Demétrio Vecchioli

Bloco atacado pela GCM diz ter seguido todas as regras da prefeitura

GCM usou bombas e spray de pimenta enquanto foliões se dispersavam após bloco no Butantã

atualizado

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1 de 1 dispersao-vai-quem-que - Foto: Imagem cedida ao Metrópoles

Agredido pela Guarda Civil Municipal (GCM) no começo da noite desta terça-feira (17/2), o bloco Vai Quem Qué, um dos mais antigos do Carnaval paulistano, diz ter seguido todas as regras impostas pela Prefeitura de São Paulo. Já a gestão Ricardo Nunes (MDB) não cumpriu com o compromisso de disponibilizar banheiros químicos, previsto em edital.

Em nota, o Vai Quem Qué, que desfila há 46 anos, disse que, na terça, seguiu os horários e o trajeto estipulados pela prefeitura e publicados em Diário Oficial. Também afirmou que desligou o som às 18h, como exige a administração municipal.

Pelas regras da prefeitura, a “dispersão” (quando o público se desagrupa e deixa o local onde o bloco terminou) precisa acontecer até as 19h. Antes disso, enquanto caía forte chuva, a GCM apareceu na região da Vila Indiana, no Butantã, nos “fundos” da Cidade Universitária da USP, segundo os organizadores.

“Desligamos e recolhemos o equipamento de som às 18h, e a dispersão estava acontecendo tranquilamente. As pessoas, com suas famílias e amizades, crianças, velhinhos e PCDs, estavam se encaminhando para os restaurantes e bares da região, felizes e se divertindo, e, como sempre no Vai Quem Qué, com máximo respeito ao território onde, inclusive, parte dos integrantes do bloco mora”, explicou o bloco, em nota.

Pelo procedimento padrão da prefeitura, ao fim dos blocos, devem vir “linhas” da prefeitura. Primeiro, uma espécie de arrastão da equipe de limpeza (semelhante ao que ocorre nos desfiles no Sambódromo) e, depois, das forças de segurança. É assim na cidade toda.

No último bloco do Carnaval, o procedimento teria sido diferente e se tornou violento quando os foliões, para fugir da chuva, reuniram-se debaixo da marquise de um supermercado do bairro.

“Desde o começo da dispersão, o comportamento da GCM estava esquisito. No geral, eles têm feito uma linha de varrição primeiro, e a polícia depois. No nosso caso, veio a polícia direto, sem ninguém conversando, só jogando os carros em cima das pessoas. Voltou a chover, estava dispersando naturalmente, boa parte das pessoas já estava espalhada pelos bares e restaurantes da região”, relatou Lira Alli, uma das lideranças do bloco, à coluna.

Tradicionalmente o Vai Quem Qué é um bloco espontâneo: sai às ruas sem comunicação prévia, nem à prefeitura nem aos foliões. O desfile desta terça, porém, aconteceu dentro das formalidades exigidas pela prefeitura.

Bloco diz que componente foi “espancado”

Vídeos mostram que a GCM foi agressiva na dispersão e utilizou gás de pimenta. “Um dos nossos integrantes, que foi tentar dialogar com a GCM, foi espancado. A partir daí, a GCM escalonou a violência, e as imagens publicadas nas redes sociais mostram a desproporção: bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e violência excessiva contra o Carnaval de rua”, continuou o bloco.

“A violência policial por parte da Guarda Civil Metropolitana, ocorrida ontem durante a dispersão do bloco, foi completamente desproporcional e lamentável. O bloco Vai Quem Quer faz carnaval nas ruas da cidade de São Paulo desde 1981 e nunca viu tamanho absurdo. Repudiamos e não aceitaremos que a dispersão do nosso bloco seja feita na base da porrada”, continuaram.

A prefeitura enviou a seguinte nota: A Guarda Civil Metropolitana (GCM), da Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU), realizava patrulhamento na Praça Boturoca, no Butantã, durante o bloco “Vai Quem Qué”, em apoio à equipe de produção da SPTuris. Durante a ação de dispersão, houve resistência pontual e arremesso de objetos contra a equipe, que atuou dentro dos protocolos de segurança para restabelecimento da ordem e garantia de proteção do público. Dois agentes ficaram feridos e foram encaminhados ao Hospital do Rio Pequeno, onde receberam atendimento médico. Não houve condução ao Distrito Policial.

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