de envolvimento com lavagem de dinheiro no âmbito das apurações que envolvem também seu amigo Willer Tomaz.
A investigação foi noticiada pelo Estadão e confirmada pelo Metrópoles. Flávio Bolsonaro, que lidera as pesquisas a uma semana do segundo turno presidencial, já era investigado por ter negociado a remessa de mais de R$ 60 milhões ao exterior, a pedido dele, pelo banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso em Brasília.
Essa nova investigação nasceu de provas colhidas pela PF no Rio Grande do Sul, em um inquérito relativo a pagamento digital e setor de apostas. Ainda segundo o jornal, a PF diz ter identificado “elementos indicativos de vínculo de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto”.
A coluna tem documentos que comprovam esse vínculo. Willer informou à Receita Federal, em sua declaração de Imposto de Renda de 2024, ser detentor de 24% do capital social da Cathedral Holdings, uma offshore na Ilha da Madeira, em Portugal. Esta empresa é a única sócia da Rede Loto Ltda, primeira empresa a adquirir licença para operar no setor de apostas no Rio de Janeiro – e, consequentemente, no Brasil.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA Cathedral é uma espécie de empresa “irmã” da Alzacar Holdings, também registrada por Willer na Ilha da Madeira e também administrada por Mateo Scudeler. A Alzacar é a empresa cuja conta corrente no Santander tinha Flávio Bolsonaro como “usuário master”, conforme revelou O Globo – Fayla Zulmira Menezes, que pediu ao banco a desassociação, também tinha e-mail coorporativo na Cathedral.
As duas empresas pagaram despesas do senador Flávio Bolsonaro, conforme a PF identificou em documentos obtidos durante busca e apreensão contra Willer, no âmbito da Operação Sem Desconto – o advogado é investigado como “hub financeiro” do senador Weverton Rocha (PDT).
Documentos publicados pela Folha mostram que a Cathedral pagou três voos de Flávio Bolsonaro entre a França e Portugal em 2025. Enquanto o próprio senador voou em “avião do Willer” quando viajou dos EUA ao Brasil no Legacy 650 que também pertencia a Daniel Vorcaro. A cota do advogado na aeronave está em nome da Alzacar.
Também são sócios formais da Cathedral a irmã e a esposa de Willer, além de Jorge Roberto Dias. Por conta dos vínculos entre Willer e Flávio Bolsonaro, que é senador e tem foro privilegiado, o caso foi remetido ao Supremo, onde teve o ministro Alexandre de Moraes sorteado como relator.
“Durante as análises, foram identificados diversos elementos que evidenciam uma relação de proximidade entre Willer e Flávio Bolsonaro. Entre os registros localizados, constam referências a festas, encontros e reuniões envolvendo ambos, além de documentos de natureza pessoal vinculados a Flávio encontrados no iCloud de Willer”, diz a PF, segundo o Estadão.
A investigação também passa pela intensa movimentação financeira entre Willer e a casa de apostas Blaze, revelada pelo Metrópoles. A PF menciona que uma das contas bancárias do advogado movimento cerca de R$ 130 milhões entre março e maio de 2025.
No total, como contou a coluna, Willer movimentou R$ 10 bilhões em apostas só na Blaze em 2025. Em um único dia ele fazia milhões em depósitos na bet, em tese concorrente da casa de apostas dele. No dia 10 de abril, por exemplo, fez cinco depósitos de R$ 1 milhão em um espaço de uma hora em um fim de tarde.
De acordo com o UOL, a PF investiga essas transações. A suspeita é de que Willer seja sócio oculto da Blaze, segundo o site.
A coluna procurou as assessorias de imprensa de Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, mas não teve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
