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Demétrio Vecchioli

Mais um vereador de São Paulo é investigado por vínculo com o PCC

Guilherme Corrêa é apadrinhado por Milton Leite e dono de empresa de ônibus. Ele nega as acusações

18/09/2026 15:25, atualizado 18/09/2026 15:51
Divulgação Câmara dos Vereadores de São Paulo
Mais um vereador de São Paulo é investigado por vínculo com o PCC

O vereador paulistano Guilherme Corrêa (União) também estava entre os alvos do pedido de busca e apreensão feito pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que deu origem à operação Vectura Corrupta, deflagrada na quinta-feira (18/9).

A investigação aponta que uma empresa de ônibus da qual o vereador é sócio tem ligação com o PCC, mas o juiz relator Sérgio Ribas só autorizou a busca e apreensão nos endereços ligados às 13 pessoas que tiveram a prisão temporária decretada. Entre eles, o ex-vereador Milton Leite (União), que é padrinho político de Guilherme Corrêa e está foragido.

Empresário que se apresenta como líder comunitário, Corrêa chegou à Câmara Municipal de São Paulo graças a um movimento articulado pelo próprio Milton Leite: de uma só vez, em julho, os três vereadores do partido – todos ligados ao ex-presidente da Câmara – se licenciaram, abrindo espaço para o terceiro suplente.

Silvão e Silvinho Leite, que foram assessores de Milton Leite e declaradamente representam os interesses do grupo político dele na Câmara, se licenciaram por 31 dias, entre 06 de julho e 05 de agosto. Depois, renovaram o pedido até 9 de outubro, para “tratar de assuntos de interesse pessoal”.

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Os dois trabalham ativamente nas campanhas dos filhos de Milton Leite, Alexandre Leite (é deputado federal e concorre a estadual) e Milton Leite Filho (é estadual e concorre a federal), e já haviam sido determinantes para que Guilherme Corrêa chegasse à terceira suplência, doando cada um R$ 350 mil para a campanha do adversário – que gastou de forma incomum, contratando exclusivamente material de propaganda e mais de 700 cabos eleitorais.

Licenças na Câmara fazem de dono de empresa de ônibus vereador

Com a licença deles e da pastora Sandra Alves, que também é próxima a Milton Leite e concorre a deputada federal, o União abriu vaga na Câmara para seus três primeiros suplentes: os experientes Eli Corrêa e Adilson Amadeu, e o novato Guilherme Corrêa.

Líder de um movimento social chamado “Salve Periférico”, Corrêa tem seu reduto político na zona norte, principalmente no Tucuruvi. Enquanto empresário, é sócio da Norte Buss Transportes Ltda, informação que ele inclusive fez constar em sua declaração de bens à Justiça Eleitoral quando se candidatou em 2022. À Junta Comercial, a empresa informa que tem seis sócios com cotas iguais e Corrêa é um deles, mas os dados não são atualizados desde 2015.

A Norte Buss faz parte do Consórcio Transnoroeste, um dos maiores da cidade, com dois lotes do grupo local de distribuição, que tem linhas dentro dos bairros. Entre as regiões norte e noroeste da cidade, a Norte Buss tem mais de 80 linhas, segundo seu site.

A investigação da Polícia Civil aponta a Norte Bus entre as 12 empresas listadas entre as “vinculadas à organização criminosa”. Os investigadores lembram que a empresa antes se chamava Transcooper e, por volta de 2015/2016, também já teve vínculo com o PCC.

Por isso um apartamento do vereador no Jardim São Paulo, na zona norte, estava entre os 66 locais com pedido de busca e apreensão apresentado pelo Gaeco. A Justiça, contudo, só autorizou a ida dos policiais aos endereços das 13 pessoas que tiveram mandado de prisão expedido. Não há citação, na investigação, ao fato de Guilherme Corrêa ser vereador empossado.

Ele, que faz campanha para os filhos de Milton Leite e teve o apoio do ex-vereador em 2024, postou uma nota em suas redes sociais, na quinta, pedindo a individualização das responsabilidade. Guilherme Corrêa também defendeu o legado de Milton Leite e não citou que é investigado.

“Tenho uma relação histórica com o transporte público de São Paulo. Durante os anos em que estive à frente do movimento pela regularização do transporte, acompanhei de perto as dificuldades enfrentadas por milhares de trabalhadores e operadores oriundos das antigas cooperativas. Por isso, considero fundamental que qualquer investigação individualize responsabilidades e preserve aqueles que não tenham participação em eventuais irregularidades. O crime é pessoal e assim deve ser tratado. Não é correto transformar uma investigação sobre determinadas pessoas e empresas em condenação antecipada de toda uma categoria, formada, em sua grande maioria, por trabalhadores”, escreveu.

À coluna, disse em nota que “nega qualquer relação com as acusações mencionadas e informo que não faço parte do quadro societário da empresa Norte Buss Transporte SA.”.