Sérgio Sacani e Rodrigo Silva unem ciência e fé no Metrópoles Talks
O Metrópoles Talks reuniu ciência e teologia em uma noite marcada pelo diálogo e pela participação do público no Museu Nacional da República

Fé, ciência e grandes questionamentos sobre a existência humana ocuparam o mesmo palco, nessa quinta-feira (29/10), em mais uma edição do Metrópoles Talks, no Museu Nacional da República, em Brasília. O encontro reuniu o geofísico e divulgador científico Sérgio Sacani e o teólogo e arqueólogo Rodrigo Silva para uma conversa aprofundada sobre a origem do universo, a existência de Deus, evidências científicas e os limites do conhecimento humano, com mediação da jornalista do Metrópoles Natália André.
O evento teve como eixo trazer duas visões opostas de mundo em um diálogo tolerante, respeitoso e muito bem humorado, onde a discordância não foi sinônimo de confronto.

Antes de iniciar a conversa, Rodrigo destacou justamente esse aspecto.
“É um ambiente que vai permitir as duas visões de mundo e ver que dá para discordar com elegância, amizade e muita união”, afirmou.
Sérgio seguiu pelo mesmo pensamento. O geofísico afirmou que ele e Rodrigo mantêm uma relação de amizade e troca de mensagens fora dos palcos. Para ele, a ideia de uma “guerra” inevitável entre a religião e a ciência não deve ser algo enfatizado, pois as duas podem existir em harmonia.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesDivergência sem conflito
Durante a noite, os dois estudiosos abordaram temas que tradicionalmente geram debates e possíveis confrontos, como o Big Bang, a existência de Deus, a interpretação da Bíblia e a origem da vida.
Sérgio, apresentador do podcast Ciência Sem Fim e criador do Space Today, explicou que o Big Bang é o modelo com mais evidências observacionais para explicar a evolução do universo. No entanto, ele ressaltou que ainda existem grandes questões sem respostas, como energia escura e matéria.
Rodrigo, diferentemente do divulgador científico, defende uma leitura em que a fé e a ciência não necessariamente precisam se anular ou se excluir.

Ao abordar sobre polarização e intolerância, Sérgio salientou que nenhuma relação humana é construída a partir de concordância absoluta. Para ele, a divergência é necessária para estruturarmos novas perguntas e relações mais sólidas.
“Ninguém concorda com ninguém 100%”, afirmou o geofísico ao defender que pensamentos opostos também acrescentam positivamente para o avanço da humanidade.
Rodrigo fez questão de dizer que o problema surge quando as pessoas deixam de lidar com o contraditório. Para o teólogo, qualquer pensamento tem pontos obscuros e pode ser enriquecido por meio do contato com outras perspectivas diferentes.
“Qualquer crença e qualquer modelo possui pontos obscuros e coisas para aprender com o outro. Em muitos elementos da vida, diz que toda história tem três lados, o meu, o do outro e a verdade”, disse.

Público jovem marca presença
Logo na entrada do museu, estava Lorena Brandão, estudante de relações internacionais de apenas 21 anos. A jovem aguardava ansiosamente para ouvir a conversa entre os palestrantes no Metrópoles Talks. Para ela, o diálogo entre duas partes com crenças tão divergentes é algo muito marcante e positivo para o desenvolvimento do país.
“Ambos são gênios da cultura e da ciência brasileira. O Rodrigo, como arqueólogo, faz um trabalho brilhante e representa muito bem o Brasil, principalmente em Israel. E o Sérgio, como divulgador científico e geofísico, é maravilhoso. É fantástica a junção deles dois. Ainda que um seja ateu e o outro, religioso”, contou Lorena.

Plateia interage no Metrópoles Talks
A participação do público no bate-papo também ganhou espaço ao longo da noite. Ao final da conversa, a plateia pôde fazer perguntas diretamente aos convidados, algo que já estava previsto na dinâmica do encontro.

Entre os presentes estava o analista de BI sênior Lucas Silva, de 37 anos, que afirmou ter tomado a decisão de ir ao evento justamente por acompanhar o trabalho dos dois estudiosos.
Para ele, um dos principais diferenciais da dupla é a capacidade de apresentar e explicar complexidades de forma compreensível e mais acessível. Lucas finalizou por definir a experiência no Metrópoles Talks como um aprendizado que pretende levar para além daquela noite. “É um crescimento pessoal, é um crescimento para a vida, conhecimento para a gente aplicar”, disse.
“As crianças fazem as melhores perguntas”
Após o encerramento, Rodrigo e Sérgio avaliaram positivamente a experiência e evidenciaram especialmente as intervenções do público.
O arqueólogo afirmou que a noite havia sido “fantástica” e voltou a demonstrar sua admiração pelo colega. Sérgio, por sua vez, enfatizou a interação com a plateia e chamou atenção para uma pergunta feita por uma das crianças presente na programação.

“As crianças fazem as melhores perguntas”, afirmou o geofísico. Para ele, a espontaneidade e a pureza dos pequenos permite realizar questionamentos que muitos adultos deixam de fazer por excesso de filtro ou por receio.
Veja os highlights no vídeo abaixo:
Confira quem esteve presente no Metrópoles Talks, pelas lentes de Nina Quintana e Pedro Iff:
































































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