
Andreza MataisColunas

Gilmar dá 15 dias para Gaspar e Lindbergh falarem sobre acusações de estupro e corrupção
Gilmar Mendes é relator de petições envolvendo o relator da CPMI do INSS e o deputado petista sobre troca de acusações durante bate-boca
atualizado
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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu 15 dias para que os deputados Alfredo Gaspar (PL-AL) e Lindbergh Farias (PT-RJ), além da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), se manifestem sobre a troca de acusações ocorrida entre eles durante o encerramento dos trabalhos da CPMI do INSS, no fim de março.
Na ocasião, Lindbergh Farias acusou o relator da CPMI, Alfredo Gaspar, de “estuprador”, em referência a uma suposta relação extraconjugal dele com uma menor de idade, anos atrás.
Mais tarde, no mesmo dia, o petista e Soraya Thronicke convocaram uma entrevista coletiva e reiteraram as acusações, sem, no entanto, fornecer detalhes, como o nome dos envolvidos. Segundo Farias, esses dados foram repassados às autoridades responsáveis pela apuração.
No STF, Alfredo Gaspar apresentou uma queixa-crime contra Lindbergh pelo crime de calúnia. O deputado do Rio e a senadora socialista fizeram o mesmo em relação a Gaspar, após o alagoano revidar no bate-boca chamando Lindbergh de “ladrão”.
Nas decisões, Gilmar Mendes afirma apenas que ambas as queixas cumprem os requisitos mínimos para serem analisadas pelo STF, sem entrar no mérito das acusações.
A análise sobre se houve crime ou não, e se as manifestações estavam ou não amparadas pela imunidade parlamentar, será feita em momento posterior, diz Mendes.
Gaspar: tenho todo o interesse na investigação
À coluna, Alfredo Gaspar disse ser o maior interessado na apuração dos fatos. O deputado alagoano atribuiu o ataque do petista aos fatos apresentados por ele no relatório, e disse que sua defesa responderá ao ministro “com base em elementos concretos e irrefutáveis”.
“Tenho absoluto interesse na apuração rigorosa e transparente de todos os fatos. Fui vítima de uma acusação gravíssima, que até agora não teve qualquer comprovação. Não temo investigação; ao contrário, faço questão dela. A verdade não se constrói com narrativas, mas com provas, e é exatamente isso que será demonstrado. Mantenho minha coluna moral de pé e a certeza de que a verdade virá à tona diante das acusações levianas e criminosas”, disse ele.
“Com o intuito de descredibilizar e encobrir os fatos gravíssimos que apresentei no relatório, iniciaram ataques sistemáticos contra mim. Mas essa vilania não ficará impune”, alegou.
“Não aceitarei que tentem inverter os papéis, transformando quem age corretamente em alvo de ataques infames e criminosos. Sigo aguardando que os Conselhos de Ética da Câmara e do Senado também respondam aos meus pedidos de abertura de processos de cassação. Esse ataque criminoso que sofri não pode ficar impune”, disse, em nota.
