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Demétrio Vecchioli

Governo suspende registro de posse de ilhas de Willer Tomaz em Angra

Decisão inclui mansão reclamada pelo atacante Richarlison, que advogado conseguiu registrar em tempo recorde na SPU durante gestão Bolsonaro

06/11/2026 19:04, atualizado 06/11/2026 19:10
Reprodução
Governo suspende registro de posse de ilhas de Willer Tomaz em Angra

A Secretaria de Patrimônio da União (SPU) decidiu suspender, de forma temporária, o registro de quatro imóveis litorâneos de Angra dos Reis (RJ) cuja posse pertence a uma empresa do advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal pela suspeita de uso de apostas esportivas para lavagem de dinheiro. Ele deixou o país estaria morando nos Estados Unidos.

Um desses imóveis virou assunto nacional depois que o Metrópoles revelou que o atacante Richarlison acusa Willer de tê-lo “tomado” dele. O jogador comprou a casa de um posseiro, que tentava regular a posse junto à SPU, e já havia reformado a mansão quando o advogado conseguiu que os sucessores de uma empresa inativa de Santos, que tinha formalmente a posse a havia abandonado o imóvel há várias décadas. Em poucas horas, na gestão Jair Bolsonaro (PL), o amigo de Flávio Bolsonaro (PL) conseguiu que a SPU reconhecesse a posse dele.

Terrenos localizados ao longo da costa marítima, incluindo ilhas, podem pertencer à União, que permite a ocupação por terceiros. Esse direito pode ser transferido a outras pessoas, mas cabe à SPU reconhecer, regularizar e gerenciar essas ocupações.

Em outubro, com o caso voltando à tona, a deputada federal Tábata Amaral (PSB-SP) questionou a SPU sobre a validade da regularização da cadeia cadastral de ocupação e solicitou a adoção de medidas administrativas e o acionamento de outros órgãos competentes pela SPU. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) e a organização Quebrando Muros também já haviam feito solicitações semelhantes.

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Na terça-feira, após esta coluna revelar que a mansão reclamada por Richarlison havia tido a matrícula bloqueada por decisão do ministro Alexandre de Moraes, a SPU descobriu que também houve averbação nas matrículas de outros três imóveis, que indicam a indisponibilidade dos bens da WT Administração de Imóveis e Bens, que concentra os bens de Willer.

Após isso, a SPU decidiu suspender os registros de posse, como noticiou primeiro o jornal O Globo. “Nesse sentido, pelo princípio da cautela, avalia-se pertinente a suspensão temporária dos imóveis em questão no SIAPA – o sistema de informação para gestão de imóveis dominiais da União – de modo a restringir a transferência de posse e evitar a extensão desse caso a outras partes”, determinou o diretor de Gestão e Governança da SPU, Douglas Gualberto Carneiro.