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Dia da Mentira: 10 mitos nutricionais que muita gente ainda acredita
No 1º de abril, nutricionistas reforçam que a alimentação saudável depende menos de modismos e mais de equilíbrio, contexto e conhecimento
atualizado
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No Dia da Mentira, vale lembrar que algumas das “verdades” mais repetidas sobre alimentação também merecem ser questionadas. Carboidrato engorda, ovo faz mal ao coração, comer à noite sabota a dieta, água com limão emagrece: em meio a modismos, dietas virais e promessas milagrosas, os mitos nutricionais continuam ganhando espaço nas redes sociais e na rotina de muita gente.
O problema é que esse tipo de desinformação pode alimentar culpa, restrições desnecessárias e uma relação confusa com a comida. Na prática, especialistas reforçam que uma alimentação saudável não depende de fórmulas mágicas, e sim de equilíbrio, variedade e contexto.
Sobre o tema, a coluna Claudia Meireles entrevistou a nutricionista Bruna Aragão para esclarecer algumas dúvidas frequentes. A seguir, veja 10 mitos nutricionais comuns que ainda enganam muita gente:
1. “Carboidrato engorda”
Mito.
Os carboidratos são uma das principais fontes de energia do organismo e são importantes para o funcionamento do cérebro e dos músculos. O ganho de peso está relacionado ao excesso calórico total, e não ao consumo isolado de um único nutriente.

2. “Ovo faz mal ao coração”
Mito.
Por muito tempo, o ovo foi tratado como vilão por causa do colesterol. Hoje, a visão é mais equilibrada: para a maioria das pessoas, o consumo moderado pode fazer parte de uma alimentação saudável. O mais importante é o padrão alimentar como um todo.
3. “Comer à noite engorda”
Mito.
Não é o horário, por si só, que leva ao ganho de peso. O que influencia mais é quanto se come ao longo do dia e a qualidade das escolhas alimentares. Muitas vezes, o exagero noturno está ligado à rotina corrida, ao jejum prolongado ou ao estresse.

4. “Água com limão em jejum emagrece”
Mito.
A bebida pode ser refrescante e ajudar na hidratação, no entanto, não há comprovação de que ela queime gordura ou desintoxique o organismo. O corpo já conta com órgãos responsáveis por esse processo, como fígado e rins.
5. “Glúten faz mal para todo mundo”
Mito.
O glúten só precisa ser evitado por pessoas com doença celíaca, alergia ao trigo ou sensibilidade diagnosticada. Fora desses casos, excluí-lo sem orientação não torna a alimentação automaticamente mais saudável.
“Quando pensamos no glúten, tendemos sempre a pensar que o que vai ‘engordar’ é o pãozinho de todos os dias de manhã, mas esquecemos que muitas vezes o consumo de glúten está relacionado a alimentos mais calóricos, com mais gordura ou quantidades altas de açúcar, como bolo, pizza e hambúrguer. O problema está no consumo elevado desses alimentos, não no glúten em si. Da mesma forma que comer um pãozinho todos os dias não irá te engordar, comer esses alimentos na quantidade correta também não”, explica Bruna.
6. “Suco detox limpa o organismo”
Mito.
Não existe evidência científica sólida de que sucos detox façam uma “limpeza” no corpo. Embora frutas, verduras e legumes sejam importantes, o organismo já tem mecanismos naturais para eliminar substâncias e manter o equilíbrio interno.
“A ‘mágica’ dos sucos detox nada mais é do que fornecer as vitaminas necessárias para que os órgãos, reais responsáveis por essa ‘limpeza’, como o fígado, tenham todos os nutrientes necessários para que esse processo aconteça”, explica Bruna Aragão.
7. “Produtos diet e light são sempre saudáveis”
Mito.
Nem todo produto com esse tipo de rótulo é necessariamente uma boa escolha. Muitos alimentos “diet” ou “light” podem ter mais sódio, adoçantes, gorduras ou aditivos para compensar sabor e textura. Ler o rótulo continua sendo essencial.

8. “Leite inflama o corpo”
Mito.
Para quem não tem intolerância à lactose, alergia à proteína do leite ou outra condição específica, o leite pode fazer parte de uma alimentação equilibrada. Generalizar esse tipo de exclusão sem necessidade pode até empobrecer a dieta.

9. “Comer de 3 em 3 horas acelera o metabolismo”
Mito.
A frequência das refeições não acelera o metabolismo automaticamente. O que realmente pesa é o total de alimentos consumidos, além da composição da dieta, da rotina e das necessidades individuais.
10. “Jejum intermitente é a melhor forma de emagrecer”
Mito.
O jejum intermitente pode funcionar para algumas pessoas, entretanto, não é superior para todo mundo. Quando há perda de peso, ela costuma estar mais ligada à redução do consumo calórico total do que a uma “vantagem metabólica” do método.

Menos modismo, mais equilíbrio
No fim das contas, a alimentação saudável não se constrói com medo, culpa ou promessas extremas. Mais do que cortar alimentos ou seguir tendências virais, o caminho mais seguro costuma ser apostar em uma rotina alimentar possível, equilibrada e sustentável.
“A dieta mais efetiva é a que se encaixa na sua rotina, hábitos e preferências alimentares. Comer vai muito além de fornecer nutrientes para o corpo, e entender isso torna nossa relação com a comida mais leve e prazerosa”, finaliza a nutricionista.
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