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Psiquiatras explicam se existe um vício mais difícil de abandonar
Os médicos Marcel Fúlvio Padula Lamas e Victória Monalisa Leite abordaram sobre ter ou não um vício mais difícil de deixar
atualizado
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De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo é classificado como uma pandemia devido ser a principal causa de morte evitável no mundo, ocasionando aproximadamente 8 milhões de óbitos por ano. Conforme uma pesquisa do Ministério da Saúde, a proporção de adultos fumantes nas capitais brasileiras subiu de 9,3% em 2023 para 11,6% em 2024. Houve um aumento de 25% no período de um ano.
Recentemente, a coluna Claudia Meireles se deparou com um vídeo do psiquiatra estadunidense Daniel Amen sobre qual substância viciante é a mais difícil de abandonar? O especialista pontuou a nicotina. Assista aqui.
Diante da afirmação de Amen, houve a necessidade de requisitar dois especialistas brasileiros para esclarecer a respeito do vício em nicotina ser ou não o mais difícil de parar. Os médicos acionados foram Marcel Fúlvio Padula Lamas, coordenador de psiquiatria do Hospital Albert Sabin (HAS), de São Paulo; e Victória Monalisa Leite, psiquiatra pela Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP-CE) e médica de família e comunidade.
Segundo Marcel, a afirmação de que a nicotina seria o vício mais dificultoso de parar é “controversa e depende do critério utilizado”: “Se considerarmos a intensidade da abstinência física, os opioides — como heroína e morfina — costumam provocar quadros mais intensos”. Ele acrescenta que a taxa populacional de recaída e a persistência do uso da nicotina aparecer entre as substâncias mais difíceis de abandonar.
“Estudos clássicos de dependência comparativa mostram que nicotina e opioides apresentam potencial de dependência muito alto, enquanto cocaína e álcool têm potencial alto”, acrescenta o psiquiatra. O especialista destaca a respeito dos opioides produzirem abstinência física mais intensa em relação ao cigarro.

Atendendo em Juazeiro do Norte (CE), a psiquiatra Victória Monalisa argumenta que a nicotina está “entre as dependências mais difíceis de superar.”
“Estudos mostram que a taxa de pessoas que conseguem parar de fumar sozinhas, sem nenhum tipo de ajuda médica ou tratamento, é menor do que no caso de substâncias como álcool, cocaína ou até opioides. Isso indica que, do ponto de vista estatístico, abandonar o cigarro pode ser especialmente desafiador”, alega a médica da família e comunidade.
A especialista menciona sobre a dependência em nicotina envolver tantos fatores biológicos quanto comportamentais. “Quando a pessoa tenta parar, pode enfrentar sintomas intensos — como irritação, ansiedade, tristeza, dificuldade de concentração e um forte desejo de fumar — que podem persistir por semanas ou até meses”, analisa.

Os dois médicos salientam que a nicotina está relacionada à utilização “extremamente frequente”. “Muitas vezes com mais de 20 reforços por dia, forte condicionamento comportamental, alta acessibilidade, componente ansiolítico percebido e comportamentos sociais que incentivam o uso constantemente”, frisa Marcel Fúlvio Padula Lamas.
Ao apontamento, Victória Monalisa complementa que o cigarro costuma ter associação com hábitos do dia a dia: pausas no trabalho, momentos de estresse ou convívio social. “Por isso, o tabagismo é considerado uma dependência crônica, e muitas pessoas precisam de várias tentativas até conseguir parar de forma definitiva”, afirma.
Coordenador de psiquiatria do Hospital Albert Sabin (HAS), Marcel reitera sobre não haver consenso técnico de que fumar seja o vício mais complicado de abandonar. Ao concluir, o especialista evidência: “Mas certamente [a nicotina] está entre as substâncias com maior poder adictivo em termos populacionais.”

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