
Andreza MataisColunas

Toffoli travou apuração contra advogado considerado “figura instrumental” de Vorcaro
Ministro Dias Toffoli autorizou contrato do advogado Daniel Leite, considerado “figura instrumental” do dono do Master pela Kroll
atualizado
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O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu uma investigação contra um advogado apontado como “figura instrumental” do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Na decisão monocrática de 30 de setembro de 2025, Toffoli determinou o trancamento de uma investigação do Ministério Público do Maranhão (MPMA) sobre a contratação do escritório de advocacia de Daniel de Faria Jerônimo Leite pela Câmara Municipal de Imperatriz. O contrato rende ao escritório cerca de R$ 180 mil por ano.
Leia aqui a íntegra da decisão de Dias Toffoli.
O contrato entre o escritório de Daniel Leite e a Câmara Municipal foi firmado em abril de 2023. Em abril de 2025, a Câmara Municipal decidiu renovar o contrato sem realizar nova licitação — o que, para o MPMA, poderia configurar improbidade administrativa.
Na decisão, Toffoli argumenta que não há improbidade administrativa sem dolo, isto é, sem intenção deliberada de cometer irregularidade. O ministro afirmou ainda que não havia “lastro mínimo” para acusar o escritório e a Câmara Municipal.
Dias Toffoli foi o primeiro relator do caso Master no STF. No entanto, deixou de conduzir as investigações em 12 de fevereiro, após a imprensa revelar que ele manteve relação comercial com Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, no Resort Tayayá, em Ribeirão Claro.
Como mostrou a coluna, o resort operava um cassino com máquinas caça-níquel e mesas de carteado.
A coluna procurou Dias Toffoli, por meio da assessoria de imprensa do STF, nesta segunda-feira (27), mas não houve resposta. O espaço segue aberto.
A relação de Daniel Leite com Vorcaro
Segundo investigação técnica da empresa Kroll, anexada a um processo movido pelo Banco de Brasília (BRB) contra Daniel Vorcaro, Daniel Leite atuou como “figura instrumental” de Vorcaro, de seu sócio Maurício Quadrado e do empresário João Carlos Mansur, da Reag.
A investigação da Kroll aponta que, em abril de 2025, Daniel Leite tomou um empréstimo de R$ 93,7 milhões e usou a maior parte dos recursos para comprar ações do BRB, por meio de fundos de investimento. Um deles, o Verbier, era administrado por Maurício Quadrado.
Para o BRB, Daniel Leite não teria capacidade patrimonial para obter esse empréstimo, já que seu patrimônio pessoal seria de cerca de R$ 6 milhões. No processo, o advogado — que também foi procurador municipal em São Luís — afirmou que a operação era compatível com seu patrimônio, estimado por ele em R$ 75 milhões.
Segundo Daniel Leite, além do escritório de advocacia, ele também seria proprietário rural. Em seu nome há uma empresa chamada D.L Agropecuária, com capital social registrado de R$ 200 mil. A empresa tem como endereço uma fazenda em Barra do Corda (MA).
