Demétrio Vecchioli

Nunes quer blocos empreendedores, mas bancava o de amigos com emendas

Prefeito citou como exemplo de empreendedorismo bloco que terá carro de som pago por líder do partido dele

atualizado

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Imagem mostra ritmista do bloco Atrás do Copo com camisa do bloco e propaganda do vereador Marcelo Messias na manga
1 de 1 Imagem mostra ritmista do bloco Atrás do Copo com camisa do bloco e propaganda do vereador Marcelo Messias na manga - Foto: Reprodução/Instagram

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), cobra que os blocos que desejem desfilar no carnaval de rua deste ano parem de se acomodar no dinheiro público e busquem apoio da iniciativa privada. Em entrevista coletiva, citou como exemplo de sucesso o bloco que frequenta desde antes de entrar para a política, o Atrás do Copo, que desfila no bairro Veleiros, na zona sul.

A coluna conversou com o presidente do bloco, que revelou que o Atrás do Copo só vai sair este ano porque o líder do partido de Nunes na Câmara Municipal, Marcelo Messias (MDB), vai bancar o trio elétrico. Em anos anteriores, o desfile só foi possível porque primeiro Nunes, depois Messias, enviavam emendas para pagar pela infraestrutura necessária, incluindo o sistema de som.

A prefeitura de São Paulo incentiva que as pessoas tenham sempre o seu despertar de empreendedorismo. Ficar acomodado, querendo tudo do governo, não é por aí. Cada um também tem que ter a sua parte de buscar o patrocínio“, afirmou Nunes em entrevista coletiva nesta sexta-feira (30/1).

De acordo com o presidente do bloco que desfila em torno do CDC Veleiros para não mais do que 2 mil foliões — e que pediu para não ser nominado — , o Atrás do Copo até pede patrocínio de comerciantes da região, mas o dinheiro é insuficiente. “A gente pede ajuda, mas a maioria é bancado por nós mesmos, pessoal da diretoria. E pelo vereador que dá essa ajuda, consegue liberações, parte da segurança, ambulância, banheiros químicos, tudo junto à SPTuris“.

Nesta terça, Nunes rebateu críticas que tem recebido de grandes blocos do centro, que dizem não ter dinheiro para desfilar e reclamam que o fomento de R$ 25 mil oferecido para prefeitura a 100 blocos é insuficiente. O montante total, R$ 2,5 milhões, não tem correção sequer pela inflação desde 2024.

“Quem criou esse fomento foi eu, não existia. Aumentar não vai aumentar, vai ser isso, para o ano que vem também. Cada um também tem que ir buscar patrocínio, buscar marcas, fazer com que a divulgação do seu bloco seja vista como oportunidade. Eu tenho um bloco que participo, sempre fui, desde antes de entrar na política, o Atrás do Copo. O que fazia: vai no comércio local, comércio local participa“, afirmou o prefeito.

O próprio Nunes foi quem, no ano em que se elegeu vereador pela primeira vez, comprou os instrumentos para a criação do Atrás do Copo, em 2012. Depois disso, passou a ajudar o bloco com emendas, de acordo com o presidente do grupo. “Eu pedia a estrutura. Ia no gabinete dele [Nunes] e ele dava palco, som, iluminação, gradil, tenda. A gente nunca recebeu dinheiro público diretamente, a emenda vinha para o local onde acontecia. Acho que pagavam uma empresa terceirizada, que trazia a estrutura para cá”, conta. O abadá do bloco levava a inscrição “RN”, iniciais de Ricardo Nunes.

Após Nunes se eleger vice-prefeito, em 2020, o mecenas do bloco passou a ser Marcelo Messias, hoje líder do MDB na Câmara e espécie de herdeiro da influência do hoje prefeito na região. Até 2024, foi Messias quem destinou emendas para o Atrás do Copo. Mas, no ano passado, a prefeitura passou a vetar a execução de emendas de eventos durante o carnaval, concentrando as iniciativas na SPTuris, empresa municipal de turismo.

R$ 62 mil para colocar um bloco na rua

A solução encontrada por outro bloco do bairro, o Bloco Reciclar, que tem ritmistas do Atrás do Copo, foi realizar um evento carnavalesco na semana seguinte ao pós-carnaval — logo, fora do período oficial. Em 2025, o evento contou com faixa agradecendo aos apoios de Messias e de Nunes.

Neste ano, o bloco do bairro de Nunes receberá aporte de R$ 62 mil da SPTuris. Questionada, a prefeitura não explicou por que o evento faz parte do planejamento turístico da cidade, nem como se dará o investimento.

O repasse dá a dimensão do custo de se colocar um bloco na rua, mais do que o dobro do valor oferecido pela prefeitura a 100 blocos via edital. O próprio Atrás do Copo nunca conseguiu a verba oficial, porque não tem toda a documentação cobrada pela prefeitura. “Tem blocos que correm sozinho, bloco que nem precisa, já tem um público de 25 mil, 30 mil, mas para a gente seria ideal conseguir esse fomento”, reconhece o presidente do Atrás do Copo.

À coluna, questionado sobre os fatos trazidos na reportagem, Nunes disse que é possível viabilizar blocos só com dinheiro privado citando grandes blocos que desfilam com artistas famosos.

“O maior exemplo de que é possível blocos buscarem patrocínios e se viabilizarem é o que já acontece no Carnaval de Rua há alguns anos na cidade com blocos trazendo, inclusive, grandes artistas. Eu não disse que eles devem parar de depender do Poder Público, até porque não dependem, fazem os desfiles com recursos próprios ou de patrocinadores, como citei na coletiva, inclusive informando que nenhum artista é pago pela Prefeitura, mas sim viabilizados pelos blocos.”

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