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Aliados de prefeito tiktoker mudam de ideia em 12h e Sorocaba terá CPI
Poucas horas depois de emiterem nota rejeitando CPI, aliados de Rodrigo Manga assinam criação de comissão
atualizado
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O dia que começou com nota de partidos aliados do prefeito tiktoker Rodrigo Manga (Republicanos) emitindo nota rejeitando a criação de uma CPI da Saúde em Sorocaba (SP) terminou com esses mesmos aliados assinando o requerimento de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito.
Neste meio tempo vieram a público detalhes do relatório da Polícia Federal, como que a PF suspeita que propina pagou viagem à Disney, que a cunhada de Manga está foragida e que a PF afirma que o prefeito é líder de um esquema que lavou dinheiro em igreja.
Ao fim da manhã desta quarta-feira (12/11), 24 dos 25 vereadores da cidade do interior paulista haviam chancelado a criação da CPI. Manga foi afastado por 180 dias da prefeitura por decisão da Justiça Federal na quinta-feira da semana passada (6/11). Fernando Costa Neto (PSD), eleito vice, assumiu como prefeito.
Para uma CPI ser instaurada em Sorocaba, são necessárias nove assinaturas. Ontem (11/11) pela manhã, quando o pedido tinha sete chancelas, de parlamentares de PL, PT e PSol, as direções e bancadas municipais de Republicanos, AGIR, PSD, Podemos, MDB, Solidariedade e União Brasil soltaram nota conjunta anunciando que não apoiariam a CPI.
“Os partidos entendem que duplicar procedimentos investigativos na Câmara Municipal agora pode prejudicar o andamento das apurações oficiais e transformar a CPI em palanque político, desviando energias do que mais importa ao cidadão: soluções rápidas e concretas para a rede municipal de saúde”, explicaram os partidos.
À noite, os aliados de Manga começaram a assinar o requerimento, contrariando o que haviam dito pela manhã. O único vereador faltante é o presidente da Câmara, Pastor Luís Santos (Republicanos), impedido pelo regimento interno de participar formalmente do pedido. É ele quem vai escolher presidente e relator da CPI.
No ano passado, após denúncia de que a Urbes, empresa de transporte da cidade, havia firmado 17 contratos de mais de R$ 12 milhões com empresas da família do seu então diretor, a Câmara chegou a instaurar uma CPI para investigar os contratos, com uma formatação governista.
A ponto de o presidente da CPI, Cristiano Passos (Republicanos), se afastar do mandato para assumir uma pasta no governo Manga, a secretaria de Esporte. Ele foi substituído por mais um político do partido do prefeito, Caio Oliveira, que encerrou a CPI sem qualquer oitiva pública e sem a publicação de um relatório. Mais tarde soube-se que tal relatório foi produzido e concluiu pela inexistência de irregularidades.
