
Andreza MataisColunas

Chanceler Merz tem razão? Como Belém se compara a Berlim em 4 estatísticas
“Todos ficaram felizes por termos voltado, principalmente por sair daquele lugar”, disse chanceler alemão Friedrich Merz sobre Belém
atualizado
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O chanceler alemão Friedrich Merz, da União Democrata-Cristã, criou polêmica ao dizer nesta quarta-feira que “todos ficaram felizes por termos voltado, principalmente por sair daquele lugar”, referindo-se à participação do seu país na COP30 em Belém do Pará.
A fala de Merz foi criticada por políticos de esquerda e influenciadores brasileiros nas redes sociais.
“Não tem como levar a sério um líder que fala em proteção climática, mas demonstra incômodo ao pisar na maior floresta do planeta. Belém não é desconforto; desconforto é a arrogância europeia fantasiada de diplomacia”, escreveu a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG).
Vergonhosa a fala de Friedrich Merz, chanceler alemão sobre Belém.
Não tem como levar a sério um líder que fala em proteção climática, mas demonstra incômodo ao pisar na maior floresta do planeta. Belém não é desconforto; desconforto é a arrogância europeia fantasiada de… pic.twitter.com/15AIT9rLc5
— Duda Salabert (@DudaSalabert) November 17, 2025
“Merz, obrigado pela visita em Belém, na COP30. Mas, da Alemanha e dos demais países ricos, nós queremos mais o dinheiro para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre do que propriamente a sua presença aqui. Estamos aguardando alegres. Abraço ao povo alemão!”, escreveu o deputado Rogério Corrêa (PT-MG).
“Perguntei a alguns jornalistas que estiveram comigo no Brasil na semana passada: ‘Quem gostaria de ficar aqui?’ Ninguém levantou a mão. Todos ficaram contentes por termos retornado à Alemanha, especialmente daquele lugar onde estávamos”, afirmou o chanceler Friedrich Merz, ao defender que os alemães vivem “em um dos lugares mais bonitos e livres do mundo”.
Apesar da grosseria, Merz estaria amparado por estatísticas de qualidade de vida, longevidade e renda, se desejasse realmente comparar Berlim, na Alemanha, com Belém do Pará.
Veja abaixo como as cidades se comparam em alguns indicadores sociais e econômicos.
1 – Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)
Em Belém, o índice de desenvolvimento humano municipal (IDHM) foi calculado em 2010 em 0,746. Considerado alto, porém ainda abaixo de outras capitais brasileiras.
Para Berlim, o IDH foi calculado em 0,965 em 2019, considerado muito alto. O valor é um pouco acima da média da Alemanha, de 0,942.
2 – Renda per capita
O PIB (Produto Interno Bruto) per capita de Belém do Pará é de R$ 22.216,33 em 2021, segundo o IBGE, o que coloca a cidade mais ou menos na metade da distribuição de renda do país.
Já o Estado de Berlim, onde está a capital, tinha um “produto doméstico regional bruto” (ou GRDP, na sigla em inglês) per capita de 53,9 mil USD em 2022.
É o equivalente a R$ 278.738,00 anuais. É um dos mais elevados da Alemanha e da Europa como um todo, e mais de 12 vezes a renda de Belém.
3 – Expectativa de vida
No estado do Pará como um todo, a expectativa de vida em 2020 era de 69 anos para os homens e 77 anos para as mulheres, ou seja, 73 anos em média.
Já em Berlim, a expectativa de vida é bem mais alta: 78 anos para os homens e 83 anos para as mulheres. A média geral era de 80,8 anos, segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS).
4 – Saneamento básico
Belém possui alguns dos piores indicadores de saneamento básico entre as capitais brasileiras. Cerca de 77% da população possui água tratada, mas só 17% conta com coleta de esgoto, segundo levantamento do Trata Brasil. E, do esgoto que é coletado, só 3% a 4% é tratado. No Pará como um todo, 91% da população não conta com coleta de esgoto.
Já em Berlim, quase a totalidade da população de 3,8 milhões de pessoas é atendida pela Berliner Wasserbetriebe (“Companhia de Águas de Berlim”), segundo a própria empresa.
