Metrópoles Catwalk cresce e consolida Brasília no circuito da moda nacional
Da estreia no Teatro Nacional à ocupação da Arena Mané Garrincha, evento ampliou desfiles, estrutura e experiências em três edições

Em menos de um ano, o Metrópoles Catwalk percorreu um caminho marcado pela expansão. O evento, que nasceu em novembro de 2025 no foyer da Sala Villa-Lobos, no Teatro Nacional Claudio Santoro, chegou à terceira edição, encerrada nessa sexta-feira (18/9), ocupando pela primeira vez a Arena Mané Garrincha.
A mudança de endereço é a imagem mais evidente dessa trajetória, mas está longe de ser a única. Os desfiles, inicialmente concentrados em três dias, passaram a ocupar cinco noites; a estrutura ganhou novas proporções; o casting passou a reunir nomes conhecidos ao longo da programação; e a experiência oferecida ao público incorporou novos elementos.
“Muitas mudanças ocorreram, mas sem mudar a essência do evento. Na primeira edição eram três dias de desfile, agora são cinco dias. O fato de trazermos modelos famosas para cada um dos dias também foi um diferencial. No primeiro, só tínhamos em um dos dias, e trouxemos grandes nomes, já abrindo o evento com Yasmin Brunet”, explica Nicole Meyer, engenheira que integra a equipe responsável pela realização do Metrópoles Catwalk.



O começo no Teatro Nacional
A história começou entre 3 e 7 de novembro de 2025. Realizado no Teatro Nacional Claudio Santoro, o primeiro Metrópoles Catwalk reuniu moda, arte e formação em uma programação gratuita, com desfiles, exposições, rodas de conversa e oficinas.
Embora o evento tenha ocupado cinco dias, os desfiles ficaram concentrados nos três últimos. Ao todo, 70 modelos integraram o casting, sendo 40 profissionais do Distrito Federal. Isabeli Fontana, Caroline Trentini, Vivi Orth, Cássia Ávila e Daiane Conterato estiveram entre os nomes de destaque que cruzaram a passarela.
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A primeira edição também estabeleceu uma característica que acompanharia o projeto: aproximar a produção brasiliense de nomes reconhecidos nacionalmente. Gloria Coelho celebrou 50 anos de carreira apresentando Léxicos, a centésima coleção da marca homônima, a convite da multimarcas brasiliense Jeté. Reinaldo Lourenço, convidado pela Magrella, apresentou a coleção Primavera/Verão 2026 e homenageou Cleuza Ferreira, fundadora da multimarcas e nome histórico da moda brasiliense.
Além da passarela, exposições, rodas de conversa e outras atividades ampliaram a programação, transformando o foyer da Sala Villa-Lobos em espaço dedicado a diferentes frentes do universo fashion.


Da estreia à expansão
Cinco meses depois, o Metrópoles Catwalk voltou ao mesmo endereço, mas com uma programação de desfiles ampliada. Realizada de 6 a 10 de abril de 2026, a segunda edição passou a ter cinco dias de passarela e reuniu 30 marcas do Distrito Federal e de outros estados.
O line-up combinou etiquetas autorais, multimarcas brasilienses e nomes de projeção nacional, mantendo o intercâmbio entre a produção da capital e criadores de diferentes partes do país.

A cenografia também ganhou uma nova leitura. Desenvolvido por Isadora Gobbo, Rafael Soares e Isabella Ferreira, o projeto buscou integrar moda e arquitetura, com cubos iluminados inspirados na fachada do Teatro Nacional, além de uma iluminação pensada para valorizar o painel de Athos Bulcão e os jardins do espaço.
A segunda edição, assim, ampliou a programação sem abandonar um elemento presente desde a estreia: a relação do Catwalk com espaços emblemáticos de Brasília.


Uma nova escala na Arena Mané Garrincha
Para a terceira edição, realizada entre 14 e 18 de setembro, o Catwalk deixou pela primeira vez o Teatro Nacional. A Arena Mané Garrincha apresentou um desafio diferente: transformar um espaço de grandes dimensões, associado principalmente ao esporte e aos grandes shows, em ambiente de moda.
“As outras duas edições foram no teatro e agora, no estádio, temos um espaço bem maior, que tem uma beleza natural enorme. Mas, como é um lugar esportivo, adaptamos para um espaço de moda e tivemos uma cenografia totalmente diferente das outras edições, que inclusive puxou mais para uma pegada de verão”, conta Nicole.


O projeto assinado por Isadora Gobbo e Rafael Soares buscou referências no verão tropical e em grandes semanas de moda internacionais. A passarela ganhou formato inspirado em ondas e foi posicionada entre os pilares da Arena, incorporando características da arquitetura do estádio à cenografia.
Segundo Nicole, as dimensões do novo endereço permitiram ampliar a passarela e redistribuir os ambientes. O formato também foi alterado para aumentar o número de lugares na primeira fila e favorecer a visão do público.
“O estádio, por ser maior, permitiu aumentar o evento, inclusive a passarela, e dimensionar melhor as áreas. Colocamos um LED enorme, que aumentou ainda mais o brilho do evento”, relata.

Adaptar um estádio ao universo fashion, entretanto, exigiu uma nova operação.
“O maior desafio foi, com certeza, o local novo, toda uma logística e adaptação por trás disso. Nossas arquitetas se dedicaram muito nessa cenografia totalmente diferente das outras edições e arrasaram nisso. O desafio também foi trazer conforto para o público em um local de dimensões tão grandes e que é mais voltado para jogos de futebol e shows”, afirma.


A experiência para além da passarela
A evolução também apareceu nos detalhes pensados para quem acompanhou a programação. De acordo com Nicole, a equipe estudou o tempo entre os blocos de desfiles, criou mais espaços destinados a fotos e trabalhou a disposição da passarela para melhorar a experiência visual: “Aumentamos a passarela e mudamos o formato para que tivessem mais pessoas em primeira fileira e todos tivessem uma visão melhor.”
“Estudamos melhor o tempo entre os blocos para que ficasse um tempo legal para o público, mais espaços para as pessoas tirarem foto e uma exposição de roupas em um ambiente diferenciado para as pessoas desfrutarem melhor da experiência”, detalha.



Uma das novidades foi justamente a exposição rotativa de peças apresentadas no Catwalk. Com 20 manequins, além de acessórios como bolsas, chapéus e joias, a mostra era atualizada diariamente e permitia observar de perto elementos que poderiam passar despercebidos durante os minutos de um desfile.
Nos bastidores, a busca por uma vaga na terceira edição também ganhou dimensão nacional. Um casting presencial realizado em São Paulo, em julho, reuniu 452 modelos. O elenco do evento contou com profissionais do Distrito Federal, de São Paulo e de Goiás.
Na passarela, nomes conhecidos foram distribuídos pelos diferentes dias da programação. Yasmin Brunet esteve na abertura da edição, enquanto Vivi Orth, Jhona Burjack, Raica Oliveira, Renata Kuerten, Ellen Milgrau, Gianne Albertoni e Negra Li estiveram entre os destaques que cruzaram a passarela ao longo da semana.



Brasília como palco para a moda
Ao chegar à terceira edição, o Metrópoles Catwalk reuniu mais de 30 marcas nacionais ao longo de cinco noites na Arena Mané Garrincha. Para Nicole, o crescimento também pode ser percebido na resposta do público e no interesse de marcas em integrar a programação.
“Com certeza, o público, que a cada edição cresce, a quantidade de marcas interessadas em participar, que também vai aumentando a cada edição, a quantidade de celebridades que trouxemos e o engajamento do público, que cada vez demonstra mais animação e interação com o evento”, afirma.
Do foyer de um dos principais monumentos culturais da capital à escala de um estádio, três edições foram suficientes para a iniciativa experimentar formatos, ampliar a programação e construir uma relação cada vez mais próxima com a cena fashion brasiliense.
Na avaliação de Nicole Meyer, essa conexão resume o caminho percorrido até aqui: “O Metrópoles Catwalk hoje já é uma marca de Brasília e, muito além disso, mostra para todo o Brasil que Brasília é palco para a moda.”



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