Câmara de SP monta comissão para analisar pedido de impeachment de Nunes
Comissão terá até dez dias para analisar admissibilidade do pedido apresentado por bancada do PSol por acusação de interferência na eleição

Uma comissão de sete vereadores da cidade de São Paulo deve começar a avaliar na quinta-feira (29/10) um pedido de impeachment do prefeito Ricardo Nunes (MDB) protocolado na terça (28) por três vereadores da bancada do PSol – Amanda Paschoal, Celso Giannazi e Silvia da Bancada Feminista – e lido em plenário nesta quarta (29).
Uma das alegações é o suposto descumprimento da decisão da Justiça Eleitoral que determinou a disponibilização de 100% da frota operacional de ônibus da capital paulista no domingo, data do segundo turno das eleições presidenciais. Passageiros de diversas regiões da cidade denunciaram demora do transporte coletivo.
Além disso, também é citada a denúncia de que o prefeito Ricardo Nunes convocou servidores comissionados para trabalharem pela campanha de Flávio Bolsonaro, a ponto de o Ministério Público do Trabalho (MPT) determinar que a prefeitura deveria enviar cartilha aos servidores informando sobre proibições relacionadas a assédio eleitoral – o que a gestão Ricardo Nunes só fez depois da eleição.
O regimento interno da Câmara diz que um pedido de impeachment deve ser lido na primeira sessão subsequente (logo, a desta quarta-feira) e despachada para avaliação de uma comissão especial eleita, composta por sete membros.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA leitura aconteceu logo no início da sessão desta tarde e a comissão já está formada por Luana Alves (PSol), Rubinho Nunes (União), Hélio Rodrigues (PT), Kenji Ito (Podemos), Major Palumbo (PP), Sandra Tadeu (PL) e
Sandra Santana (MDB).
A comissão terá até dez dias para analisar o parecer de admissibilidade do pedido. Caso ele seja admitido, ainda precisará de votação em plenário para avançar. Se não for admitido, será arquivado. A primeira reunião da Comissão Especial será nesta quinta-feira à tarde. Dada a composição com cinco vereadores aliados de Nunes e dois de oposição, a tendência é de arquivamento a jato.
O que diz a denúncia
Conforme mostrou a coluna Demétrio Vecchioli, apenas 71,7% dos ônibus que atendem linhas municipais estavam em circulação no início da tarde de domingo. A prefeitura alegou que pretendia evitar “gastos desnecessários” ao justificar a decisão de não ter 100% da frota municipal nas ruas neste domingo de segundo turno das eleições.
A gestão Nunes já vinha sendo cobrada há meses para que cumprisse o que diz a legislação eleitoral, de que a frota disponível no dia da eleição deve ser equivalente a de um dia comum, mas insistia que a frota reduzida seria suficiente. Depois de a Justiça terminar que a prefeitura cumprisse a lei, em despacho de sexta-feira à noite, a gestão Nunes alegou que ter tido pouco tempo hábil para comunicar a decisão às garagens.
O pedido também cita a reunião realizada por Nunes com cerca de 300 servidores municipais em que pediram a presença deles no evento de campanha realizado na Avenida Paulista e postagens nas redes sociais convidando outras pessoas para o ato e pedir votos para Flávio. O encontro foi realizado no imóvel onde funcionava o comitê da campanha de reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Questionada pelo Metrópoles, a Prefeitura de São Paulo disse que determinou às concessionárias para colocar 100% da frota de ônibus nas ruas no domingo do segundo turno das eleições (leia nota completa ao final da reportagem).
No último domingo, Nunes negou que a cidade tenha colocado nas ruas frota reduzida de ônibus apesar da determinação do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) para que a cidade mantivesse 100% da frota de ônibus operando neste dia de votação. Passageiros de diversas regiões da cidade denunciaram a demora do transporte coletivo.
Deputadas pedem prisão de Nunes por não garantir transporte no 2º turno
A deputada federal Sâmia Bomfim, a vereadora Luana Alves e a deputada estadual Monicas Seixas, todas do PSol, protocolaram um pedido de prisão contra o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, o secretário de Transporte, Celso Jorge Caldeira, e o presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges.
O documento protocolado pelas parlamentares do PSol também cita duas matérias publicadas pelo Metrópoles que denunciam que apenas 71,7% dos ônibus que atendem linhas municipais em São Paulo estavam em circulação na tarde de domingo.
As parlamentares do PSol pediram que a multa estabelecida na decisão de sexta, de R$ 100 mil, seja revista para R$ 500 mil por hora de descumprimento, ao considerar “insuficiente para demover a sanha omissiva e deliberada dos agentes públicos responsáveis no transcorrer das horas de votação.”
O que diz a prefeitura:
“A Prefeitura de São Paulo reafirma que determinou às concessionárias para colocar 100% da frota de ônibus nas ruas no domingo do segundo turno das eleições. A SPTrans foi notificada pelo TRE às 13h10 de sábado, e o ofício foi encaminhado às 13h59 para todas as empresas que operam no município. Cabe destacar que o plano operacional havia sido encaminhado previamente aos órgãos eleitorais competentes, sem questionamentos registrados até então, e foi adotado no primeiro turno. A programação foi divulgada com transparência, por meio de comunicados à população e aos órgãos responsáveis. A SPTrans esclarece que eventual descumprimento pelas concessionárias de ônibus acarretará na abertura de processo para aplicação de multa contratual. A Procuradoria Geral do Município (PGM) prestou esclarecimentos ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) neste domingo (25) e informações complementares serão encaminhadas nos próximos dias.”

