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O que picos de glicose podem causar ao cérebro a curto e longo prazo
Professor livre-docente da USP, neurocirurgião vascular Fernando Gomes detalha o que os picos de glicose tendem a desencadear no cérebro
atualizado
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Membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), o neurocirurgião Fernando Gomes concedeu entrevista à coluna Claudia Meireles e explicou que os picos repetidos de glicemia podem prejudicar o funcionamento cerebral. O médico pontuou que o importante órgão do sistema nervoso “depende da glicose como principal substrato energético”, mas necessita de estabilidade metabólica para essa ação.
O professor livre-docente de neurocirurgia da Universidade de São Paulo (USP) destaca o que os picos de glicose podem desencadear no cérebro a curto e longo prazo. O especialista menciona que, em menor período de tempo, a instabilidade glicêmica tende a causar fadiga mental, dificuldade de concentração, lentificação do raciocínio, irritabilidade e redução da memória operacional.
“Oscilações abruptas também podem alterar neurotransmissores como glutamato e ácido gama-aminobutírico (GABA), afetando a atenção e o controle executivo”, detalha o médico. A longo prazo, Fernando salienta que episódios repetidos de hiperglicemia contribuem para “neuroinflamação crônica, lesão microvascular, comprometimento da substância branca e redução da conectividade funcional.”
O neurocirurgião acrescenta sobre estudos associarem a variabilidade glicêmica persistente a maior risco de declínio cognitivo, comprometimento cognitivo leve e aceleração de processos neurodegenerativos.

Anteriormente, o especialista compartilhou que a elevação rápida e frequente da glicose está associada a maior risco de doença cerebrovascular, inclusive o acidente vascular cerebral (AVC), em razão da disfunção endotelial e aterosclerose acelerada, que é a formação de placas de gorduras e outras substâncias na parede das artérias. Em contextos graves, há relação com encefalopatia metabólica.
“No espectro crônico, há associação consistente com demência vascular e maior risco de doença de Alzheimer, possivelmente mediado por resistência insulínica cerebral, acúmulo de beta-amiloide e inflamação sustentada”, acentua Fernando Gomes. Ao finalizar, ele frisa que a hiperglicemia crônica tende a contribuir para neuropatia diabética e alterações estruturais cerebrais detectáveis por neuroimagem.

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