Claudia Meireles

Kim Kardashian expõe desafios da guarda compartilhada após o divórcio

Kim Kardashian acende debate sobre coparentalidade. Especialistas explicam por que a guarda compartilhada ainda é desigual entre mães e pais

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

@kimkardashian / Instagram / Reprodução
Design sem nome (3)
1 de 1 Design sem nome (3) - Foto: @kimkardashian / Instagram / Reprodução

Em sua recente participação no podcast Call Her Daddy, Kim Kardashian abriu o jogo e o coração sobre um tema delicado: a rotina da coparentalidade após o divórcio de Kanye West.

Longe dos flashes e dos tapetes vermelhos, a empresária de 44 anos revelou que o ex-marido “não telefona para os filhos há alguns meses” e que tem criado as crianças em tempo integral.

“Eles moram comigo, e eu sempre incentivo uma relação boa e saudável entre meus filhos e o pai deles. Acho que ele sabe disso — eu insisto nisso o tempo todo —, mas também os protejo quando é necessário. Tudo acontece em ondas e fases”, contou.

Kim explicou que, embora Kanye tenha direito de conviver com as crianças, sua presença tem sido intermitente. Ela nega, no entanto, os rumores de que impediria o rapper de vê-los.

“Isso não é verdade de forma alguma”, garantiu, afirmando que tem provas de mensagens e ligações trocadas entre eles.

A confissão da estrela e mãe de North, Saint, Chicago e Psalm, acendeu um debate global sobre a coparentalidade moderna: quando o ideal da guarda compartilhada se choca com a realidade da sobrecarga feminina.

Kim Kardashian expõe desafios da guarda compartilhada após o divórcio - destaque galeria
6 imagens
Saint West, 9
Chicago West, 7
Psalm West, 6
Kim Kardashian e filhos
Kim Kardashian e filhos
North West, 12
1 de 6

North West, 12

@kimkardashian / Instagram / Reprodução
Saint West, 9
2 de 6

Saint West, 9

@kimkardashian / Instagram / Reprodução
Chicago West, 7
3 de 6

Chicago West, 7

@kimkardashian / Instagram / Reprodução
Psalm West, 6
4 de 6

Psalm West, 6

@kimkardashian / Instagram / Reprodução
Kim Kardashian e filhos
5 de 6

Kim Kardashian e filhos

@kimkardashian / Instagram / Reprodução
Kim Kardashian e filhos
6 de 6

Kim Kardashian e filhos

@kimkardashian / Instagram / Reprodução

O que diz a lei

No Brasil, a guarda compartilhada é o modelo legal padrão desde 2014, estabelecendo que pai e mãe devem dividir igualmente direitos e deveres sobre os filhos. Na teoria, trata-se de um formato que busca equilíbrio e corresponsabilidade.

Na prática, as coisas nem sempre funcionam assim. A advogada Isabela Torres explica:

“A guarda compartilhada é um modelo de responsabilidade parental em que ambos os genitores participam ativamente das decisões sobre a vida do filho — escola, saúde, rotina, atividades — dividindo direitos e deveres. A criança tem um lar de referência, mesmo que o outro genitor participe ativamente.”

Segundo a especialista, muitas pessoas confundem guarda compartilhada com guarda alternada, que é quando a criança mora períodos intercalados com cada genitor.

“É importante lembrar que toda guarda alternada é compartilhada, mas nem toda guarda compartilhada é alternada”, pontua.

Apesar do avanço legal, Isabela destaca um fenômeno recorrente: a “guarda compartilhada fake”, quando o acordo existe apenas no papel.

O problema não é a guarda em si, e sim a maternidade solo disfarçada de compartilhamento. É comum que as mães continuem sobrecarregadas, assumindo sozinhas as responsabilidades cotidianas, mesmo com a guarda formalizada. A cultura brasileira ainda impõe que o cuidado é papel exclusivo da mulher.

Isabela Torres

A advogada lembra que, quando o pai é ausente ou pouco participativo, é possível pedir uma reavaliação judicial da guarda, sempre considerando o melhor interesse da criança. Casos de alienação parental e descumprimento de acordos têm recebido atenção maior dos tribunais.

“É cada vez mais comum que a Justiça determine acompanhamento psicológico, multas ou visitas assistidas”, afirma.

Para Isabela, a solução passa por mais do que sentenças judiciais. “A guarda compartilhada precisa ser acompanhada por políticas públicas, mediação familiar e um olhar multidisciplinar que envolva psicólogos e sociólogos. Não é só uma questão de lei, é de cultura.”

Kim Kardashian e filhos

Quando a divisão pesa mais de um lado

Se a lei prevê equilíbrio, o cotidiano revela outra realidade. A psicanalista Beatriz Moutella explica que, mesmo com acordos bem estruturados, as mulheres continuam enfrentando uma sobrecarga emocional e simbólica herdada de séculos de patriarcado.

“Ainda vivemos, infelizmente, sob a influência dos ideais do patriarcado, com poucas superações em relação aos papéis e às funções da mulher na sociedade” Afirma a psicanalista.

“Tanto a mãe tem dificuldade em se desapegar do excesso de responsabilidades quanto o pai tende a normalizar e, na maioria das vezes, não compreender a dimensão das tarefas que precisam ser realizadas”, completou.

Esse desequilíbrio, segundo Beatriz, traz consequências diretas à saúde mental.

“A sociedade ainda espera da mulher um amor incondicional e abnegado. Essa idealização da maternidade produz culpa, ansiedade e exaustão. Muitas mães se sentem fracassadas por não darem conta de tudo”, diz.

Ainda ouvimos de muitas mães que vivenciam pais mais ativos e presentes, que eles a ‘ajudam’ muito. O que os desprende de um dever com o desenvolvimento e formação de seus filhos. A igualdade parental ainda é muito mais teórica do que efetiva. A divisão da guarda acaba sendo mais objetiva e formal do que simbólica […] Mesmo quando se tenta amenizar a sobrecarga por meio de acordos de corresponsabilidade, o afeto, a culpa e a expectativa social costumam levar a mulher a assumir o gerenciamento invisível da rotina dos filhos.

Beatriz Moutella

A psicóloga reforça que o diálogo entre os ex-parceiros é o principal fator de proteção emocional para os filhos.

“Filhos gostam de mãe e pai satisfeitos. Quando o casal vive em conflito, a criança absorve culpa e insegurança.”

Ela defende que a guarda compartilhada só é bem-sucedida quando há maturidade emocional dos dois lados.

“Não se trata de dividir tempo, mas de continuar sendo uma família — com novos contornos, mas com a mesma base de afeto e pertencimento.”

Kim Kardashian e filhos

Entre o público e o privado

O relato de Kim Kardashian ilustra uma realidade comum a muitas mulheres, famosas ou anônimas. A diferença é que, no caso dela, tudo acontece sob os holofotes.

Ao admitir que cria os filhos em tempo integral e que “há meses” não recebe uma ligação do pai, Kim deu voz a um sentimento coletivo: o de que a guarda compartilhada, muitas vezes, ainda é desigual.

Para a advogada Isabela Torres, reconhecer essa disparidade é o primeiro passo para uma transformação.

“Precisamos entender que compartilhar a guarda é, antes de tudo, compartilhar presença, decisões e afeto, não apenas direitos.”

Beatriz Moutella completa:

“Mães não deixam de ser humanas quando viram mães. E é importante que os filhos saibam disso, para crescerem entendendo que amor também é feito de limites e humanidade.”

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?