Andreza Matais

Emenda da esposa bancou mansão de candidato líder ao governo do Pará

Emendas da deputada federal Dra. Alessandra Haber, do Pará, abasteceram empresas que pagaram casa dela e do marido em Fortim (CE).

atualizado

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Reprodução/Prefeitura de Ananindeua
ex-prefeito de Ananindeua, no Pará
1 de 1 ex-prefeito de Ananindeua, no Pará - Foto: Reprodução/Prefeitura de Ananindeua

Emendas parlamentares destinadas pela deputada federal Dra. Alessandra Haber (MDB-PA) acabaram abastecendo empreiteiras que ajudaram a pagar uma casa de praia de luxo da congressista em Fortim (CE), a duas horas de carro de Fortaleza.

Alessandra Haber é casada com o ex-prefeito de Ananindeua (PA), Dr. Daniel Santos (Podemos). No começo de abril, Santos renunciou ao cargo de prefeito para concorrer ao governo do estado do Pará — ele é o atual líder das pesquisas.

A casa de praia foi adquirida por Daniel e Alessandra já pronta, mobiliada e com todos os eletroeletrônicos, em outubro de 2024.

Mas nem o ex-prefeito nem a deputada federal pagaram qualquer parcela do imóvel: todos os pagamentos foram feitos por terceiros — tanto pessoas físicas quanto empresas, algumas das quais tinham contrato com a prefeitura de Ananindeua, então comandada por Daniel.

Essa informação foi repassada pela incorporadora que construiu a casa ao Ministério Público do Pará (MP-PA), que deu início à investigação do caso.

As emendas de Alessandra Haber foram enviadas para a prefeitura de Ananindeua em 2024, já no mandato do marido dela. Uma delas, uma “emenda pix” no valor total de R$ 17,5 milhões, teve parte dos recursos usada para pagar uma operação tapa-buracos (descrita como obra de “drenagem e recomposição asfáltica”) nas ruas de Ananindeua.

A obra foi executada pela Construtora Santa Cruz, sediada no município.

No dia 20 de dezembro de 2024, a prefeitura de Ananindeua pagou à Construtora Santa Cruz a maior parte do valor da obra (R$ 2,99 milhões). No mesmo dia, a empreiteira fez um depósito de R$ 500 mil para a incorporadora que vendeu a casa de luxo ao prefeito e à deputada federal.

Emendas parlamentares são modificações feitas por deputados e senadores à Lei Orçamentária Anual (LOA). Por meio delas, os congressistas destinam parte do Orçamento da União para obras ou serviços nos locais onde têm votos.

Este não é o único caso de emenda parlamentar de Alessandra Haber que acabou custeando a casa de praia da deputada.

Recursos de emendas dela também custearam uma obra de asfaltamento em Ananindeua, em 2024, executada pela empreiteira Norte Ambiental Gestão e Serviços LTDA. Nesse caso, o pagamento da prefeitura à empreiteira ocorreu em 11 de outubro de 2024.

Três dias depois, em 14 de outubro, um funcionário da empresa fez uma transferência bancária de R$ 200 mil em favor da incorporadora que vendeu a casa de praia ao ex-prefeito e à deputada.

Apesar do valor elevado, a casa de Dra. Alessandra e Dr. Daniel foi quitada em tempo recorde: apenas cinco meses, entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025.

A coluna não conseguiu contato com a prefeitura de Ananindeua nem com as empresas. O espaço segue aberto.

A coluna procurou Alessandra Haber por mensagem de texto na tarde desta sexta-feira (1º/5), mas ainda não houve resposta.

Fornecedoras da prefeitura do Pará na “vaquinha”

Além da Norte Ambiental e da Construtora Santa Cruz, outras empresas fornecedoras da prefeitura de Ananindeua também entraram na “vaquinha” para ajudar a pagar a casa de praia do prefeito.

A Neo BRS, por exemplo, fornece materiais escolares para a Secretaria de Educação da prefeitura. Em setembro e outubro, vendeu R$ 1,4 milhão em cadernos, canetas, tesouras e outros itens ao município.

No dia seguinte ao recebimento de um pagamento da secretaria, em 2 de outubro de 2024, a Neo pagou R$ 866 mil pela casa do prefeito.

Outra fornecedora da Secretaria de Educação, a Ferreira Comercial, transferiu R$ 521 mil para a “vaquinha” da casa de praia no mesmo dia em que recebeu um pagamento da prefeitura de Ananindeua, também em outubro de 2024.

Parte da investigação sobre o caso chegou a tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa do ex-prefeito Daniel Santos pedia a nulidade da apuração, alegando erros por parte do Ministério Público do Pará.

No entanto, no dia 13 de março o ministro Alexandre de Moraes atendeu ao pedido do MP-PA e determinou que o caso continue tramitando na Justiça paraense.

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