Coisa de criança? Veja o que experts têm a dizer sobre o uso de telas
A coluna conversou com especialistas da área da saúde para entender como garantir uma infância saudável, mesmo sob influência das telas

As novas gerações cresceram no universo das telas e da internet. Embora a ferramenta facilite o dia a dia, as recentes tecnologias têm gerado preocupação quanto ao desenvolvimento cognitivo e psicossocial de crianças e adolescentes. Por exemplo: quais são as consequências dessa exposição a longo prazo para os pequenos?
A coluna Claudia Meireles conversou com especialistas da área da saúde para compreender como garantir uma infância saudável mesmo diante de tantos monitores. Confira!
Idade recomendada para o uso dos dispositivos

Diante das evidências associadas ao uso de telas, diversos grupos se formaram para incentivar os pais e responsáveis que tentam driblar essas influências. Um exemplo é o Smartphone Free Childhood, uma organização de base no Reino Unido que já conta com 60.000 membros.
Mesmo com os esforços, é difícil até para os adultos se manter fora do mundo on-line. De acordo com a otorrinolaringologista Karolina Rocha, uma boa forma para prevenir os problemas associados à tela é entender as recomendações para cada faixa etária.
“Crianças de 2 a 5 anos precisam ter o uso de telas limitado a uma hora por dia, sempre com supervisão de um adulto. De 6 a 10 anos, o tempo máximo recomendado é de 1 a 2 horas diárias, também sob supervisão. Já quando se trata da fase da adolescência, entre 11 e 18 anos, o tempo deve ser restrito a 2 a 3 horas por dia, evitando o uso durante a noite para prevenir distúrbios do sono”, explica.
Afinal, como as telas comprometem o desenvolvimento das crianças?

Karolina também explica que as consequências em relação ao uso de telas podem ser significativas quando as crianças estão aprendendo a falar. “Estudos mostram que o uso de telas antes dos dois anos tem causado alteração tanto no processo de aprendizagem da fala quanto no desenvolvimento da criança como um todo”, revela.
A especialista revela, ainda, que o atraso na linguagem pode estar ligado com a falta de interação fora do universo digital.
“Quando a criança está desenvolvendo a fala, acontece um processo importante chamado de mímica facial. Os pequenos aprendem por repetição e se eles tiveram o costume de assistir muito desenho, haverá uma dificuldade maior em observar as expressões faciais. Isso, com certeza, compromete e atrasa o desenvolvimento”, alerta Karolina.
Motricidade

Para o psicólogo clínico comportamental Jayme Pinheiro Rabelo, o uso precoce de dispositivos também pode afetar a motricidade dos pequenos.
“Antes dos 3 anos, a criança ainda está desenvolvendo noções de lateralidade, equilíbrio, percebendo a própria força, tendo um maior controle de velocidade. Como o celular promove um estimulo audiovisual e motor maior dos dedos, é possível perceber que a criança acabe demorando para desenvolver uma qualidade do processo de expressão, além de desenvolver menos os outros estímulos físicos”, explica.
Problemas de vista

A pediatra Natália Bastos aponta sobre os esforço visual das crianças ao utilizar dispositivos pequenos. “As crianças que assistem os vídeos em aparelhos menores, como celulares e tablets, têm um risco aumentado de desenvolver miopia devido ao foco prolongado em uma pequena área de luz”, explica.
Para a pediatra, uma opção de tela mais segura seria os aparelhos de televisão. “Além de garantir menos esforços, o dispositivo também oferece maior controle em relação aos conteúdos disponíveis”, comenta.
Saúde mental

Quando se trata do impacto das telas para a saúde mental, a resposta dos especialistas é unânime. Do ponto de vista da psicóloga Luísa Rodrigues, o dinamismo da informação dos conteúdos divulgados nas mídias sociais e o uso contínuo dessas plataformas podem acarretar em sérios problemas para os pequenos.
“A sobrecarga de informações rápidas pode levar a quadros de ansiedade e dificuldades de concentração. As crianças acabam preferindo a facilidade dos aparelhos digitais à interação social, o que pode gerar isolamento e frustração quando confrontadas com a realidade”, explica.
Para além de limitar o acesso das crianças, Luísa também destaca a importância do exemplo dos pais no uso de tecnologias. “Os pais precisam dar o exemplo. Não adianta limitar o uso dos aparelhos para as crianças, se os próprios pais estão constantemente conectados”, finaliza.
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