
Claudia MeirelesColunas

Filme A Hora do Rush 4 começa a ser produzido após pressão de Trump
Paramount retoma A Hora do Rush 4 após pressão de Trump, em acordo raro com a Warner que resgata Brett Ratner e revive a franquia de ação
atualizado
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A Paramount Skydance colocou oficialmente A Hora do Rush 4 em desenvolvimento após um fator incomum em Hollywood: a intervenção direta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo reportagens de Puck, Variety e CNBC, o mandatário pressionou o bilionário Larry Ellison — maior acionista do novo conglomerado Paramount Skydance — a retomar o projeto, que há anos circulava sem sucesso entre estúdios.

A franquia dirigida por Brett Ratner, responsável pelos três primeiros filmes, estava congelada desde 2017, quando o cineasta foi acusado de má conduta sexual por diversas mulheres durante o movimento #MeToo.
As denúncias, que ele sempre negou, afastaram financiadores e dificultaram a viabilização de qualquer novo projeto. Apesar disso, Ratner voltou ao radar recentemente ao dirigir um documentário de US$ 40 milhões (cerca de R$ 215 milhões) sobre Melania Trump para a Amazon MGM Studios.

Acordo raro entre Paramount e Warner
O novo filme será realizado sob um arranjo incomum: a Paramount distribuirá A Hora do Rush 4 nos cinemas e receberá uma taxa fixa, enquanto a Warner Bros — antiga dona da franquia através da New Line — ficará com parte das bilheterias antes que os financiadores recuperem o investimento.
Chris Tucker e Jackie Chan devem retornar aos papéis que os transformaram em ícones globais, apesar do desgaste natural do gênero de comédia de ação e da mudança no mercado cinematográfico pós-pandemia. Chan, hoje com 71 anos, tem participado menos de produções americanas, e Tucker não estrela um grande filme desde 2007.

A ofensiva cultural de Trump em Hollywood
A retomada do longa é vista como parte de um esforço mais amplo do presidente para “restaurar a masculinidade clássica” na cultura pop. Trump tem buscado reaproximar Hollywood do seu governo, nomeando informalmente nomes como Sylvester Stallone, Jon Voight e Mel Gibson como “embaixadores culturais”.
A intervenção direta no destino de A Hora do Rush 4 reforça essa estratégia. Segundo fontes da indústria, Trump enxerga no projeto uma oportunidade simbólica: reviver um modelo de blockbuster dos anos 1990 e 2000, baseado em ação, humor físico e duplas improváveis.
Um retorno que divide opiniões
A ressurreição do filme gera inúmeras críticas e questionamentos. Para alguns analistas, trata-se de um movimento politizado que dá sobrevida a um cineasta afastado por denúncias graves. Para outros, é apenas mais uma tentativa de capitalizar nostalgia em um mercado dominado por franquias recicladas.

Como escreveu o crítico Peter Bradshaw, do Guardian, a pergunta permanece:
“O mundo realmente precisa de A Hora do Rush 4?”
Para os estúdios — e agora para o governo americano — a resposta, ao que tudo indica, é sim.
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