
Andreza MataisColunas

Defesa de presidente afastado do Corinthians quer levar caso para PF
Laudo anexado ao inquérito sustenta que a denúncia envolve uma empresa com sede em Curaçao. Portanto, Polícia Civil não poderia investigar
atualizado
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A defesa do presidente afastado do Corinthians tenta levar as investigações contra ele para a Polícia Federal. Um laudo anexado ao inquérito sustenta que a denúncia envolve uma empresa com sede em Curaçao. Portanto, nesse entendimento, qualquer investigação sobre o tema seria de competência da PF.
Os advogados de Augusto Melo realizam uma investigação defensiva, que corre em paralelo à da Polícia Civil. Como revelou a coluna, a defesa solicitou a quebra do sigilo do inquérito.
O dirigente foi afastado, acusado de desviar recursos do contrato com a patrocinadora VaideBet por meio de uma empresa de fachada. Trata-se do maior contrato de patrocínio da história de um clube de futebol brasileiro, no valor de R$ 360 milhões.

O laudo é assinado pelo presidente da Ordem dos Economistas do Brasil (OEB) e professor da USP, Manuel Enríquez Garcia.
No entendimento de Garcia, como a previsão de pagamento é em dólares americanos, por meio de uma intermediadora internacional, a natureza da operação ultrapassa o escopo da polícia estadual.
“O fluxo internacional de valores é questão de segurança econômica e soberania nacional, não sendo de competência da Polícia Civil, mas sim da Polícia Federal, que é especializada no assunto”, escreveu Garcia.
Defesa de presidente licenciado do Corinthians questiona associação com empresário
O laudo também questiona a associação criminosa entre o presidente afastado do Corinthians e o empresário Alex Cassundé, responsável pela intermediação do contrato de patrocínio do clube com a VaideBet – uma das principais suspeitas do inquérito.
A análise detalha que Cassundé, sócio da Rede Social Media Design Ltda., é o único nome que figura como intermediador entre a VaideBet e o Corinthians no contrato assinado em 4 de janeiro de 2024.
Pelo acerto, a empresa tem direito a uma comissão de 7% – ou seja, R$ 25,2 milhões. Porém, até maio de 2025, quando houve o afastamento de Augusto Melo, apenas R$ 1,4 milhão havia sido pago à intermediadora – apesar de, à época, o clube já ter recebido R$ 66 milhões da patrocinadora.
Para o professor Garcia, a ausência de repasses a Cassundé contradiz qualquer ilação de conluio com o presidente do Corinthians.
“Ou seja, embora sob a presidência de Augusto Pereira de Melo, o fato concreto é que o Sport Club Corinthians foi inadimplente com o Sr. Cassundé, o que, pela racionalidade econômica, demonstra um distanciamento entre eles”, escreveu Garcia.
A coluna teve acesso ao parecer, de 8 de julho, que integra os elementos arrolados pela defesa de Augusto Melo no curso das apurações.
Atualmente, o inquérito tramita na 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital de São Paulo.
