Demétrio Vecchioli

Entenda disputa bilionária que está por trás de greve de ônibus em SP

Concessionárias esperavam receber R$ 1,5 bilhão, mas prefeitura e TCM sinalizam com indenização menor

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Imagem colorida mostra ônibus em greve em SP e Ricardo Nunes. Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra ônibus em greve em SP e Ricardo Nunes. Metrópoles - Foto: Reprodução

A revisão realizada a cada quatro anos de contratos de concessão do serviço de transporte público de ônibus na cidade de São Paulo é o pano de fundo da greve que paralisou a capital paulista na terça-feira (9/12). A chamada de “revisão quadrienal” deveria ter ocorrido em maio de 2024, o que significa que, ainda que os pagamentos às concessionárias estejam em dia, como diz o prefeito Ricardo Nunes (MDB), estão também consideravelmente defasados.

Não é coincidência que a greve de motoristas e cobradores, motivada pelo anúncio do atraso no pagamento de 13º salário e do “vale peru”, tenha começado menos de 24 horas antes de o Tribunal de Contas do Município (TCM) discutir os critérios da complicada (e bilionária) revisão de três contratos de concessão firmados em 2019, que somam 32 lotes.

Os contratos preveem que a revisão seja calculada por um verificador independente. No caso, foi contratada a FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), conhecida pela sua tabela de valores de veículos. Depois de cinco meses fazendo contas, os técnicos da FIPE chegaram a correções para o novo quadriênio (2024/2028) de 10%, em média.

Aí foi a vez de Secretaria Municipal de Transporte (SMT) analisar o estudo da FIPE e fazer as contas. O relatório técnico publicado em junho basicamente confirmava os números da FIPE e calculava que, só de indenização — o que deixou de ser pago a mais entre maio de 2024, data base da revisão, e junho de 2025 — a prefeitura devia R$ 1 bilhão às concessionárias. Esse mesmo relatório já avisava, há seis meses, do risco de greve se o acordo demorasse a ser formalizado.

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Ônibus parados durante greve em SP
Ônibus foram recolhidos por volta das 17h
Paralisação começou após empresas afirmarem que não têm condições de pagar 13º salário. Sindicato promete greve até quarta-feira (10/12)
Greve de ônibus em São Paulo
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Paralisação começou após empresas afirmarem que não têm condições de pagar 13º salário. Sindicato promete greve até quarta-feira (10/12)
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Paralisação começou após empresas afirmarem que não têm condições de pagar 13º salário. Sindicato promete greve até quarta-feira (10/12)

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O processo foi então enviado à revisão do TCM, que realizou uma Mesa Técnica em julho e questionou os números da FIPE. A discussão prosseguiu pelos últimos meses, com a Secretaria Municipal da Fazenda avaliando que, na verdade, o reajuste deveria ser menor. As razões são mantidas em sigilo pela prefeitura.

Em reuniões recentes, as concessionárias foram informadas pela SMT da novidade. Em média, a correção será 60% menor do que o valor calculado inicialmente. Por exemplo: uma empresa que contava que receberia um aumento de R$ 3 milhões/mês, ficaria com apenas R$ 1,2 milhão de aumento.

Isso impacta diretamente também na indenização que as empresas têm a receber retroativamente desde maio de 2024, quando começou o segundo quadriênio do contrato. Nos cálculos da FIPE, chancelados inicialmente pela SMT, a indenização seria mais de R$ 1 bilhão por 13 meses. Agora que já se passaram 18 meses da data-base, o valor chegaria perto de R$ 1,5 bilhão. O corte de 60% significa que, de uma só vez, as concessionárias vão receber só R$ 600 milhões.

Daí o suposto impacto no 13º salário, o que acabou por ocasionar a greve. O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss) não esperou a decisão desta quarta no TCM e emitiu horas antes um comunicado sobre a impossibilidade de pagar o benefício na data prevista, dia 12 de dezembro, sexta-feira. Entendendo que um direito corria risco de não ser pago, o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (SindMotoristas) tomou a decisão de paralisar as atividades.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) deixou claro, em declarações à imprensa, que via o dedo das concessionárias na greve. Ele chamou a atitude de alertar sobre o não pagamento do 13º de “inaceitável” e afirmou que não vai aceitar pressão das empresas. O prefeito ainda ameaçou intervenção e abertura de processo de caducidade caso o pagamento não seja feito pelas empresas.

Nunes disse também que “todos os pagamentos da Prefeitura de São Paulo às empresas de transporte coletivo estão em dia”, o que é verdade. O que as empresas reclamam é que os valores deveriam ter sido corrigidos em maio de 2024, e não foram. Logo, os pagamentos, em dia, estão defasados. Isso é ponto pacífico. A discussão é quão defasados.

Apesar de a paralisação ter sido revogada à noite, após encontro entre Nunes, o SindMotoristas e as empresas, a situação joga pressão sobre o julgamento do TCM. A prefeitura depende da aprovação para pagar as concessionárias, tanto que a SPTrans pediu o provisionamento de R$ 320 milhões para serem pagos exatamente no dia 12, quando as empresas precisam pagar o 13º. Em efeito cascata, a falta de uma decisão sobre a revisão deixaria os motoristas sem o salário extra.

O “vale peru”, um 13º pagamento de vale refeição, que entrou no acordo sindical entre SindMotoristas e SPUrbanuss, entra na mesma discussão. As empresas alegam que o gasto extra, que não era previsto no contrato de concessão, foi acordado com os trabalhadores quando o cálculo da revisão era um. Agora, a tendência é que os números sejam outros. Caberá ao TCM dizer.

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