Neurologista lista hábitos matinais que podem aumentar o risco de AVC
O AVC é multifatorial, mas pessoas com risco cardiovascular podem estar mais suscetíveis devido a hábitos comuns praticados pela manhã

Segundo levantamentos clínicos, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) acontece com maior frequência nas primeiras horas do dia, período em que o organismo passa por um estado de vulnerabilidade fisiológica. Por isso, os hábitos matinais podem influenciar na ocorrência do quadro, conforme destaca a neurologista Gisele Sampaio Silva, da Rede Brasil AVC, à coluna Claudia Meireles.
Segundo a médica, na transição entre o sono e a vigília, há um aumento na pressão arterial, frequência cardíaca, cortisol e atividade do sistema nervoso parassimpático, responsável por controlar as funções involuntárias do corpo.
“No sangue, ocorrem também alterações na coagulação sanguínea. São essas mudanças que ajudam a explicar por que infartos e AVCs são mais frequentes nas primeiras horas da manhã”, destaca a profissional.

AVC: cuidados com os hábitos matinais
Embora saliente que nenhum hábito, por si só, provoca o AVC, Gisele Sampaio aponta que os cuidados com a temperatura do banho, velocidade ao levantar e exercícios de alta intensidade sem cuidado prévio são importantes para minimizar os riscos de oscilações na pressão, vasodilatação e circulação sanguínea. Esses fatores impactam diretamente no acometimento da condição.
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Ao deitar, o sangue circula de forma quase uniforme por todo o corpo. Por isso, ao levantar da cama rapidamente, a médica explica que parte desse sangue se desloca para as pernas pelo efeito da gravidade. Esse movimento pode causar redução temporária da pressão arterial.
“Quedas importantes da pressão podem comprometer temporariamente a circulação cerebral, especialmente em pessoas que já apresentam estreitamentos significativos das artérias que levam sangue ao cérebro. Além disso, estudos observacionais identificaram uma associação entre hipotensão ortostática e maior risco de AVC ao longo do tempo, embora isso não signifique que levantar rapidamente provoque diretamente um evento vascular cerebral.”

Banhos quentes
A neurologista Gisele Sampaio afirma que a pressão arterial pode ser influenciada pela temperatura da água. Quando muito quente, pode facilitar a vasodilatação, especialmente em pacientes vulneráveis como idosos, pessoas com uso contínuo de anti-hipertensivos e indivíduos desidratados.
“Pessoas com hipertensão arterial mal controlada ou doenças cardiovasculares devem evitar exposições a temperaturas extremas, incluindo banhos excessivamente quentes. O mais recomendável é tomar banho com água morna, em uma temperatura confortável”, recomenda.

Exercícios de alta intensidade
A prática de exercícios é uma das medidas mais importantes para prevenir não apenas o AVC, como outras doenças cardiovasculares. No entanto, ao realizá-la, seja nas primeiras horas do dia ou não, são necessários cuidados específicos, em especial para quem já possui histórico cardíaco, hipertenso ou sedentarismo.
“O principal cuidado é não iniciar exercícios muito intensos de maneira abrupta, especialmente logo após sair da cama. O ideal é começar com um aquecimento de 5 a 10 minutos, realizando atividades leves e aumentando gradualmente a intensidade. Esse aquecimento permite que o coração, a circulação e os músculos se adaptem ao esforço”, conclui a neurologista Gisele Sampaio.

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