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Aryane Emerick ensina como identificar intolerância ao glúten e à lactose

A nutricionista alerta para os sinais que nosso corpo dá e quais são os possíveis tratamentos para as doenças

atualizado 01/09/2020 12:53

Aryane EmerickReprodução/Instagram

Você sabia que 35% da população brasileira com idade acima de 16 anos é intolerante à lactose? E que a doença celíaca, caracterizada pela intolerância permanente ao glúten, acomete cerca de 1% da população mundial? Ambos são diagnósticos comuns e merecem ser melhor entendidos, sobretudo por quem suspeita apresentar um dos quadros. Vale lembrar que, não raramente, um distúrbio digestivo pode ser confundido com outras enfermidades por conta dos sintomas.

A nutricionista Aryane Emerick ensina como identificar as intolerâncias para encontrar o melhor tratamento:

O que é intolerância à lactose e como identificá-la

Em indivíduos saudáveis, após a chegada da lactose no intestino, ela sofre a ação da enzima lactase, quebrando essa molécula em duas: glicose e galactose, para assim, ser absorvida e desempenhar seu papel no organismo. Já em indivíduos que possuem a intolerância à lactose, ocorre um mecanismo de não aceitação da substância no corpo semelhante ao do glúten, que é uma baixa produção da enzima lactase ou até mesmo a sua ausência. Em casos como esses, a molécula de lactose permanece intacta no nosso intestino, causando drenagem ou absorção de água.

Pessoas com esse distúrbio digestivo costumam ter sintomas como flatulência, distensão e dor abdominal, contribuindo para episódios de diarreia, náuseas e vômitos. “O ideal é realizar alguns exames para diagnóstico, como os testes de intolerância à lactose (com a ingestão de doses de lactose, observando as reações que causam no indivíduo), teste de hidrogênio da respiração e teste de acidez nas fezes”, recomenda a nutricionista.

mãos sobre a barriga
Pessoas com esse distúrbio digestivo costumam ter sintomas como flatulência, distensão e dor abdominal

Segundo a especialista, a reação de intolerância à lactose pode ser causada de três formas diferentes, como deficiência congênita, com diagnóstico precoce (que acomete geralmente crianças); deficiência primária, com diminuição gradativa da produção de lactase ao longo da vida; ou deficiência secundária, em que geralmente há um histórico de outra situação que levou à intolerância.

Como tratar

A nutricionista explica que o ideal é ficar sempre atento ao rótulo de cada alimento, verificando a presença de lactose e pesquisar o que é mais recomendado ou não durante a alimentação. “Afinal, é necessário avaliar muito bem os alimentos para não se prejudicar ainda mais, já que o intestino é considerado o ‘segundo cérebro’ do corpo humano”, alerta.

Além disso, Aryane sugere que o indivíduo adapte receitas. “Na cozinha, a criatividade pode ir além para desenvolver novos pratos que se adequem a cada realidade”, complementa.

variedade de leites
Existem, no mercado, variadas opções de alimentos sem lactose
O que é intolerância ao glúten e como identificá-la

“O glúten é definido como uma proteína presente no trigo, cevada e centeio, ou seja, quando uma pessoa é diagnosticada com intolerância ao glúten, ao ingerir um alimento que apresente essa proteína, é desencadeado uma reação autoimune no organismo, que leva ao ataque nas paredes do nosso intestino, de forma intensa e constante”, informa a profissional.

É preciso, então, ficar atento aos rótulos de cada alimento, verificando se há presença de glúten ou não. “É importante lembrar que o nosso intestino desempenha muitas funções e se ocorre agressões constantes a este órgão, isso pode ocasionar em outras doenças, principalmente na saúde mental e física”, destaca a especialista.

Segundo Aryane, as causas da doença celíaca são genética, imunológica e ambiental. “A maioria dos casos ocorre na infância, entretanto, há casos de indivíduos que apresentam a intolerância na vida adulta e sofrem com diarreia, vômitos, perda de peso, dor de cabeça, dor articular, além de fraqueza”, afirma.

A nutricionista alega que, devido aos sintomas serem bem comuns, as pessoas acabam confundindo com outras doenças. Neste caso específico, há a necessidade de consultar um médico gastroenterologista para avaliar e, por meio de um exame, realizar o diagnóstico dessa intolerância.

Como exemplo, a especialista justifica que pessoas que desenvolvem esse distúrbio digestivo apresentam uma diminuição das microvilosidades na mucosa do intestino. Associados ao processo de inflamação intensa, elas podem auxiliar na diminuição da produção da enzima lactase no nosso organismo, gerando, ainda, um quadro de intolerância à lactose.

pão fatiado
As causas da doença celíaca são genética, imunológica e ambiental

Os alimentos que possuem glúten são os que têm farinha de trigo, como pães, macarrão, biscoitos, centeio, cevada e malte (por exemplo, cervejas) e algumas marcas de aveia (por conta da contaminação cruzada).

Questionada pela coluna Claudia Meireles se uma pessoa pode ser intolerante a glúten e lactose, a profissional responde que sim. “As duas  agridem o intestino; podem prejudicar a absorção de nutrientes; e podem causar sintomas similares, como diarreia, constipação, dor e/ou distensão abdominal, dor articular e enxaqueca”, pondera.

“Por vezes, recuperando esse intestino, sem o glúten por um tempo, voltamos a tolerar a lactose”

Aryane Emerick

Os exames mais utilizados para detecção da doença celíaca são o anticorpo antitransglutaminase tecidular e o anticorpo antiendomísio. Além disso, deve ser confirmado o diagnóstico com uma endoscopia com biópsia do intestino delgado. “Mas não se preocupe. Atualmente, já encontramos vários produtos e preparações sem glúten, desde pães, macarrões e até massas de pizza”, conta.

“Conseguimos inovar bastante na cozinha com várias outras farinhas sem glúten, a exemplo da farinha de amêndoas, de aveia e de arroz”, completa. Consulte um nutricionista para adequar sua dieta e focar nos nutrientes necessários para recuperação do intestino e prevenção de complicações.

Sobre a especialista

Aryane Emerick é nutricionista chefe da N2B, formada pelo Centro Universitário São Camilo, pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional pela VP Consultoria e pós-graduanda em MBA de Gestão em Saúde no Centro Universitário São Camilo.

Para saber mais, siga o perfil da coluna no Instagram.

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