
Ana Clara: entenda caso citado por Lula a Flávio sobre menina morta por PM
Morte da criança em Niterói voltou ao centro do debate após Lula cobrar explicações de Flávio no debate da Band

Morta durante uma ação da Polícia Militar no Rio de Janeiro, o caso da menina Ana Clara Gomes, de 5 anos, voltou a ganhar repercussão nacional após o debate presidencial entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite deste domingo (18/10), na TV Band.
Durante o confronto — o primeiro entre os dois presidenciáveis, que não se enfretaram no primeiro turno –, Lula cobrou explicações de Flávio sobre o assunto. Isso porque o senador atuou como advogado do cabo Bruno Dias Delaroli, integrante do 12º Batalhão de Polícia Militar, acusado de matar a menina com um tiro de fuzil em Niterói, na Região Metropolitana do Rio.
Frente a frente, Lula acusou Flávio, que também é advogado, de ter assinado um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar impedir que o policial fosse levado a júri popular. “Você era senador da República e foi interferir para que o policial que matou uma criança de 5 anos com uma bala de fuzil não fosse preso. Me explica por que você fez isso?”, questionou Lula.
Flávo, por sua vez, não respondeu diretamente e disse que não se deveria criminalizar a advocacia. “Você não pode criminalizar a advocacia, Lula. Nem teve julgamento, você já condenou o cara”.
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O assunto havia voltado à tona neste mês, após a série Revelando (que divulga documentários no YouTube) indicar a atuação de Flávio na defesa do policial. Desde então, a campanha do petista passou a explorar o episódio, confrontando a atuação do senador com o discurso dele sobre segurança pública.
O que aconteceu com Ana Clara
- A menina morreu em 2 de fevereiro de 2021, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói. Ela tinha acabado de acordar e brincava na porta de casa com o irmão, de 2 anos, quando foi atingida.
- No momento, ocorria uma ação policial na comunidade. De acordo com a denuncia do Ministério Público do Rio (MPRJ), o disparo fatal partiu do fuzil do cabo Bruno Dias Delaroli.
- Para o órgão, o policial atirou em direção a uma área residencial durante o patrulhamento e assumiu o risco de atingir moradores. Testemunhas teriam alertado os militares sobre a presença de famílias no local. Entrentato, os tiros continuaram.
- À época, a defesa do PM alegou que houve confronto com criminosos armados naquele momento. A investigação, porém, contestou a versão. Isso porque a perícia encontrou apenas vestígios de munição calibre 7,62 compatível com o fuzil do policial, e não achou cápsulas de pistola que comprovassem troca de tiros.
- Depois disso, Delaroli foi preso em flagrante, mas responde em liberade desde novembro de 2021, com medidas cautelares.
Atuação de Flávio como advogado
Em 2024, três anos após a morte, Flávio Bolsonaro passou a integrar oficialmente a defesa do policial.
Na condição de advogado, assinou recurso no STJ para tentar evitar que o caso fosse julgado pelo Tribunal do Júri, responsável por crimes dolosos contra a vida.
O STJ negou o pedido e manteve o júri popular. As movimentações da defesa, no entanto, ajudaram a prolongar o processo.
Mais de cinco anos depois da morte, o julgamento ainda não ocorreu. O caso de Ana Clara Gomes Machado não tem uma data definida para o julgamento popular, e o policial responde ao processo criminal em liberdade.




