Claudia Meireles

Estudos apontam fruta que pode desencadear crises de enxaqueca

Embora seja refrescante e nutritiva, a fruta pode atuar como gatilho alimentar para pessoas com predisposição à enxaqueca

atualizado

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fruta boa para enxaqueca - Metrópoles
1 de 1 fruta boa para enxaqueca - Metrópoles - Foto: Reprodução/ Instagram

Consumida especialmente em dias quentes e considerada uma fruta leve e saudável, a melancia pode desencadear crises de enxaqueca em algumas pessoas. Pesquisas científicas indicam que cerca de um quarto dos pacientes que sofrem com enxaqueca relatam dor de cabeça após ingerir a fruta. O fenômeno está associado à presença de citrulina, um aminoácido abundante na melancia que, ao ser metabolizado pelo organismo, favorece a dilatação dos vasos sanguíneos — um dos mecanismos envolvidos no início das crises.

A relação entre o alimento e a dor de cabeça já foi observada em estudos que analisaram pacientes com histórico de enxaqueca. Em alguns casos, a dor surge relativamente rápido após o consumo, geralmente entre uma hora e meia e duas horas depois da ingestão da fruta. Ainda assim, especialistas destacam que a melancia não é um gatilho universal e que a maioria das pessoas pode consumi-la sem qualquer problema.

Segundo o neurologista Marcelo Marinho, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a reação costuma ocorrer em indivíduos que já têm predisposição para a doença.

“Em uma parte dos pacientes isso pode acontecer. Estudos mostram que até um quarto das pessoas com enxaqueca relatam dor de cabeça após consumir melancia. Isso não significa que a fruta seja um gatilho para todos, mas indica que, em pessoas predispostas, ela pode funcionar como desencadeante”, explica.

suco de melancia
A melancia tem grande quantidade de citrulina, que após transformações no organismo provoca dilatação dos vasos sanguíneos. Em pessoas com enxaqueca, o cérebro é mais sensível a essas mudanças

O papel da citrulina

A melancia é rica em citrulina, um aminoácido que passa por transformações metabólicas no organismo e contribui para a produção de substâncias capazes de promover a dilatação dos vasos sanguíneos. Para pessoas com enxaqueca, o cérebro pode ser mais sensível a essas alterações.

“Em pessoas com enxaqueca, o cérebro é mais sensível a essas mudanças, o que pode ativar os mecanismos que desencadeiam a crise”, afirma Marinho.
Foto colorida de mulher com as mãos no rosto - Metrópoles
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as cefaleias afetam aproximadamente 40% da população mundial

Esse processo pode ajudar a explicar por que determinados alimentos são capazes de precipitar episódios de dor em pacientes que já têm o sistema neurológico mais suscetível a estímulos externos, como alterações no sono, estresse ou certos componentes da dieta.

Nem todo mundo é afetado

Apesar da associação observada em alguns pacientes, especialistas reforçam que a melancia continua sendo um alimento saudável e seguro para a maior parte da população. A fruta é composta por cerca de 90% de água, além de fornecer vitaminas, minerais e antioxidantes importantes.

“O fenômeno ocorre principalmente em quem já tem enxaqueca. Para a grande maioria das pessoas, a melancia é apenas um alimento saudável e não provoca dor de cabeça”, destaca o neurologista.

Além disso, a quantidade ingerida também pode influenciar. Porções maiores tendem a aumentar a chance de desencadear sintomas em indivíduos sensíveis, embora algumas pessoas possam apresentar dor mesmo após pequenas quantidades.

Foto de stock de Um grande número de fatias cortadas de melancia - Metrópoles
A melancia é uma fruta segura para quem não tem pré-disposição para a condição

Como identificar gatilhos alimentares

Especialistas recomendam que pacientes com enxaqueca observem possíveis padrões entre alimentação e crises. Uma das estratégias mais utilizadas é manter um registro detalhado do que foi consumido e do momento em que a dor começou.

“O principal é observar repetição do padrão. Se a dor aparece várias vezes pouco tempo depois de consumir o mesmo alimento, é possível que ele esteja atuando como gatilho”, orienta Marinho.
Frutas tropicais em um prato de café da manhã, close-up. Melancia fresca, banana, maracujá, abacaxi, jaca, manga, mamão e laranja para comer em restaurante de praia, ilha de Zanzibar, Tanzânia, África
Ao observar a dieta, pacientes podem identificar alimentos que são gatinhos para a enxaqueca

O chamado “diário de cefaleia” — que pode ser feito em cadernos ou aplicativos específicos — ajuda médicos e pacientes a identificar fatores que contribuem para as crises. Caso a relação com um alimento seja confirmada, a recomendação nem sempre é eliminar totalmente o item da dieta.

“Muitas vezes, reduzir a quantidade já é suficiente. O mais importante é identificar os gatilhos individuais e adaptar a alimentação sem restrições desnecessárias”, conclui o especialista.

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