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Estudo associa ultraprocessados a riscos à saúde e morte prematura
Um estudo analisou a associação do consumo de alimentos ultraprocessados e a morte prematura em oitos países, incluindo o Brasil
atualizado
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Refrigerantes, embutidos, macarrão instantâneo, salgadinhos industrializados e biscoitos recheados são apenas alguns alimentos que figuram na lista de ultraprocessados. Um estudo publicado no American Journal of Preventive Medicine examinou a relação entre o consumo desse tipo de alimento e a morte prematura em oito países, sendo eles, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, México, Austrália, Reino Unido e Estados Unidos.
No artigo, os pesquisadores introduziram que “há uma associação entre o alto consumo de alimentos ultraprocessados e o aumento do risco de diversas doenças crônicas não transmissíveis e mortalidade por todas as causas”. O principal nome da análise é o doutor em saúde global e sustentabilidade pela Universidade de São Paulo (USP) Eduardo Nilson. Ele também atua na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Entenda o estudo sobre a ingestão de alimentos ultraprocessados
- Primeiramente, foi realizada uma meta-análise dose-resposta de estudos observacionais de um grupo de pessoas ao longo de um período com a finalidade de avaliar a associação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e a mortalidade por todas as causas.
- Em seguida, estimaram o risco relativo combinado para mortalidade por todas as causas a cada incremento de 10% na porcentagem de alimentos ultraprocessados.
- Depois, foram estimadas as frações populacionais atribuíveis à mortalidade prematura por todas as causas relacionada aos alimentos ultraprocessados em consumo em oito países.
Com relação às conclusões, os estudiosos salientaram: “As descobertas reforçam que a ingestão de alimentos ultraprocessados contribui significativamente para a carga geral de doenças em muitos países, e sua redução deve ser incluída nas recomendações de diretrizes alimentares nacionais e abordada em políticas públicas.”

Vale destacar que a pesquisa foi feita entre novembro de 2023 e julho de 2024. Ao portal estadunidense Verywell Health, o doutor em saúde Eduardo Nilson frisou: “Quanto mais as pessoas consomem ultraprocessados, maior o risco [de morte prematura]”.
Por que esses alimentos são tão perigosos para a saúde?
Em entrevista anterior à coluna Claudia Meireles, a nutricionista Marcella Ammirabile explicou que os alimentos ultraprocessados são formulados industrialmente com ingredientes prejudiciais à saúde, a exemplo do açúcar, gorduras saturadas e sódio em grandes quantidades. Essas opções também trazem na composição aditivos químicos que visam aumentar o sabor e a vida útil do produto.

Segundo a especialista em nutrição clínica e esportiva funcional, a ingestão frequente dos alimentos ultraprocessados está associada a diversos problemas de saúde. Marcella mencionou a obesidade, desnutrição, inflamação no organismo e doenças crônicas, a exemplo de diabetes tipo 2, hipertensão, tipos de câncer e condições cardiovasculares.
A longo prazo, a ingestão excessiva desses alimentos pode desencadear desequilíbrios hormonais e problemas intestinais, além de contribuir para o desenvolvimento de depressão e ansiedade resultante da inflamação crônica, conforme esclareceu a nutricionista. O aumento do risco de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson, também é um dos impactos na saúde decorrentes do consumo.

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