Nunes escalou subprefeitos para coordenar ato de Flávio na Paulista
Funcionários da prefeitura de São Paulo reclamam de coação para participarem de manifestação partidária

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), escalou todos os subprefeitos da cidade para atuarem no ato de campanha de Flávio Bolsonaro (PL) na Avenida Paulista, neste domingo (18/10). Alguns deles só pediram votos para o candidato do PL pela primeira vez nas redes sociais durante uma reunião com o prefeito, um dia antes.
Ao longo da semana, funcionários comissionados da prefeitura foram orientados a participarem deste “Encontro com Ricardo Nunes” no antigo comitê de campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos), na Avenida Brasil.
Ali foi apresentado o detalhamento da responsabilidade de cada um no ato de Flávio. Além de gravarem vídeos para as redes sociais chamando para o comício, os subprefeitos receberam a incumbência de se responsabilizarem pela organização de cada quarteirão da Avenida Paulista entre as ruas Augusta e Pamplona.
O quarteirão entre a Augusta e a Padre João Manoel, por exemplo, era de responsabilidade dos subprefeitos da região leste da cidade, sob a coordenação de Rafael Limonta, subprefeito de Itaquera. O seguinte, pelo coronel Valmor Racorti, ex-comandante do Batalhão de Choque, hoje subprefeito da Mooca.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesOutro coronel, Marcus Vinícius Valério, subprefeito da Sé, responsável pela fiscalização do evento por parte do poder público, estava escalado também para trabalhar no ato como militante. Ele cuidou da mobilização no quarteirão entre a Ministro Rocha e a Peixoto Gomide. Vide print abaixo.

Em frente ao Masp, a responsabilidade de mobilização era da ex-Masterchef e atual subprefeita da Freguesia do Ó, Ana Paula Calvo, que só aderiu ao bolsonarismo nas redes sociais na véspera do ato. Quatro anos atrás, ela estava contra o bolsonarismo e a favor de pautas ligadas à esquerda.
Outra neobolsonarista que organizando ato de Flávio Bolsonaro é Flávia Santos, subprefeita do M’Boi Mirim. Quatro anos depois comentar o 8 de janeiro postando que “na mão de preto, guarda-chuva é fuzil, mas violência na mão de branco é patriotismo”, no sábado a indicada de Milton Leite à prefeitura pela primeira vez pediu voto para Flávio, em vídeo com Nunes.
Áudio publicado pelo ICL, que teria sido gravado durante o encontro de sábado, mostra Nunes orientando os comissionados a participarem da mobilização partidária. “Se puder estar todo mundo lá. Se puderem postar nas redes sociais convidando as pessoas a estarem lá amanhã [domingo], criar a lista de transmissão no WhatsApp, todo o mundo tem a lista de transmissão aqui, fazer a lista de transmissão, ir para a rua nesses últimos dias para falar com todo o mundo. Enfim, todo o mundo aqui é craque e sabe”, diz o prefeito na gravação.
Após a divulgação do áudio, a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) disse que estava acionando o Ministério Público Eleitoral pra apurar o caso. “Se for confirmado, o nome disso é crime eleitoral”, ela escreveu nas redes sociais.
A coluna procurou a Secretaria de Comunicação da prefeitura de São Paulo, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

