ONG de Manuela D’Ávila fez podcast pago por emenda a R$ 20 mil o episódio
Instituto E Se Fosse Você, de Manuela D'Ávila, recebeu R$ 100 mil em emenda de Carol Dartora (PT-PR) para podcast com cinco episódios

Uma ONG da ex-deputada e candidata ao Senado Manuela D’Ávila (PSOL-RS) usou R$ 100 mil de uma emenda parlamentar para produzir cinco episódios de um podcast apresentado pela própria Manuela. Ou seja, R$ 20 mil por episódio.
O podcast chama-se “ElaPod” e está disponível no YouTube e no Spotify.
O termo de fomento deixa clara a finalidade da emenda de R$ 100 mil: “apoiar a produção e difusão do podcast ‘ElaPod – Vozes das Mulheres’, composto por 5 episódios, no Estado do Paraná”.
O primeiro episódio, publicado em 5 de julho, teve como convidadas a ministra Marina Silva (Meio Ambiente) e a ex-deputada federal Áurea Carolina, hoje candidata ao Senado pelo PSOL de Minas Gerais.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA estreia não foi um sucesso de público. Até hoje, registra apenas 4.385 visualizações no YouTube. Já o episódio 2, com Kátia Abreu e Joice Hasselmann, foi visto 26 mil vezes. Ao todo, o “ElaPod” já teve 16 episódios: nove na primeira temporada e sete na segunda.
A própria Carol Dartora, autora da emenda que financiou o “ElaPod”, foi convidada para um dos episódios, publicado em 18 de junho. Ela participa ao lado da vereadora de Florianópolis Carla Ayres (PT). O episódio com as duas, o terceiro da série, foi visto apenas 355 vezes no YouTube.
A emenda de Carol Dartora chegou ao Instituto E Se Fosse Você por meio de um convênio com o Ministério da Igualdade Racial (MIR). O pagamento foi feito em 16 de janeiro deste ano.
O uso de emendas pela ONG de Manuela D’Ávila foi alvo de uma representação da deputada Bia Kicis (PL-DF) ao Tribunal de Contas da União (TCU).
Na representação, Kicis afirma que o podcast tem “caráter personalíssimo”, “diretamente vinculado à imagem e à atuação de sua fundadora (Manuela D’Ávila)”.
Ainda segundo o documento, o podcast inclui momentos de “endosso explícito à candidatura da apresentadora ao Senado Federal por parlamentares”.
“Em pelo menos quatro episódios (1, 4, 5 e 6), convidadas manifestam apoio expresso à eleição de Manuela D’Ávila ao Senado. O caso mais direto é o da deputada federal Fernanda Melchionna, no episódio 4, que declara lutar ‘para ter uma senadora comprometida com a luta das mulheres (…) como a minha querida amiga’ e, ao encerrar, ‘e claro, coloca a Manu no Senado’”.
Manuela D’Ávila foi procurada por meio de sua assessoria para comentar o caso no começo da tarde desta quinta-feira (10). Até o momento, não houve resposta. O espaço segue aberto.
Bia Kicis é mencionada em decisão de Dino sobre Dark Horse
Na manhã desta quinta-feira, a própria Bia Kicis foi mencionada na decisão do ministro Flávio Dino (STF) que autorizou a operação contra as ONGs da produtora Karina da Gama, do filme Dark Horse.
Como mostrou a coluna, a decisão cita um relatório da Polícia Federal que questiona o envio de emendas de Bia Kicis para um projeto da ONG em São Paulo, o que violaria regra fixada pelo STF sobre o tema. A decisão também menciona um relatório do Coaf que identificou “movimentações atípicas” da deputada.
À coluna, Bia Kicis afirmou que as investigações sobre emendas devem ocorrer “sem seletividade”.
“Essas emendas precisam ser fiscalizadas com rigor e sem seletividade. O Instituto E Se Fosse Você?, fundado por Manuela D’Ávila, recebeu mais de R$ 4 milhões em recursos públicos vinculados a emendas nos últimos anos, e há indícios de que parte desses recursos tenha sido utilizada em ações de promoção política e eleitoral”, disse.





