
Claudia MeirelesColunas

Túlio Pinto inaugura mostra artística na Cerrado Cultural neste sábado
Mostra do artista Túlio Pinto, Simples e Composto apresenta conjunto de obras que exploram as relações de equilíbrio, força e delicadeza
atualizado
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A Cerrado Cultural abrirá as portas, no próximo sábado (18/10), para a inauguração da mostra Simples e Composto, do artista Túlio Pinto E com curadoria de Divino Sobral. A exposição apresentará uma série de esculturas e instalações que exploram o diálogo entre materiais contrastantes, como a pedra, o aço corten e o vidro soprado; e suas relações de equilíbrio, tensão e cumplicidade.
Essa é a primeira mostra individual de Túlio em sua cidade natal, Brasília. Indicado ao Prêmio PIPA 2017, ele se graduou em artes visuais com ênfase em escultura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A exposição reúne também um conjunto de esculturas e instalações recentes que reafirmam a pesquisa do artista em torno do equilíbrio entre matéria, espaço e tensão.



Nas obras, a força e a delicadeza se encontram: estruturas em aço sustentam ou acolhem materiais frágeis, criando a sensação de instabilidade e sutileza. Em entrevista à coluna Claudia Meireles, Túlio Pinto ressalta que cada trabalho desenvolvido propõe um forte vínculo entre matérias contrastantes, resistência e delicadeza.
Segundo ele, o ponto de tensão em seus trabalhos tem a ver com a observação da própria vida.
Os trabalhos são metáforas dos encontros do dia a dia, de certa forma, onde […] sempre tem um lado mais fraco e um lado mais forte. Mas o lado mais fraco, na relação, pode apresentar uma potência que é desconhecida; e o lado mais forte uma fraqueza ou sensibilidade não aparente. Nas peças que eu articulo, procuro extrair essas duas valências que, às vezes, estão escondidas ou camufladas.
Túlio Pinto



Com curadoria de Divino Sobral, a exposição integra um conjunto de esculturas que se destacam pela contenção formal, precisão técnica e pelo diálogo sensível entre materiais. À coluna, o artista compartilha que suas composições combinam o aço corten, vidro temperado e pedras de origem mineral.
A ideia de “composto” como conceito da mostra é algo que atravessa toda a produção de Túlio Pinto. O termo ganha corpo nas relações entre formas orgânicas e geométricas, materiais resistentes e delicados; e no contraponto entre o volume das esculturas e o vazio dos espaços que as cercam. As criações exploram o que o artista descreve como “equilíbrio, tensão e cumplicidade”.
Em cada obra, a rigidez dos materiais se transforma em gesto poético, em busca de revelar a delicadeza que pode existir entre forças opostas.


Ao mesmo tempo, Simples e Composto revisita o legado da escultura do século 20, ecoando influências do concretismo, do minimalismo e da arte povera. Tudo isso decorre de um olhar próprio do escultor que busca, em cada junção de vidro e aço, o instante exato em que o excêntrico encontra o equilíbrio e se torna arte.
“Esses encontros inusitados acabam gerando essas potências visuais, justamente pelo dado do inusitado, daquilo que nós não estamos acostumados a enxergar, vindo daqueles materiais e, acima de tudo, daqueles encontros, que não são encontros normais de serem percebidos”, argumenta o artista.


Processo criativo e colaboração
O artista conta que gera os trabalhos a partir de janelas de oportunidades que as próprias obras revelam. É o caso da diagonal montada por Túlio no Museu de Arte de Ribeirão Preto (Marp) e que se tornou “gatilho” para o Batimento na 13ª Bienal do Mercosul. Para conferir o projeto completo, clique aqui.
“Durante o processo de pensamento, de desenho e de manufatura de um trabalho, uma série de questões aparecem, e que são literalmente janelas de segundas, terceiras e quartas possibilidades a partir daquilo que eu estou debruçado naquele momento”, aponta o escultor.

Túlio descreve o modo como enxerga o próprio trabalho como “um processo contínuo de autodescoberta e reinvenção no qual gera e consome o próprio impulso criativo”. Apesar de continuar atento ao que acontece ao redor, o artista reconhece que sua produção tem se tornado autofágica, alimentando-se de si mesma. “Cada obra abre janelas de possibilidades para as próximas”, reitera.
O escultor destaca que o processo de criação é “construído” de forma coletiva. Embora o trabalho tenha um forte caráter mental e conceitual, ele conta com uma equipe que o acompanha desde 2013 — profissionais que desempenham um papel fundamental na realização física das obras.
O artista faz questão de frisar a respeito dessa colaboração, reconhecendo que o pensamento ganha corpo e forma graças ao trabalho conjunto, quando surge o momento oportuno para a criação.

Visão e evolução
Quando questionado sobre o que o desafia como artista na atualidade, Túlio Pinto responde sem hesitar: “O que me desafia como artista hoje é o que me desafiava como artista quando estava na faculdade. Sem brincadeira”. O escultor afirma que “a forma de pensar e desejar permanece a mesma“, movida pela vontade de que cada projeto realizado gere possibilidades para outros nascerem, seja do ponto de vista financeiro, conceitual ou relacional.
Desde o período em que estudava no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Túlio Pinto alimentava a ideia de que uma obra pode reverberar além de si, criando pontes e conexões que sustentem novos trabalhos. Para ele, cada realização deve abrir caminhos, estabelecer diálogos e fortalecer laços dentro do sistema da arte, ou seja, entre artistas, instituições, galerias ou públicos.



Essa visão de continuidade e de rede é o que mantém seu impulso criativo vivo. O artista reconhece que a própria trajetória é feita de histórias que se entrelaçam; de projetos que se desdobram em outros; e de ideias que, ao ganharem forma, lançam as bases para as próximas “loucuras” e pensamentos.
“É que nem aquela pedrinha que você joga na água: vai gerando as ondinhas, e essas ondas vão se deslocando, ocupando o espaço e transformando o que tem em torno. O trabalho tem esse poder. Algumas ideias têm esse poder de estar guardadas, dando o indício da presença e esperando o momento oportuno para que se materializem.”
Para ele, o maior desafio é continuar fazendo com que “essas pedrinhas” continuem reverberando no espelho d’água, para que encontrem as bordas e se materializem de alguma forma.
Cerrado Cultural
A abertura da exposição Simples e Composto será neste sábado (18/10), das 11h às 14h, na galeria Cerrado Cultural, fixada na QI 5 do Lago Sul. A mostra ficará aberta ao público até 22 de novembro, das 10h às 19h, de segunda a sexta; e aos sábados, das 10h às 13h. Túlio dividirá o espaço dedicado à arte moderna e contemporânea brasileira com a exposição Encantar a Passagem, de Manuela Costa Silva.



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