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Igrejas dividem SP em dois para organizar votos e eleger mais deputados

Igrejas evangélicas lançam candidatos diferentes na capital e no interior para dobrar deputados eleitos sem precisar ampliar votação

10/09/2026 02:00
Reprodução/Instagram
Igrejas dividem SP em dois para organizar votos e eleger mais deputados

Duas das maiores denominações evangélicas do país traçaram planos para aumentar a representatividade delas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) sem necessariamente ampliar as votações entre seus fieis. A Assembleia de Deus do Brás, que hoje tem um federal e um estadual, quer dobrar o número de eleitos. A Igreja do Evangelho Quadrangular quer renovar o seu federal em São Paulo e fazer dois estaduais. Todos concorrem pelo PL.

Para isso ser possível, as duas denominações, que nas eleições de 2022 elegeram seus representantes com folga, organizaram seus templos pelo estado de forma que aqueles da capital e da Grande São Paulo votem em um candidato e, os do interior, em outro. A ideia é que, se os votos consolidados entre os fieis são suficientes para eleger dois deputados ao invés de um, por que abrir mão dessa possibilidade? O risco óbvio é a votação cair e nenhum dos dois entrar.

Atrás desse objetivo, o Bispo Samuel Ferreira, líder da Assembleia de Deus do Brás, lançou duas dobradas representando a igreja ligada ao Ministério de Madureira, todos devidamente identificados. Já com mandato, Cezinha de Madureira e Oseias de Madureira são os candidatos das congregações na capital e na Grande São Paulo. Rogério de Madureira e Elias de Madureira, dos templos do interior.

Por trás do plano, pelo que apurou a coluna, está uma relação ambígua com Cezinha, que está em segundo mandato para deputado federal e vem dando inícios de que pretende bater asas para voar sozinho, independente da AD Brás. Samuel Ferreira quer eleger Rogério de Madureira para garantir que a denominação siga representada em Brasília ao mesmo tempo que um rompimento público com Cezinha não seria bom de nenhum dos lados agora.

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No fim de agosto, no rádio, o líder da Assembleia de Madureira fez um desabafo: “Se eu pudesse eu não pedia voto para nenhuma pessoa. Infelizmente eu não posso. Tem muita coisa que não faço porque quero, faço porque sou obrigado. Porque política te faz perder amigos, companheiros, te faz ficar triste. Você perde pastores, perde filhos, pessoas loucas para serem reeleitas”, afirmou.

A AD Brás tem um histórico de romper com os pastores eleitos. José Bittencourt representou a denominação na Alesp entre 2002 e 2010, quando os Ferreira escolheram Dilmo dos Santos como candidato da igreja. A relação durou pouco e, em 2014, o candidato já foi Cezinha, promovido a federal em 2018. Naquela eleição, a AD Brás lançou “Alex de Madureira”, que rompeu com o Bispo Samuel já em 2019 e agora é só “Alex Madureira” (ainda que este não seja seu sobrenome) e se reelegeu como municipalista, representando a região de Piracicaba.

Durante todo esse período, a votação dos candidatos de Madureira cresceu ano a ano e, nas duas ocasiões em que houve dobrada, o mapa de votação para estadual e federal foi bastante semelhante – um indicativo de que a orientação da igreja tem sido efetiva. A proposta, contudo, envolve uma boa dose de ousadia. Divididos ao meio, os 140 mil votos recebidos pelos candidatos de Madureira até tendem a eleger dois estaduais, mas não necessariamente serão suficientes para fazer dois federais. Há o risco de não eleger nenhum.

Igrejas evangélicas do estado têm seus candidatos

A Igreja do Evangelho Quadrangular resolveu não arriscar tanto. Pela sétima eleição seguida, a denominação apoia exclusivamente o pastor Jefferson Campos para federal, mas desta vez tem dois candidatos à Alesp: o pastor Lucas Flores como nome para os fieis da capital e da Grande São Paulo e Suéli Gonçalves, sobrinha de Campos, como escolha para o interior.

O cálculo é que, se a Quadrangular conseguir dividir ao meio os 180 mil votos que o pastor Carlos Cezar teve em 2022, a denominação fará dois deputados estaduais tranquilamente – Cezar não concorre este ano, depois de deixar o mandato no ano passado para se tornar conselheiro do TCE.

Como já mostrou a coluna, a Igreja Internacional da Graça de Deus, do pastor RR Soares, lançou cinco filhos do seu líder como candidatos este ano, com dobradas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Irmã dele, Edna Macedo (Republicanos) é irmã do bispo Edir Macedo e tenta renovar seu mandato na Alesp representando a Igreja Universal do Reino de Deus, que tem dois deputados federais por São Paulo, candidatos à reeleição: o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e Maria Rosas (Republicanos)

O presidente do Ministério do Belém da Assembleia de Deus, José Wellington, também faz campanha pela filha, a deputada estadual Marta Costa (PSD), em dobrada com Paulo Freire (PL). O pastor Valdomiro Santiago, líder e fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus, também tem sua dupla: o deputado estadual Rodrigo Moraes (PL), que tenta o quinto mandato, e o deputado federal José Olímpio (PL), que está em terceiro mandato não consecutivo. Já a Renascer não tem nenhum candidato que a represente institucionalmente e apoia o deputado estadual Eduardo Nóbrega (MDB), que é membro da igreja.