
Claudia MeirelesColunas

Mostra Modernismos abre temporada artística de 2026 na Cerrado Galeria
Exposição Modernismos reúne obras fundamentais da arte moderna no Planalto Central e abre a programação cultural de 2026 na Cerrado Galeria
atualizado
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A Cerrado Galeria inaugurou, na quarta-feira (25/2), a exposição Modernismos: uma e muitas Brasílias, marcando o início de sua programação de 2026. Com curadoria de Carlos Lin, a mostra propõe um mergulho na produção artística ligada à formação cultural da capital federal, especialmente entre as décadas de 1960 e 1970.
Casa cheia e clima de reencontro marcaram a abertura da exposição. A mostra inaugura oficialmente a programação de 2026 do espaço e revisita um dos períodos mais decisivos para a consolidação artística da capital federal.
Reunindo obras de dezoito artistas fundamentais para a consolidação do modernismo no Planalto Central, a exposição apresenta diferentes linguagens — entre pintura, gravura, desenho, escultura, objeto e tecelagem — evidenciando o caráter experimental que acompanhou o nascimento de Brasília.
Entre os nomes presentes estão referências centrais da arte brasileira, como Alfredo Volpi, Roberto Burle Marx, Athos Bulcão, Glênio Bianchetti e Lêda Watson, além de outros artistas que participaram ativamente da construção simbólica e estética da nova capital.

Brasília como projeto moderno
Segundo o curador Carlos Lin, a exposição parte da própria origem conceitual da cidade. Antes mesmo de sua inauguração, em 21 de abril de 1960, Brasília já existia como ideia: um projeto de interiorização do poder e afirmação da modernidade brasileira.
“A própria Brasília é herdeira do princípio da ruptura que define o moderno”, escreve Carlos Lin, ressaltando que o modernismo no Planalto Central foi construído coletivamente por artistas vindos de diferentes regiões do país e do mundo.

Planejada por Lúcio Costa e materializada em projetos de Oscar Niemeyer, com contribuições artísticas e paisagísticas de nomes como Burle Marx e Athos Bulcão, a capital nasceu como um experimento urbanístico, arquitetônico e cultural que atraiu artistas, professores e criadores de diferentes regiões do país.
“A exposição traz um conjunto de obras relacionadas diretamente com a história da cidade e seu início. Nós organizamos três grandes núcleos que ajudam a compreender como essa produção artística se estruturou naquele momento”, explicou o curador Carlos Lin durante a abertura.
Segundo ele, o primeiro núcleo reúne artistas convidados para participar da inauguração da cidade; o segundo destaca professores que atuaram na Universidade de Brasília nas décadas de 1960 e 1970; e o terceiro apresenta artistas independentes que criaram ateliês livres e ajudaram a consolidar a cena cultural local.
Memória preservada
Durante a abertura, o sócio-fundador da Cerrado Cultural, Lúcio Albuquerque, destacou o caráter histórico do projeto. Segundo ele, embora a galeria atue no mercado de arte, a exposição nasce como um gesto de preservação e valorização da memória artística da cidade.
“Esse projeto nos interessou muito porque é uma forma de mostrar o que se produziu nos anos 1960 e 1970, o período modernista de Brasília. Reunimos artistas extremamente expressivos dessa época e trabalhos que registram inclusive o início da cidade”, afirmou.
Grande parte das obras expostas não está à venda, reforçando o caráter de homenagem aos artistas e aos agentes culturais que contribuíram para consolidar a produção modernista em Brasília.
“É uma maneira de celebrar e valorizar esses artistas que foram tão importantes”, afirmou.


Raízes culturais do Centro-Oeste
Inspirada na imagem das raízes profundas da vegetação do Cerrado, a exposição reafirma o compromisso da galeria com a valorização da história da arte produzida no Centro-Oeste brasileiro e com a circulação de sua memória cultural.
Mais do que revisitar o passado, Modernismos: uma e muitas Brasílias propõe múltiplos olhares sobre o modernismo fora do eixo tradicional Rio–São Paulo, evidenciando como diferentes trajetórias ajudaram a construir a identidade artística da capital.
Veja os destaques do evento pelas lentes de Guilherme Guimarães e João Monteiro:
Confira quem esteve presente na inauguração, pelas lentes de Gustavo Lucena:














































































Serviço
Modernismos: uma e muitas Brasílias
Curadoria: Carlos Lin
Local: Cerrado Galeria, na QI 5 do Lago Sul
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