Estações de metrô atrasadas devem custar R$ 20 milhões ao mês a São Paulo
Duas estações da Linha 6 - Laranja deveriam ter sido entregues em outubro. Ainda não há prazo para inauguração

O atraso na entrega de duas estações da Linha 6-Laranja do Metrô, a Brasilândia e a Itaberaba-Hospital Vila Penteado, além de afetar a população, deve custar R$ 20 milhões por mês aos cofres do estado de São Paulo.
A indenização à concessionária Linha Uni por estação fechada e os valores correspondentes fazem parte do acordo de reconhecimento de desequilíbrio econômico-financeiro do contrato, datado de dezembro do ano passado e revelado em primeira mão pelo Metrópoles.
Como o aditivo ainda não foi assinado, há brecha para a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), agência reguladora, revisar os termos pactuados e incluir fatos novos no estudo de reequilíbrio econômico-financeiro. O que a coluna apresenta aqui são os valores já acordados entre o estado, por meio da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), e a concessionária encabeçada pela Acciona.
A Linha 6-Laranja deveria ter sido entregue em outubro do ano passado, mas a obra atrasou, segundo a Acciona, por conta de um “risco geotecnológico” identificado na região da estação Higienópolis-Mackenzie, no centro da capital. Quando um imprevisto desse tipo acontece, cabe ao estado cobrir os custos extras.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA Acciona propôs, então, um “cronograma acelerado”, pelo qual o estado aceitou pagar R$ 3,69 bilhões extras, entre indenizações e custos diretos das obras físicas de aceleração para reduzir o atraso. Com isso, um trecho seria entregue em outubro de 2026 e o outro, em outubro de 2027.
A lógica de “acelerar” os trabalhos é que, quanto menor o atraso no início da operação, menor será o período em que a concessionária ficará sem receitas e, consequentemente, menor será o valor que o estado terá de pagar em indenizações para cobrir esse rombo. Operação atrasada é sinônimo de custo extra para o estado.
Esse mecanismo de compensação foi solicitado pela Acciona no processo de reequilíbrio econômico-financeiro e reconhecido pela Artesp em dezembro. Ele prevê dois tipos de pagamentos mensais: a “Parcela A” e a “Parcela B”, referentes a cada estação sem operação comercial a partir de outubro de 2025.
O valor mais alto é o da “Parcela B”: uma contraprestação mensal devida pelo estado, de cerca de R$ 50 milhões (em valores de outubro de 2013), paga proporcionalmente ao número de estações ainda fechadas. Em valores atuais, a indenização devida pelo estado à concessionária pela frustração de receitas em duas estações chega a R$ 15 milhões.
Já a Parcela A prevê indenização pela perda de receita tarifária, inicialmente calculada em cerca de R$ 1,3 milhão por mês (em valores de 2013) para cada estação não disponível a partir de outubro de 2025. Para as duas estações, são mais de R$ 5,5 milhões mensais em valores atuais, já reajustados. O montante definitivo, porém, só será conhecido depois que a linha começar a operar, quando o cálculo deixará de ser baseado em receitas projetadas.
Embora o cronograma pactuado entre o estado e a Acciona previsse a entrega das oito estações do trecho norte em outubro de 2026, a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) conseguiu antecipar a inauguração de seis delas, entre a Freguesia do Ó e a Pompéia, para junho, a tempo de o governador, então pré-candidato à reeleição, participar da cerimônia.
Em quatro meses de operação assistida (sem cobrança de tarifa e com cinco horas de funcionamento diário), foram transportados 110 mil passageiros, segundo o estado. Isso representa uma média de 1,2 mil pessoas por dia. O número é baixo não apenas por causa do horário reduzido (das 10h às 15h), mas também porque a linha ainda não se conecta a terminais de ônibus e nenhuma das estações abertas funciona como polo gerador de tráfego.
Esse papel caberia principalmente à estação Brasilândia, cuja inauguração deveria ter ocorrido até o mês passado, mas não aconteceu. A outra estação atrasada é a vizinha Itaberaba-Hospital Vila Penteado. De acordo com a Artesp, elas têm, respectivamente, 96,3% e 87,7% das obras concluídas.
O governo do estado não respondeu sobre a previsão de inauguração das duas estações, o início da operação comercial da linha nem a entrega do ramal sul, que vai da Pompéia até a estação São Joaquim, com conexão às linhas Azul e Amarela. O cronograma pactuado com a Acciona prevê que esse trecho seja inaugurado até outubro do ano que vem.
O que dizem os envolvidos
Procurada, a Acciona não respondeu.
Já a Artesp e a SPI enviaram a seguinte nota conjunta:
“A ARTESP informa que a Linha 6-Laranja está na fase de operação assistida, que corresponde à Fase I da concessão. Trata-se de uma etapa de transição, em que o serviço nas seis estações entregues antecipadamente em julho passa por testes operacionais, sem que tenha sido iniciada a operação comercial. Conforme previsto em contrato, a contraprestação mensal está vinculada ao início da operação comercial, marco que ainda não foi alcançado. Portanto, a disponibilização do serviço à população durante a operação assistida não implica o início da obrigação de pagamento dos valores à concessionária.
E, de acordo com a Deliberação do dia 19 de dezembro de 2025, o reconhecimento do desequilíbrio econômico-financeiro decorrente do evento geotecnológico na estação Higienópolis-Mackenzie não significa autorização ou determinação de pagamento imediato à concessionária.
A forma de recomposição desse desequilíbrio ainda está em discussão entre o Poder Concedente e a concessionária. O termo aditivo não foi pactuado e, portanto, não há modalidade de reequilíbrio ou cronograma de pagamentos definidos.”




















