Claudia Meireles

O que picos de glicose podem causar ao cérebro a curto e longo prazo

Professor livre-docente da USP, neurocirurgião vascular Fernando Gomes detalha o que os picos de glicose tendem a desencadear no cérebro

atualizado

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AVC
1 de 1 AVC - Foto: Getty Images

Membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), o neurocirurgião Fernando Gomes concedeu entrevista à coluna Claudia Meireles e explicou que os picos repetidos de glicemia podem prejudicar o funcionamento cerebral. O médico pontuou que o importante órgão do sistema nervoso “depende da glicose como principal substrato energético”, mas necessita de estabilidade metabólica para essa ação.

O professor livre-docente de neurocirurgia da Universidade de São Paulo (USP) destaca o que os picos de glicose podem desencadear no cérebro a curto e longo prazo. O especialista menciona que, em menor período de tempo, a instabilidade glicêmica tende a causar fadiga mental, dificuldade de concentração, lentificação do raciocínio, irritabilidade e redução da memória operacional.

O que picos de glicose podem causar ao cérebro a curto e longo prazo - destaque galeria
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A glicose é um tipo de açúcar que circula no corpo
Segundo o médico, o órgão precisa de glicose como "principal substrato energético, mas necessita de estabilidade metabólica"
Manter elevado o nível glicêmico impacta na saúde e contribui para o surgimento de doenças
O funcionamento do cérebro é afetado pelos picos de glicose
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O funcionamento do cérebro é afetado pelos picos de glicose

Kateryna Kon/Science Photo Library/Getty Images
A glicose é um tipo de açúcar que circula no corpo
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A glicose é um tipo de açúcar que circula no corpo

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Segundo o médico, o órgão precisa de glicose como "principal substrato energético, mas necessita de estabilidade metabólica"
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Segundo o médico, o órgão precisa de glicose como "principal substrato energético, mas necessita de estabilidade metabólica"

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Manter elevado o nível glicêmico impacta na saúde e contribui para o surgimento de doenças
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Manter elevado o nível glicêmico impacta na saúde e contribui para o surgimento de doenças

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“Oscilações abruptas também podem alterar neurotransmissores como glutamato e ácido gama-aminobutírico (GABA), afetando a atenção e o controle executivo”, detalha o médico. A longo prazo, Fernando salienta que episódios repetidos de hiperglicemia contribuem para “neuroinflamação crônica, lesão microvascular, comprometimento da substância branca e redução da conectividade funcional.”

O neurocirurgião acrescenta sobre estudos associarem a variabilidade glicêmica persistente a maior risco de declínio cognitivo, comprometimento cognitivo leve e aceleração de processos neurodegenerativos.

Ilustração colorida de açúcar no sangue - Metrópoles
A glicose oferece energia para as células

Anteriormente, o especialista compartilhou que a elevação rápida e frequente da glicose está associada a maior risco de doença cerebrovascular, inclusive o acidente vascular cerebral (AVC), em razão da disfunção endotelial e aterosclerose acelerada, que é a formação de placas de gorduras e outras substâncias na parede das artérias. Em contextos graves, há relação com encefalopatia metabólica.

“No espectro crônico, há associação consistente com demência vascular e maior risco de doença de Alzheimer, possivelmente mediado por resistência insulínica cerebral, acúmulo de beta-amiloide e inflamação sustentada”, acentua Fernando Gomes. Ao finalizar, ele frisa que a hiperglicemia crônica tende a contribuir para neuropatia diabética e alterações estruturais cerebrais detectáveis por neuroimagem.

Ilustração colorida com fundo azul que mostra a silhueta humana com ênfase no cérebro em cor vermelho vibrante - Metrópoles.
O neurocirurgião enfatiza que picos de glicose repetidos podem afetar o funcionamento cerebral

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