Claudia Meireles

Caminhar 4 mil passos duas vezes por semana pode ser revolucionário

Estudo aponta que caminhar 4 mil passos uma ou duas vezes por semana já traz benefícios ao coração e reduz riscos de doenças

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Getty Images
Woman’s feet walking on a sunlit pathway, wearing white sport shoes
1 de 1 Woman’s feet walking on a sunlit pathway, wearing white sport shoes - Foto: Getty Images

Pesquisas revelam que até pequenas doses de movimento, como caminhar por alguns minutos, podem reduzir o risco de doenças cardíacas e morte precoce em mulheres mais velhas. Especialistas reforçam que o importante é se manter em movimento, como for possível.

Nem 10 mil, nem 7 mil: 4 mil já fazem diferença

Durante anos, a meta dos 10 mil passos diários foi quase uma regra para quem buscava saúde e longevidade. Mas um novo estudo publicado no British Journal of Sports Medicine mostra que bem menos pode ser suficiente, especialmente para mulheres acima dos 60 anos.

A pesquisa acompanhou mais de 13 mil mulheres com idade média de 72 anos e descobriu que dar 4 mil passos em apenas um ou dois dias da semana já estava associado a 27% menos risco de doenças cardíacas e 26% menor risco de morte precoce.

A constatação surpreende: não é preciso se exercitar todos os dias para ter ganhos reais. Pesquisadores envolvidos no estudo afirmaram que não é necessário se exercitar todos os dias, desde que se mantenha em movimento com certa frequência.

Caminhar traz muitos benefícios para o coração

O movimento é o segredo, não a meta

O estudo foi conduzido por pesquisadores do Brigham and Women’s Hospital e da Harvard T.H. Chan School of Public Health, sob liderança do médico Rikuta Hamaya, e acompanhou as voluntárias por 11 anos.

Os resultados mostraram que mulheres que atingiam a marca de 4 mil passos em três ou mais dias chegaram a reduzir o risco de morte em 40% e, a partir daí, os benefícios pareciam se estabilizar.

Para Hamaya, o ponto principal é abandonar a ideia de perfeição e focar na constância:

“O mais relevante é o volume total de movimento, não se ele acontece todos os dias. O foco deve ser mover-se mais, de forma sustentável.”

Ou seja, o que conta é o conjunto da obra. Cada passo, mesmo que dentro de casa, tem valor.

“O coração gosta de movimento, não de sedentarismo”

Caminhar 4 mil passos duas vezes por semana pode ser revolucionário - destaque galeria
5 imagens
Doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as mulheres no Brasil
Quatro mil passos são cerca de 30 a 40 minutos de caminhada leve a moderada
É importante respeitar o corpo, mas nunca deixar de se movimentar
Qualquer movimento conta
O segredo é manter a constância
1 de 5

O segredo é manter a constância

Getty Images
Doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as mulheres no Brasil
2 de 5

Doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as mulheres no Brasil

Getty Images
Quatro mil passos são cerca de 30 a 40 minutos de caminhada leve a moderada
3 de 5

Quatro mil passos são cerca de 30 a 40 minutos de caminhada leve a moderada

Getty Images
É importante respeitar o corpo, mas nunca deixar de se movimentar
4 de 5

É importante respeitar o corpo, mas nunca deixar de se movimentar

Getty Images
Qualquer movimento conta
5 de 5

Qualquer movimento conta

Getty Images

O educador físico Randy Duarte reforça que a ciência vem comprovando há anos o poder da caminhada sobre a saúde cardiovascular:

“A partir de 7 a 8 mil passos por dia já vemos uma boa melhora na saúde do coração. Mas esse estudo mostra algo muito positivo: qualquer movimento conta. Mesmo 4 mil passos duas vezes por semana já ativam o corpo e fazem o coração trabalhar melhor. O segredo é começar de onde você está e manter a constância.”

Segundo Duarte, quatro mil passos equivalem a 30 a 40 minutos de caminhada leve a moderada, que pode ser fracionada ao longo do dia.

“Não precisa ser tudo de uma vez. Levantar, se mover e somar movimento já faz diferença.”

Por que o impacto é tão grande nas mulheres mais velhas

Com o passar dos anos, o corpo feminino passa por mudanças hormonais e metabólicas que afetam o sistema cardiovascular, especialmente após a menopausa. Segundo Duarte, esse público tende a se beneficiar muito do exercício regular:

“A caminhada ajuda a fortalecer ossos, músculos e o coração, além de manter o metabolismo ativo. É preciso respeitar os limites do corpo, mas nunca parar de se movimentar. O segredo está no equilíbrio entre proteção e estímulo.”

Mais de 60 milhões de mulheres nos Estados Unidos vivem com algum tipo de doença cardíaca. No Brasil, os números também chamam atenção:

  • As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres, segundo o Ministério da Saúde.
  • A hipertensão atinge 26,4% das brasileiras, contra 21,1% dos homens, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (2019).
  • O estudo Global Burden of Disease indica que a prevalência de insuficiência cardíaca é maior entre mulheres do que entre homens.
Mesmo pequenas doses de movimento ativam a circulação, melhoram a sensibilidade à insulina e reduzem inflamações

Esses dados reforçam um ponto levantado por Duarte:

“Muitas mulheres não reconhecem os sinais de alerta das doenças cardíacas, que nelas costumam ser mais sutis. Além disso, há pouca conscientização e acesso limitado a exames e acompanhamento regular.”

Começar pequeno é o melhor começo

Para quem quer sair do sedentarismo, Duarte recomenda começar devagar, mas com regularidade:

“Caminhadas leves de 10 a 20 minutos, três a cinco vezes por semana, já são um ótimo ponto de partida. O ideal é aumentar o tempo gradualmente, incluir alongamentos e exercícios simples de força. O foco deve ser a regularidade, não a intensidade.”

O educador lembra que mesmo pequenas doses de movimento funcionam como “gatilhos metabólicos”: ativam a circulação, reduzem inflamações e melhoram a sensibilidade à insulina.

“Mas o corpo precisa de frequência para manter esses mecanismos em ação.”

Nunca é tarde para recomeçar

A mensagem final é de incentivo. “Nunca é tarde para começar”, diz Duarte.

Muitas mulheres não reconhecem os sinais de alerta das doenças cardíacas

O corpo tem uma capacidade incrível de responder positivamente ao movimento em qualquer idade. Mesmo uma caminhada curta já melhora o coração, a mente e a autoestima.

Randy Duarte

Em resumo, o novo estudo reforça o que especialistas e cardiologistas vêm dizendo: não existe movimento pequeno quando o assunto é saúde do coração. Caminhar, subir escadas, cuidar do jardim — tudo conta.

E se 4 mil passos uma ou duas vezes por semana já ajudam, imagine o que pode acontecer quando esse hábito vira parte da sua rotina.

 

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?