
Claudia MeirelesColunas

Estudos apontam fruta que pode desencadear crises de enxaqueca
Embora seja refrescante e nutritiva, a fruta pode atuar como gatilho alimentar para pessoas com predisposição à enxaqueca
atualizado
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Consumida especialmente em dias quentes e considerada uma fruta leve e saudável, a melancia pode desencadear crises de enxaqueca em algumas pessoas. Pesquisas científicas indicam que cerca de um quarto dos pacientes que sofrem com enxaqueca relatam dor de cabeça após ingerir a fruta. O fenômeno está associado à presença de citrulina, um aminoácido abundante na melancia que, ao ser metabolizado pelo organismo, favorece a dilatação dos vasos sanguíneos — um dos mecanismos envolvidos no início das crises.
A relação entre o alimento e a dor de cabeça já foi observada em estudos que analisaram pacientes com histórico de enxaqueca. Em alguns casos, a dor surge relativamente rápido após o consumo, geralmente entre uma hora e meia e duas horas depois da ingestão da fruta. Ainda assim, especialistas destacam que a melancia não é um gatilho universal e que a maioria das pessoas pode consumi-la sem qualquer problema.
Segundo o neurologista Marcelo Marinho, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a reação costuma ocorrer em indivíduos que já têm predisposição para a doença.
“Em uma parte dos pacientes isso pode acontecer. Estudos mostram que até um quarto das pessoas com enxaqueca relatam dor de cabeça após consumir melancia. Isso não significa que a fruta seja um gatilho para todos, mas indica que, em pessoas predispostas, ela pode funcionar como desencadeante”, explica.

O papel da citrulina
A melancia é rica em citrulina, um aminoácido que passa por transformações metabólicas no organismo e contribui para a produção de substâncias capazes de promover a dilatação dos vasos sanguíneos. Para pessoas com enxaqueca, o cérebro pode ser mais sensível a essas alterações.
“Em pessoas com enxaqueca, o cérebro é mais sensível a essas mudanças, o que pode ativar os mecanismos que desencadeiam a crise”, afirma Marinho.

Esse processo pode ajudar a explicar por que determinados alimentos são capazes de precipitar episódios de dor em pacientes que já têm o sistema neurológico mais suscetível a estímulos externos, como alterações no sono, estresse ou certos componentes da dieta.
Nem todo mundo é afetado
Apesar da associação observada em alguns pacientes, especialistas reforçam que a melancia continua sendo um alimento saudável e seguro para a maior parte da população. A fruta é composta por cerca de 90% de água, além de fornecer vitaminas, minerais e antioxidantes importantes.
“O fenômeno ocorre principalmente em quem já tem enxaqueca. Para a grande maioria das pessoas, a melancia é apenas um alimento saudável e não provoca dor de cabeça”, destaca o neurologista.
Além disso, a quantidade ingerida também pode influenciar. Porções maiores tendem a aumentar a chance de desencadear sintomas em indivíduos sensíveis, embora algumas pessoas possam apresentar dor mesmo após pequenas quantidades.

Como identificar gatilhos alimentares
Especialistas recomendam que pacientes com enxaqueca observem possíveis padrões entre alimentação e crises. Uma das estratégias mais utilizadas é manter um registro detalhado do que foi consumido e do momento em que a dor começou.
“O principal é observar repetição do padrão. Se a dor aparece várias vezes pouco tempo depois de consumir o mesmo alimento, é possível que ele esteja atuando como gatilho”, orienta Marinho.

O chamado “diário de cefaleia” — que pode ser feito em cadernos ou aplicativos específicos — ajuda médicos e pacientes a identificar fatores que contribuem para as crises. Caso a relação com um alimento seja confirmada, a recomendação nem sempre é eliminar totalmente o item da dieta.
“Muitas vezes, reduzir a quantidade já é suficiente. O mais importante é identificar os gatilhos individuais e adaptar a alimentação sem restrições desnecessárias”, conclui o especialista.
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