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Notas mostram que Flávio atuou de graça na defesa de réus por homicídio

Senador Flávio Bolsonaro (PL) atua na defesa de quatro policias acusados pelo homicídio de quatro moradores da comunidade do Vidigal, no Rio

23/10/2026 17:28, atualizado 23/10/2026 17:32
Flávio Bolsonaro com o relógio de seu pai, Jair Bolsonaro, durante sabatina do Jornal Nacional
Notas mostram que Flávio atuou de graça na defesa de réus por homicídio

O conjunto de notas fiscais emitidas pelo escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL) mostra que ele atuou de graça (pro bono) na defesa de quatro policiais militares (PMs) acusados pelo homicídio de quatro moradores da comunidade do Vidigal, na zona sul do Rio de Janeiro, em meio a uma operação deflagrada em janeiro de 2020.

Revelada pelo Metrópoles, a procuração para Flávio foi assinada em 2024 pelo advogado Paulo Klein, que defendeu Fabrício Queiroz no caso da rachadinha, em que o senador e seu ex-assessor foram denunciados por desvios de R$ 6 milhões em salários de servidores no gabinete dele na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Os policiais haviam sido pronunciados a júri popular pela Justiça do Rio, mas, no Tribunal de Justiça, conseguiram reverter a pronúncia, o que, na prática, livraria os policiais do processo.

Como mostrou a coluna, o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro (PL) emitiu R$ 13,7 milhões em notas fiscais entre janeiro de 2023 e julho deste ano, enquanto exercia mandato de senador. As notas não detalham os serviços prestados, mas o conjunto delas permite identificar quem foram os contratantes do senador: outros escritórios de advocacia (Nilo & Almeida, Otto Medeiros, D.B. Tesser, Leonardo Amarante), empresas (Simas Industrial, Contabil Correa e outros) e uma pessoa física: Marcos Antonio Grecco.

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A ausência de pagamento demonstra que Flávio atuou de graça para Paulo Klein tanto na defesa dos quatro policiais quanto no polêmico em que ele defende o policial que matou a criança Ana Clara Gomes Machado, como apontou o UOL.

Ana Clara, de cinco anos, foi morta quando brincava na porta de casa, em Niterói, por tiros de fuzil. Flávio faz parte da banca que defende o cabo da PM Bruno Dias Delaroli, acusado de atirar. O registro da atuação do senador aparece no no acórdão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que rejeitou um recurso da defesa para tirar o policial do júri popular.

Durante o debate da Band, no domingo, Flávio defendeu sua atuação como advogado após ser provocado por Lula (PT) a respeito do caso Ana clara: “Você não pode criminalizar a advocacia, Lula. Nem teve julgamento e você já condenou o cara.”

A coluna procurou a campanha de Flávio Bolsonaro, mas não teve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.