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Claudia Meireles

Papa alerta padres contra uso de IA em sermões e julga busca por likes

Papa afirma que fé, pensamento e vivência espiritual não podem ser delegados a algoritmos e pede que padres resistam às tentações digitais

atualizado

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Elisabetta Trevisan – Vatican Media via Vatican Pool/Getty Images
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1 de 1 Imagem colorida de Papa Leão XIV em sua primeira viagem internacional como pontífice - Metrópoles - Foto: Elisabetta Trevisan – Vatican Media via Vatican Pool/Getty Images

O Papa Leão XIV fez um alerta direto ao clero católico sobre o avanço da inteligência artificial dentro da vida religiosa. Durante um encontro fechado com padres da Diocese de Roma, o pontífice pediu que sacerdotes não utilizem ferramentas de inteligência artificial para escrever sermões e homilias, afirmando que a fé não pode ser automatizada nem transmitida por máquinas.

A orientação, repercutida por veículos internacionais da Europa, Ásia e Estados Unidos, coloca o Vaticano no centro de um debate global sobre os limites do uso da tecnologia em atividades essencialmente humanas, incluindo espiritualidade, pensamento e criatividade.

Fé não pode ser terceirizada

Segundo o papa, a homilia — discurso central das missas católicas — não é apenas um texto informativo, mas um ato de partilha espiritual.

Ele afirmou que preparar um sermão exige oração, reflexão pessoal e convivência com a comunidade, algo que sistemas baseados em inteligência artificial não são capazes de reproduzir.

Para o líder religioso, recorrer à inteligência artificial representa uma espécie de atalho intelectual que enfraquece o próprio processo de pensamento do sacerdote.

“O cérebro precisa ser usado”, afirmou, comparando a mente humana a um músculo que perde força quando deixa de ser exercitado.
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Papa Leão XIV

A “tentação digital” do século 21

Leão XIV descreveu o uso excessivo da tecnologia como uma nova forma de tentação contemporânea, incentivando padres a resistirem à facilidade de gerar conteúdos prontos por meio de algoritmos.

O alerta não se limitou à inteligência artificial. O pontífice também criticou a lógica das redes sociais e a busca por popularidade on-line, citando o risco de sacerdotes confundirem engajamento digital com missão pastoral.

Segundo ele, curtidas e seguidores podem criar uma “ilusão de evangelização”, afastando religiosos do contato humano real com os fiéis.

Voltar às pessoas

Durante o encontro, o Papa incentivou sacerdotes a priorizarem atividades presenciais, como:

  • Visitar doentes e idosos;
  • Acompanhar jovens em situação de solidão;
  • Conhecer a realidade das comunidades;
  • Dedicar tempo à escuta pastoral.

A mensagem central foi que o ministério religioso depende da presença humana e da experiência vivida, elementos que não podem ser substituídos por tecnologia.

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Papa Leão XIV

Vaticano não é contra IA

Apesar do tom de alerta, o posicionamento não representa rejeição à IA. O Vaticano reconhece benefícios da tecnologia e já utiliza sistemas digitais para facilitar comunicação global e tradução simultânea de celebrações religiosas.

A preocupação, segundo o pontífice, surge quando ferramentas tecnológicas passam a substituir funções ligadas à consciência, ao discernimento moral e à reflexão pessoal.

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IA não pode substituir experiências espirituais de líderes religiosos
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Nem tudo deve ser substituído por tecnologia
O Vaticano não é contra IA
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IA não pode substituir experiências espirituais de líderes religiosos
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IA não pode substituir experiências espirituais de líderes religiosos

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Nem tudo deve ser substituído por tecnologia
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Nem tudo deve ser substituído por tecnologia

Fábio Vieira/Metrópoles

Um debate que vai além da religião

A fala do pontífice repercutiu também fora do ambiente religioso, sendo interpretada por especialistas como um comentário mais amplo sobre o impacto cognitivo da inteligência artificial na sociedade.

O alerta dialoga com discussões atuais sobre dependência tecnológica em áreas como educação, jornalismo, programação e produção criativa — setores nos quais parte do esforço intelectual começa a ser delegada a sistemas automatizados.

Ao levar o debate ao púlpito, o Vaticano sinaliza uma questão cada vez mais presente na era digital: até que ponto a inteligência artificial pode auxiliar o ser humano sem substituir aquilo que o torna humano?

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