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Excesso de melatonina: médica alerta os perigos do uso indiscriminado
A coluna conversou com uma médica para entender quais os perigos de exagerar no consumo de melatonina. Confira!
atualizado
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Para quem sofre de insônia, a suplementação com melatonina pode trazer o relaxamento necessário ao dormir, sem a necessidade do uso de remédios tarja preta para aliviar as tensões. Embora a solução seja facilmente encontrada nas prateleiras das farmácias, o uso indiscriminado do suplemento é capaz de trazer consequências graves para o organismo.
A fim de entender os riscos de uma possível dose em excesso, a coluna Claudia Meireles conversou com a médica Laiane Leite, pós-graduada em psiquiatria pelo hospital Albert Einstein de São Paulo.
A expert explica que, apesar de segura, a melatonina pode ter efeitos colaterais significativos se utilizada para além do recomendado. Ainda que seja mais raro, existem casos de reações graves.
Entenda
- A melatonina é um hormônio naturalmente produzido pelo organismo, e é responsável por regular o ciclo sono-vigília. Quando usada como suplemento, pode ser administrada em comprimidos ou em solução líquida.
- Seu uso é bastante difundido no tratamento da insônia, e pode ser recomendado, também, em casos de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) ou para auxiliar em condições como dores de cabeça intensas.
- Os efeitos colaterais mais comuns devido ao excesso do uso de melatonina incluem dor de cabeça, dor epigástrica, sonolência diurna, tontura e sonhos ou pesadelos vívidos.
- De acordo com a expert, esses efeitos são dose-dependentes, sendo mais frequentes quando se ultrapassam 10 mg por dia.
Entenda os perigos do uso indiscriminado de melatonina
A dosagem ideal do suplemento, informa a médica médica Laiane Leite, varia conforme a idade e a necessidade individual de cada paciente, sendo indispensável a recomendação médica para inclusão do suplemento na rotina.
“No geral, a recomendação para adultos está entre 5 a 6 mg, administrados 30 a 60 minutos antes de dormir. No entanto, estudos mostram que doses menores, como 1 mg, podem ser eficazes e apresentam menor risco de efeitos colaterais”, comenta.

Quando o uso extrapola as recomendações, a médica avalia que é possível, sim, que os pacientes sintam graves efeitos no corpo. “Dificuldade para respirar, dor torácica, aumento da pressão arterial, tremores ou até convulsões podem ser alguns dos sintomas. Nesses casos, o uso deve ser suspenso imediatamente e o paciente deve procurar atendimento médico”, alerta Laiane Leite.

Outro perigo está relacionado à interação medicamentosa. O suplemento pode interferir nos efeitos de alguns antibióticos, antidepressivos, anticoagulantes, anticoncepcionais orais e imunossupressores.
“O consumo junto a substâncias, como álcool, cafeína ou outros suplementos para indução do sono, pode alterar ou potencializar seus efeitos”, avalia a médica Laiane Leite.
Higiene do sono
Complementando a visão da médica, o nutricionista Matheus Maestralle chama atenção para a importância de fazer uma higiene do sono perto do horário de deitar.
A primeira medida é adotar um horário fixo para dormir e acordar — mesmo nos finais de semana. “Depois de estabelecer o melhor momento para ir para cama, é preciso deixar de lado as telas por pelo menos uma hora. Criar um ritual relaxante pode ser interessante, como tomar um banho morno, chá calmante ou uma leitura leve e medição”, indica.
O ambiente contribui para a sensação de relaxamento. Para Matheus, criar uma atmosfera calma, com luzes baixas e amareladas, favorece a indução do sono. “Antes de fechar os olhos, deixe o quarto escuro, silecioso e fresco”, comenta.
No que tange a alimentação, o expert chama atenção para os alimentos e bebidas pesados. “Nada de ultraprocessados e bebidas achocolatadas. A presença da cafeína deve ser moderada desde o entardecer para não influenciar no estado de alerta, especialmente à noite”, conclui.
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