Andreza Matais

Empresa que contratou ex-nora de Lula aumentou capital em 113 vezes

Life Educacional saiu de R$ 300 mil para R$ 34 milhões em menos de 2 anos. Ex-mulher de filho de Lula e amigo do presidente foram alvo da PF

atualizado

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Polícia Federal
Coffee Break- PF apura fraudes em licitações e prende seis suspeitos
1 de 1 Coffee Break- PF apura fraudes em licitações e prende seis suspeitos - Foto: Polícia Federal

Uma empresa de tecnologia educacional investigada pela Polícia Federal (PF) aumentou o capital social em 113 vezes em apenas 1 ano e 11 meses. A empresa, Life Tecnologia Educacional, foi alvo da Operação Coffee Break, da Polícia Federal (PF), nesta quarta-feira (12/11). A mesma operação cumpriu mandados de busca e apreensão contra a ex-mulher de um filho do presidente Lula (PT).

Ao cumprir o mandado de busca e apreensão na casa de Carla Ariane Trindade, ex-nora de Lula, os policiais federais foram recebidos pelo próprio Marcos Cláudio Lula da Silva, que estava no local pela manhã.

A PF também realizou busca e apreensão na casa de Kalil Bittar, ex-sócio de Fábio Luís, o Lulinha, na Gamecorp. No primeiro governo Lula, a empresa recebeu um aporte de R$ 5 milhões da Oi, que conseguiu benefícios do governo do petista após o aporte.

Kalil é irmão de Fernando Bittar, um dos donos do sítio de Atibaia, propriedade que era usada pelo ex-presidente e que foi investigada na Operação Lava Jato.

Dados da Junta Comercial de São Paulo mostram que a empresa Life Tecnologia Educacional tinha capital social de R$ 300 mil até maio de 2022, quando seu capital social subiu para R$ 20 milhões. Nos anos que se seguiram, a empresa continuou crescendo de forma exponencial, pulando para R$ 24 milhões em 2023, e R$ 34 milhões em 2024.

O crescimento, segundo investigações da PF, seria proveniente de contratos públicos obtidos por meio de um esquema ilegal de influência. De acordo com o Estadão, no centro desse esquema estava a ex-nora do presidente Lula – alvo da operação da PF nessa quarta (12).

Kalil e Carla seriam os responsáveis por obter influência junto ao governo federal e teriam sido contratados por André Mariano, dono da Life Tecnologia Educacional, para favorecê-lo na liberação de recursos do Ministério da Educação (MEC) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Segundo a PF, Kalil teve “grande importância e participação no sucesso empresarial” da Life Educacional, “atuando em prol dos interesses de André Mariano na ‘prospecção de negócios’”.

A empresa é acusada de ter recebido cerca de R$ 70 milhões para o fornecimento de kits de robótica e livros superfaturados de prefeituras do interior do estado de São Paulo.

A lista de presos também inclui o vice-prefeito de Hortolândia, Cafu César (PSB). Cafu trabalhou para o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu em 2005, no auge do escândalo do Mensalão.

Como secretário de Hortolândia, Cafu Cesar foi recebido quatro vezes pelo chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, entre outubro de 2023 e janeiro de 2024. O UOL revelou que Marcola chegou a gravar um vídeo ao lado de Cafu, que expõe nas suas redes a relação de proximidade com o principal assessor do presidente. “Queremos agradecer ao chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Marcola, que também pegou a cidade de Hortolândia como prioridade”, diz num dos posts.

A coluna procurou a Life Tecnologia Educacional e aguarda resposta. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos investigados. O espaço segue aberto.

O que é a Operação Coffee Break

A Operação Coffee Break, deflagrada nessa quarta (12) pela PF, tem como objetivo investigar suposto esquema de fraudes em licitações públicas e desvios de recursos em contratos firmados com órgãos federais.

A ação contou com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Militar de São Paulo e resultou no cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão preventiva, expedidos pela 1ª Vara Federal de Campinas (SP). As diligências foram realizadas simultaneamente em São Paulo, no Distrito Federal e no Paraná.

De acordo com as investigações, o grupo suspeito teria atuado na manipulação de processos licitatórios e na contratação direta irregular de empresas mediante pagamento de propinas e favorecimentos.

Segundo a PF, os contratos sob suspeita envolvem fornecimento de serviços e materiais a órgãos públicos federais, com indícios de superfaturamento e pagamento por serviços não prestados.

Os agentes também investigam a participação de servidores públicos e empresários, apontados como beneficiários diretos do esquema.

 

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