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Andreza Matais

CPMI do INSS quebra sigilo do sindicato do irmão de Lula nesta quinta

Irmão mais velho do presidente Lula, Frei Chico não está na lista de requerimentos a serem votados na CPMI do INSS

atualizado

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Ricardo Stuckert/ PR
CPMI do INSS Frei Chico, irmão de Lula e dirigente do Sindnapi
1 de 1 CPMI do INSS Frei Chico, irmão de Lula e dirigente do Sindnapi - Foto: Ricardo Stuckert/ PR

A CPMI do INSS vota nesta quinta-feira (11/9) uma lista de 406 requerimentos. Quatro deles têm alto potencial de desgaste para o governo Lula (PT): são os pedidos relativos ao Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos, o Sindnapi.

A entidade tem como vice-presidente o sindicalista José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão mais velho do presidente da República.

Há dois requerimentos para a quebra de sigilo, apresentados pela deputada Adriana Ventura (Novo-SP) e pelo senador Izalci Lucas (PL-DF).

Outros dois requerimentos, de autoria do senador Marcos Rogério (PL-RO) e de Izalci Lucas, pedem ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que encaminhe à CPMI do INSS os relatórios de inteligência financeira (RIFs) que eventualmente tenham sido feitos sobre o Sindnapi.

CPMI do INSS vota 205 pedidos de quebra de sigilo

Ao todo, a pauta inclui 205 pedidos de quebra de sigilo e de encaminhamento de RIFs. Apesar dos pedidos direcionados ao Sindnapi, não há, até o momento, requerimentos voltados especificamente a Frei Chico.

Segundo o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), ele pode vir a ser convocado caso surjam evidências de envolvimento dele na chamada “farra do INSS”, revelada pelo Metrópoles.

Dirigentes do Sindicato recebiam comissões em descontos de aposentados

Como mostrou a coluna, dirigentes do Sindnapi usavam uma empresa de familiares, chamada Gestora Eficiente LTDA, para receber comissões toda vez que um aposentado tinha desconto em seu benefício do INSS em nome da entidade.

Entre 2020 e 2023, a firma, controlada pelo marido da coordenadora jurídica do Sindicato, Tonia Galleti, e à esposa de Milton “Cavalo” Souza, presidente do sindicato, faturou ao menos R$ 4,1 milhões em repasses feitos pelo próprio Sindnapi, pelo banco BMG e pela seguradora Generali.

Nesse mesmo período, a arrecadação da entidade com descontos saltou de R$ 23 milhões para R$ 154,7 milhões — um aumento de 563,9% —, puxada por um acordo com o BMG que gerou milhares de filiações suspeitas.

Os documentos obtidos pela reportagem mostram que a maioria dos novos associados não se filiou diretamente ao sindicato, mas entrou por meio do banco, muitas vezes sem autorização.

Dirigentes do Sindnapi enriqueceram no período

O crescimento das comissões coincidiu com a ascensão patrimonial de dirigentes: Milton Cavalo construiu uma mansão com piscina em Ibiúna, enquanto sua esposa abriu uma empresa offshore em Miami.

Já família do sindicalista João Batista Inocentini, o João Feio, pai de Tonia Galleti, ergueu entre 2022 e 2024 uma mansão de 519 metros quadrados, com piscina e lago artificial, em um sítio no interior de São Paulo.

Apesar dos indícios, a Advocacia-Geral da União e o INSS têm sido cobrados por não moverem ações contra o Sindnapi na mesma intensidade aplicada a outras entidades.

Procurados, o sindicato, o BMG e a Generali negaram irregularidades, e a AGU afirmou que nada impede o ajuizamento de novas ações no futuro.

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